Ano recorde para as paisagens naturais da Coreia
Os parques nacionais da Coreia do Sul se tornaram grandes atrações para viajantes internacionais, recebendo juntos 2,05 milhões de visitantes estrangeiros ao longo de 2025. O Serviço de Parques Nacionais da Coreia (KNPS, na sigla em inglês) divulgou esses números na quarta-feira: 1,13 milhão eram turistas estrangeiros, enquanto cerca de 920 mil eram residentes estrangeiros que já viviam no país. O marco representa uma recuperação e expansão expressivas do turismo receptivo, consolidando as paisagens naturais como elementos centrais do setor de viagens da Coreia, que está em transformação.
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As estatísticas refletem uma mudança mais ampla na forma como os viajantes internacionais conhecem o país. Embora centros urbanos como Seul e Busan continuem populares, um número cada vez maior de visitantes se aventura por áreas montanhosas, regiões costeiras e paisagens vulcânicas. Essa diversificação sugere que o apelo da Coreia vai além dos bairros comerciais e dos marcos culturais, abrangendo também áreas naturais preservadas e formações geológicas.
O presidente do KNPS, Joo Dae-yeong, comentou a importância desses números.
O fato de os visitantes estrangeiros na Coreia também conhecerem nossos parques nacionais demonstra que as paisagens naturais são uma parte importante do apelo turístico do país. Agora que podemos medir com mais precisão a dimensão das visitas de estrangeiros por meio da análise de dados de roaming, vamos ampliar os serviços de informação e os programas voltados a visitantes internacionais e trabalhar para construir parques nacionais que se desenvolvam junto com as comunidades locais.
Quais parques atraem mais visitantes?
O Parque Nacional de Hallasan, na ilha de Jeju, liderou as estatísticas de visitação, com 271.443 visitantes estrangeiros. Como a montanha mais alta da Coreia do Sul e um vulcão adormecido, Hallasan oferece trilhas que atravessam diferentes zonas ecológicas, de florestas temperadas a prados alpinos. A popularidade do parque reflete uma tendência crescente entre os turistas estrangeiros que visitam Jeju: incluir atividades em paisagens naturais nos roteiros, em vez de se limitar a resorts de praia e atrações urbanas.
O Parque Nacional de Dadohaehaesang ficou em segundo lugar, com 141.190 visitantes estrangeiros. É a maior área protegida da Coreia, abrangendo regiões costeiras e cerca de 1.700 ilhas na província de Jeolla do Sul. Seu ambiente marinho e as paisagens costeiras atraem visitantes interessados em passeios entre ilhas, fotografia litorânea e observação de diversos ecossistemas marinhos.
Os parques nacionais de Taeanhaean e Hallyeohaesang vieram logo em seguida, cada um recebendo cerca de 130 mil visitantes internacionais. Taeanhaean, situado no litoral oeste da Coreia, tem praias tranquilas, planícies de maré e vida marinha diversificada, o que o torna especialmente atraente para o ecoturismo. Hallyeohaesang, que se estende pelo litoral sul, combina ecossistemas marinhos ricos, formações rochosas singulares e importância histórica.
Parques montanhosos também tiveram destaque no ranking. O Parque Nacional de Seoraksan, na província de Gangwon, recebeu 111.731 visitantes estrangeiros, atraídos por seus imponentes picos de granito e pela folhagem sazonal. O Parque Nacional de Gyeongju, voltado ao patrimônio histórico do antigo reino de Silla, e não apenas à natureza selvagem, recebeu 102.166 visitantes. Até o Parque Nacional de Bukhansan, localizado na região metropolitana de Seul, registrou 57.315 visitantes estrangeiros, mostrando que a facilidade de acesso não diminui seu apelo.
Quem visita e em que época?
A divisão demográfica dos visitantes revela padrões geográficos distintos, alinhados às tendências mais amplas de recuperação do turismo. Cidadãos chineses formaram o maior grupo individual, com 250 mil visitantes, ou 21,9% do total internacional. Taiwan veio em seguida, com cerca de 130 mil visitantes, enquanto as Filipinas contribuíram com 90 mil e a Indonésia, com 80 mil. Visitantes de regiões de língua chinesa e de países do Sudeste Asiático representaram, juntos, uma parcela proporcionalmente elevada do total.
