Mercado de ETFs da Coreia do Sul dispara rumo à liderança regional, com aportes superando os de Taiwan

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Mercado de ETFs da Coreia do Sul dispara rumo à liderança regional, com aportes superando os de Taiwan

A guinada de US$ 239 bilhões: Seul está prestes a retomar a liderança em ETFs

O mercado de fundos negociados em bolsa (ETFs) da Coreia do Sul está às vésperas de um marco histórico. Após seis anos atrás de Taiwan, os ativos dos ETFs coreanos dispararam para US$ 239 bilhões, deixando o mercado a um passo de superar seu rival regional pela primeira vez desde 2019. Segundo dados compilados pela Bloomberg Intelligence, a diferença entre os dois mercados asiáticos, ambos fortemente ligados à tecnologia, caiu para apenas US$ 11 bilhões no fim de fevereiro de 2025.

Conteúdo
  1. A guinada de US$ 239 bilhões: Seul está prestes a retomar a liderança em ETFs
  2. Políticas governamentais e reformas corporativas impulsionam a alta
  3. O superciclo dos semicondutores e a demanda por IA
  4. Gestão ativa e entusiasmo dos investidores de varejo definem o mercado coreano
  5. O desafio dos altos dividendos em Taiwan
  6. O cenário de ETFs da Ásia-Pacífico se transforma
  7. Em resumo

A velocidade dessa alta surpreendeu os observadores do mercado. Desde o início de 2025, os ETFs coreanos receberam aportes médios semanais de US$ 1,2 bilhão, valor quase quatro vezes maior que a média semanal de US$ 330 milhões de Taiwan. Dos cerca de US$ 95 bilhões adicionados aos ativos de ETFs coreanos neste ano, quase 57% vieram de novos aportes de capital, e não da valorização do mercado, segundo Rebecca Sin, analista da Bloomberg Intelligence. Esse crescimento orgânico contrasta fortemente com o mercado taiwanês, onde apenas 41% do aumento dos ativos veio de dinheiro novo, indicando maior dependência da valorização dos preços.

Rebecca Sin, analista da Bloomberg Intelligence, projetou o cronograma dessa mudança. A previsão tem importância que vai além das estatísticas, pois os ativos em ETFs servem como indicador tanto da participação de investidores de varejo quanto da confiança dos investidores internacionais.

A Coreia do Sul superará Taiwan em patrimônio sob gestão (AUM) de ETFs até maio, sinalizando uma redução ainda maior do desconto coreano.

A previsão reflete melhorias estruturais nos mercados de capitais coreanos, e não fenômenos temporários de negociação.

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Políticas governamentais e reformas corporativas impulsionam a alta

O aumento dos ativos em ETFs coreanos vai além das condições favoráveis do mercado. Seul implementou políticas agressivas lideradas pelo governo para revitalizar os mercados de capitais domésticos e enfrentar preocupações antigas com as avaliações das empresas. O "desconto coreano" é o fenômeno pelo qual as ações coreanas são negociadas a avaliações inferiores às de seus pares globais, devido a problemas de governança, falta de transparência regulatória e riscos geopolíticos. Reformas regulatórias recentes, voltadas a essas fragilidades estruturais, começaram a restaurar a confiança internacional.

Jason Yu, chefe de estratégia e desenvolvimento de produtos da Samsung Asset Management, destacou o papel dos investidores de varejo nessa transformação.

Os fortes aportes de investidores de varejo em ETFs estão impulsionando a rápida expansão do mercado. A expectativa é que produtos antes não permitidos sejam lançados, contribuindo para reduzir ainda mais o desconto coreano.

Yu observou que a evolução regulatória, ao permitir produtos antes restritos, promete acelerar ainda mais o desenvolvimento do mercado. A Comissão de Serviços Financeiros da Coreia do Sul promoveu iniciativas para fortalecer os direitos dos acionistas, melhorar a transparência corporativa e incentivar o pagamento de dividendos. Essas medidas respondem a queixas de décadas de investidores estrangeiros sobre as estruturas opacas dos conglomerados "chaebol", que dominam a economia coreana. À medida que as reformas avançam, a diferença de avaliação entre as ações coreanas e seus pares globais começa a diminuir, criando um ciclo virtuoso em que a alta dos preços atrai novos aportes para ETFs.

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O superciclo dos semicondutores e a demanda por IA

Embora as reformas estruturais forneçam a base, o catalisador imediato para o boom dos ETFs coreanos está na revolução global da inteligência artificial. O país está no epicentro da escassez de chips de memória que afeta o setor de data centers, com a Samsung Electronics e a SK Hynix em posições dominantes nos segmentos de memória de alta largura de banda (HBM) e tecnologias avançadas de DRAM, essenciais para o processamento de IA.