Os Estados Unidos contribuíram com 60 mil visitantes, enquanto o Japão respondeu por 50 mil. Outros dados indicam que França, Tailândia, Alemanha e Índia também enviaram números crescentes de turistas, embora inferiores aos dos seis principais mercados. Essa diversidade sugere que os parques nacionais da Coreia atraem não apenas turistas regionais de países asiáticos vizinhos, mas também viajantes da Europa e da América do Norte em busca de experiências em meio à natureza.
Os padrões sazonais também foram reveladores. O outono foi a estação mais popular entre os visitantes estrangeiros, pois a combinação de folhas coloridas e temperaturas amenas cria condições ideais para caminhadas e atividades ao ar livre. A primavera ficou em segundo lugar, provavelmente impulsionada pelas flores de cerejeira e pelo clima agradável. O verão atraiu um número considerável de visitantes, apesar das temperaturas mais altas, enquanto o inverno teve o menor movimento, o que sugere que muitos viajantes internacionais, especialmente os de climas tropicais ou temperados, evitam os meses mais frios.
Tecnologia transforma o monitoramento de visitantes
As estatísticas de 2025 marcam uma mudança metodológica na forma como o KNPS monitora a visitação internacional. Em vez de depender da contagem manual de pessoas nas entradas dos parques, o órgão agora usa dados de roaming móvel de visitantes internacionais para estimar quantas pessoas estão dentro dos limites dos parques nacionais. Essa abordagem baseada na análise de dados representa um avanço tecnológico significativo em relação aos anos anteriores.
Ao analisar sinais de celular, os administradores dos parques conseguem acompanhar o volume de visitantes e seus padrões de deslocamento com mais precisão do que os métodos tradicionais de contagem permitiam. Os dados de roaming registram não apenas as entradas, mas também a presença dentro dos limites dos parques, oferecendo um panorama mais abrangente de como os visitantes usam diferentes áreas. Essa maior precisão permite melhorar a alocação de recursos, o planejamento de segurança e o desenvolvimento de infraestrutura com base em padrões reais de uso, e não em estimativas.
A adoção dessa tecnologia reflete uma tendência mais ampla na gestão do turismo em todo o mundo, na qual os rastros digitais oferecem informações que pesquisas manuais não conseguem igualar. No caso dos visitantes estrangeiros, especificamente, os dados de celular permitem entender de forma não intrusiva onde os turistas internacionais se concentram, quanto tempo permanecem em áreas específicas e quais trilhas ou atrações despertam mais interesse entre pessoas de diferentes nacionalidades.
Efeitos econômicos em cadeia entre setores
O aumento da visitação aos parques nacionais gerou intensa atividade econômica também fora de seus limites. Companhias aéreas como Korean Air, Asiana Airlines e Jeju Air ampliaram rotas e aumentaram a frequência de voos para atender à demanda crescente da China, do Japão, de Taiwan, dos Estados Unidos e de países do Sudeste Asiático. A Korean Air acrescentou voos de Pequim, Xangai e Tóquio, enquanto a Asiana ampliou as rotas para Nova York e Los Angeles. A Jeju Air aumentou a oferta de voos econômicos de Taipei e Manila, voltados especialmente a turistas interessados na natureza.
O setor hoteleiro também registrou crescimento correspondente. Unidades da rede Marriott, especialmente o Jeju Shinhwa World, relataram altas taxas de ocupação durante a alta temporada. O Lotte Hotel Jeju e o Hyatt Centric Jeju tiveram reservas sem precedentes, muitas delas feitas com meses de antecedência para observar a folhagem de outono. Além das acomodações de luxo, hotéis convencionais e imóveis do Airbnb próximos aos principais parques também registraram aumento na demanda de visitantes que buscavam ficar perto do início das trilhas e das atrações naturais.
Viajantes dos Estados Unidos tendem a ficar mais tempo do que visitantes da região, muitas vezes combinando a viagem à Coreia do Sul com visitas a outros destinos da Ásia. Essa estadia prolongada resulta em gastos por visitante mais altos do que os de outras nacionalidades. Turistas americanos frequentemente apontam o entretenimento e a culinária coreanos como principais motivos da viagem e usam esses interesses culturais como ponto de partida para explorar atrações naturais.
Essa atividade econômica também beneficia as comunidades locais no entorno dos parques. Restaurantes, serviços de transporte e lojas de equipamentos aproveitam o fluxo de visitantes internacionais que precisam de refeições, traslados e aluguel de equipamentos. A concentração de turistas estrangeiros em regiões específicas, sobretudo na ilha de Jeju e no litoral sul, criou polos de crescimento econômico local que impulsionam iniciativas de desenvolvimento regional.
Melhorias na experiência de visitantes internacionais
Em resposta à demanda crescente, o KNPS anunciou melhorias abrangentes nos serviços aos visitantes. O órgão planeja intensificar sua presença on-line com vídeos curtos em inglês no YouTube Shorts, mostrando os atrativos dos parques e oferecendo informações práticas aos visitantes. Essas iniciativas digitais buscam alcançar potenciais turistas durante o planejamento das viagens.
O programa de aluguel de equipamentos atende especificamente às dificuldades práticas enfrentadas por viajantes internacionais. Botas de caminhada e bastões de trekking, essenciais para percorrer com segurança as íngremes trilhas montanhosas da Coreia, muitas vezes ultrapassam os limites de bagagem das companhias aéreas ou ocupam um espaço valioso na mala. Ao oferecer esses itens nos parques, o KNPS elimina um obstáculo significativo que poderia impedir passeios espontâneos ao ar livre. O sistema de orientação com inteligência artificial funcionará por meio de aplicativos para celular, com atualizações de trilhas em tempo real, alertas meteorológicos e informações botânicas em idiomas como inglês, chinês e japonês, entre outros.
Talvez a iniciativa mais significativa seja o lançamento, pelo KNPS, de programas guiados por guardas florestais e destinados exclusivamente a visitantes estrangeiros. Essas experiências guiadas terão conteúdo educativo sobre o patrimônio natural da Coreia e garantirão a segurança em terrenos desafiadores. Os programas representam uma mudança da visitação passiva para experiências planejadas que aprofundam a compreensão internacional dos esforços de conservação e da biodiversidade da Coreia.
A combinação de uma análise precisa de dados com serviços aprimorados prepara os parques nacionais da Coreia para manter o crescimento do turismo internacional. Ao entender exatamente quem os visita, quando chega e o que procura, a administração dos parques pode oferecer experiências adequadas a públicos internacionais diversos e, ao mesmo tempo, preservar os ambientes naturais que inicialmente atraem os visitantes.
Principais pontos
- Os parques nacionais da Coreia receberam 2,05 milhões de visitantes estrangeiros em 2025, entre eles 1,13 milhão de turistas internacionais e 920 mil residentes estrangeiros.
- O Parque Nacional de Hallasan, na ilha de Jeju, liderou os destinos, com 271.443 visitantes estrangeiros, seguido pelos parques nacionais de Dadohaehaesang, Taeanhaean e Hallyeohaesang.
- Os visitantes chineses formaram o maior grupo nacional, com 250 mil pessoas, seguidos por turistas de Taiwan, das Filipinas, da Indonésia, dos Estados Unidos e do Japão.
- O outono foi a estação mais popular entre os visitantes internacionais, graças à folhagem e às temperaturas amenas, enquanto o inverno registrou os menores números de visitação.
- O KNPS agora usa dados de roaming móvel, em vez de contagens manuais, para monitorar visitantes estrangeiros, permitindo avaliar com mais precisão o volume de visitantes e seus padrões de deslocamento.
- Companhias aéreas e hotéis ampliaram os serviços para atender à demanda; Korean Air, Asiana, Jeju Air, Marriott e Lotte relataram aumento de capacidade e reservas.
- As melhorias previstas incluem orientação multilíngue com inteligência artificial, aluguel de equipamentos de segurança, como botas de caminhada e bastões de trekking, e programas guiados por guardas florestais, planejados especificamente para visitantes internacionais.