As ações dessas gigantes dos semicondutores tiveram desempenho muito superior ao da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company no último ano, levando o índice de referência Kospi a níveis notáveis. Após uma disparada de 76% em 2025, que superou os mercados globais, o índice avançou mais 22% no início de 2026. Esse desempenho permitiu que o mercado acionário coreano superasse a Alemanha em valor de mercado total no mês passado, entrando para o grupo dos dez maiores mercados do mundo. Em comparação, o índice Taiex de Taiwan subiu 9,8% no acumulado do ano, garantindo a oitava posição global.

A demanda impulsionada pela IA criou uma divisão na exposição à tecnologia asiática. Enquanto a TSMC, de Taiwan, se destaca na fabricação de chips lógicos e nos serviços de fundição, as empresas coreanas dominam o segmento de memória, onde a escassez se tornou mais aguda. Esse posicionamento direcionou os fluxos de investimento para ETFs de ações coreanas, à medida que investidores buscam exposição direta à expansão da infraestrutura de hardware para IA. A volatilidade, porém, continua sendo uma preocupação. O Kospi registrou quedas intradiárias superiores a 4% em duas ocasiões apenas neste mês, refletindo a apreensão dos investidores quanto à sustentabilidade dos gastos de capital em IA e aos riscos de excesso de oferta no setor de memória.

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Gestão ativa e entusiasmo dos investidores de varejo definem o mercado coreano

O ecossistema de ETFs da Coreia do Sul se diferencia dos mercados globais pela adoção da gestão ativa. Segundo a J.P. Morgan Asset Management, os ETFs ativos coreanos representam cerca de 31% do total de ativos em ETFs, a maior proporção do mundo. Esses produtos atraíram 33% dos aportes totais em 2024, embora isso represente uma desaceleração em relação ao ano anterior, quando as estratégias ativas captaram mais de 80% dos aportes.

Nick Kim, especialista em ETFs para a Ásia-Pacífico na J.P. Morgan, observou que o número de ETFs ativos na Coreia mais que dobrou desde 2022.

Estamos vendo muitos emissores coreanos de ETFs lançarem mais fundos voltados a ativos estrangeiros e a estratégias de gestão ativa.

Kim explicou que os ETFs ativos agora detêm cerca de 80,4 trilhões de won (US$ 57,2 bilhões), o equivalente a 34,7% do total de ativos em ETFs. Os investidores de varejo coreanos apresentam padrões de comportamento distintos dos de seus pares taiwaneses. Eles usam ETFs alavancados e inversos de forma tática na maior proporção do mundo, e esses produtos representam 9% do patrimônio sob gestão (AUM) total. Além disso, ETFs temáticos ligados à inteligência artificial, às tecnologias de defesa e a commodities como o ouro ganharam bastante popularidade.

Nick Kim descreveu os temas que impulsionam o crescimento dos ativos.

ETFs temáticos e voltados a mercados estrangeiros contribuem para esse crescimento. IA e big tech se tornaram temas de investimento populares, enquanto o tema de dividendos continua sendo uma tendência perene.

Essa expansão impulsionada pelo varejo tem efeitos estruturais para o setor mais amplo de gestão de ativos da Coreia. Nos últimos dois anos, os ETFs aumentaram sua participação no mercado de fundos mútuos de 9,5% para 15,5%, reduzindo gradualmente o domínio dos fundos de investimento tradicionais. Observadores do setor atribuem essa mudança às taxas totais mais baixas e à integração simples dos ETFs às plataformas digitais de negociação preferidas pelos investidores mais jovens.

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O desafio dos altos dividendos em Taiwan

Enquanto a Coreia avança com uma expansão diversificada, o mercado taiwanês de ETFs enfrenta limitações estruturais decorrentes de seu foco concentrado na geração de renda. Taiwan se tornou o maior mercado de ETFs de renda fixa da Ásia, com esses produtos chegando a NT$ 3,09 trilhões (US$ 96 bilhões) no fim de 2024, o equivalente a 48% do total de ativos em ETFs. O mercado passou a ser dominado por investidores de varejo em busca de altos rendimentos de dividendos e exposição a títulos do Tesouro dos EUA.

Ahmed Ibrahim, chefe de soluções de ETFs para a Ásia-Pacífico na State Street Global Advisors, descreveu a expansão impulsionada pelo varejo em Taiwan.

O mercado está sendo fortemente impulsionado por investidores de varejo. Acreditamos que o crescimento dos ETFs continuará, à medida que uma parcela cada vez maior do público investidor usa esse veículo de investimento para acumular patrimônio e gerar renda.

Essa concentração traz tanto vantagens quanto vulnerabilidades. Os ativos em ETFs de Taiwan cresceram 54% no ano passado, chegando a cerca de US$ 196,5 bilhões, enquanto o número de cotistas aumentou em 5,42 milhões, alcançando 14,11 milhões de investidores. No entanto, a forte inclinação do mercado para investimentos de alto rendimento o deixa exposto às oscilações das taxas de juros e a mudanças na política do Federal Reserve dos EUA.

Rebecca Sin, da Bloomberg Intelligence, descreveu a dificuldade de Taiwan como a incapacidade de encontrar alternativas à corrida pelos altos dividendos, que capturou a atenção dos investidores. A Comissão de Supervisão Financeira de Taiwan respondeu aprovando ETFs ativos e ETFs passivos multiestratégia, na esperança de diversificar a oferta de produtos. Participantes do mercado esperam que pelo menos cinco gestoras lancem ETFs ativos em Taiwan em 2025, o que poderia recuperar participação de mercado perdida para produtos passivos.

A composição do crescimento revela uma diferença importante. O fato de 57% da expansão coreana vir de aportes indica participação crescente no mercado e compromisso sustentável dos investidores. A proporção de 41% em Taiwan, embora respeitável, aponta para maior dependência da valorização dos ativos do que de novos aportes de capital. Com o aumento da volatilidade das operações globais ligadas à IA, essa diferença pode determinar qual mercado será mais resiliente durante as correções.

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O cenário de ETFs da Ásia-Pacífico se transforma

A rivalidade entre Coreia e Taiwan se desenrola em meio ao crescimento explosivo dos mercados de ETFs da Ásia-Pacífico. A State Street prevê que os ativos da região crescerão 30% em 2025, podendo chegar a US$ 2,2 trilhões. A expectativa é que a China ultrapasse o Japão e se torne o maior mercado de ETFs da região, com ativos superiores a US$ 700 bilhões, impulsionados por compras patrocinadas pelo Estado e por exigências regulatórias que obrigam as gestoras de fundos mútuos a aumentar suas posições em ações em 10% ao ano.

A ascensão da Coreia já reorganizou a classificação regional. O mercado ultrapassou recentemente o da Austrália e se tornou o quarto maior da Ásia-Pacífico, atrás apenas de Japão, China e Taiwan. Com os ETFs ativos impulsionando a inovação e a participação de investidores de varejo crescendo entre diferentes faixas demográficas, a Coreia parece bem posicionada para disputar o terceiro lugar antes do fim do ano.

As tendências globais reforçam essa expansão regional. A indústria mundial de ETFs recebeu um recorde de US$ 1,9 trilhão em 2024, e o total de ativos chegou a US$ 14,7 trilhões. As estratégias ativas captaram 27% dos aportes globais, apesar de representarem apenas 9% do total de ativos sob gestão, o que sugere uma mudança estrutural em direção à gestão tática dentro dos ETFs. Esse apetite global pela gestão ativa favorece diretamente os pontos fortes já existentes no mercado coreano.

No entanto, há riscos no horizonte. Possíveis mudanças nas estruturas de taxas de distribuição nos EUA podem pressionar as taxas de despesas dos ETFs, enquanto a volatilidade persistente das ações de tecnologia pode testar a confiança dos investidores de varejo. Observadores do mercado alertam que cresce o ceticismo em relação à sustentabilidade dos gastos de capital ligados à IA, e as recentes oscilações intradiárias do Kospi servem de sinal de alerta. As melhorias estruturais na governança corporativa coreana e o crescimento de longo prazo da adoção de ETFs na região sugerem que até mesmo correções cíclicas podem ser reveses temporários, e não reversões de tendência.

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Em resumo

  • Os ativos dos ETFs sul-coreanos chegaram a US$ 239 bilhões, reduzindo a diferença para Taiwan a apenas US$ 11 bilhões; analistas preveem que a Coreia ultrapassará o rival até maio de 2025.
  • Os ETFs coreanos recebem aportes médios semanais de US$ 1,2 bilhão, quatro vezes mais que os US$ 330 milhões de Taiwan; novos aportes de capital respondem por 57% do crescimento dos ativos na Coreia, ante 41% em Taiwan.
  • Reformas de mercado lideradas pelo governo para combater o "desconto coreano", somadas aos lucros do superciclo dos semicondutores impulsionado pela demanda por IA, catalisaram a disparada.
  • A Coreia lidera mundialmente a adoção de ETFs ativos, que representam 31% do total de ativos, enquanto investidores de varejo utilizam produtos alavancados em taxas sem precedentes.
  • O mercado taiwanês continua dominado por ETFs de altos dividendos e de renda fixa, levando os reguladores a aprovar estratégias ativas para diversificar a oferta de produtos.
  • A previsão é que o mercado de ETFs da Ásia-Pacífico cresça 30% em 2025, e que a China ultrapasse o Japão como o maior mercado da região.
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