Crise de desemprego entre jovens no Vietnã: 1,4 milhão de jovens fora do emprego, da educação e da formação evidenciam desafios crescentes no mercado de trabalho

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Crise de desemprego entre jovens no Vietnã: 1,4 milhão de jovens fora do emprego, da educação e da formação evidenciam desafios crescentes no mercado de trabalho

Uma preocupação crescente com o futuro do Vietnã

O Vietnã enfrenta um desafio significativo em relação à sua população jovem: aproximadamente 1,4 milhão de pessoas de 15 a 24 anos não estavam empregadas nem estudavam ou participavam de programas de formação (NEET, na sigla em inglês) no quarto trimestre de 2025. Esse número representa 10,2% da população jovem do país, segundo o Escritório Geral de Estatísticas do Ministério das Finanças vietnamita. Os dados destacam as dificuldades que os jovens vietnamitas enfrentam para encontrar oportunidades de trabalho significativas e revelam um descompasso crescente entre os sistemas de ensino e as demandas do mercado de trabalho.

Conteúdo
  1. Uma preocupação crescente com o futuro do Vietnã
  2. Entenda o fenômeno NEET
  3. A crise de emprego entre os jovens vietnamitas em detalhes
  4. Disparidades de gênero e geográficas
  5. Contexto regional e global
  6. Principais causas do desafio de emprego juvenil no Vietnã
  7. Resposta do governo e iniciativas de política pública
  8. Implicações econômicas e riscos futuros
  9. Os próximos passos para os jovens vietnamitas
  10. Principais pontos

A situação representa um paradoxo para o Vietnã, que continua registrando crescimento econômico enquanto enfrenta dificuldades para integrar sua população jovem ao trabalho produtivo. Esse desafio demográfico surge em um momento crítico, pois o país também enfrenta o envelhecimento da população, criando o que especialistas descrevem como um possível "duplo fardo": a escassez de trabalhadores e o aumento da pressão sobre a previdência social no futuro.

O Escritório Geral de Estatísticas enfatizou a necessidade de orientação profissional mais precoce e de trajetórias educacionais e profissionalizantes mais claras. Além disso, a instituição defende vínculos mais fortes entre escolas e empresas, para alinhar melhor os programas de formação à demanda efetiva do mercado de trabalho. Sem uma intervenção imediata, o Vietnã corre o risco de perder uma oportunidade crucial de aproveitar sua força de trabalho jovem antes que as mudanças demográficas alterem profundamente o cenário do trabalho no país.

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Entenda o fenômeno NEET

NEET é a sigla em inglês para "fora do emprego, da educação e da formação" e se refere à parcela de jovens que não participa de nenhuma forma de trabalho, ensino formal ou atividade de formação. O indicador inclui pessoas desempregadas ou economicamente inativas que não participam de programas de educação ou formação. Segundo as definições da OCDE e da OIT, educação abrange programas formais em período parcial ou integral, enquanto emprego inclui qualquer pessoa que tenha trabalhado ao menos uma hora remunerada durante a semana de referência ou estivesse temporariamente afastada do trabalho.

Essa métrica é um indicador fundamental da inclusão dos jovens e representa um desafio significativo para formuladores de políticas em todo o mundo. Quando os jovens permanecem por longos períodos sem acesso ao trabalho nem a oportunidades de aprendizagem, ficam mais expostos ao desemprego de longa duração, a rendimentos menores ao longo da vida e à exclusão social. A taxa NEET é expressa como porcentagem da população de uma determinada faixa etária, o que a torna uma medida padronizada para comparações internacionais.

O que torna a situação dos jovens NEET particularmente preocupante é que ela inclui não apenas aqueles que procuram trabalho ativamente, mas também jovens que podem ter desanimado e abandonado completamente o mercado de trabalho. Esse desemprego oculto muitas vezes encobre problemas estruturais mais profundos nos sistemas de ensino, nos mercados de trabalho e nas políticas sociais. Compreender as características e as circunstâncias específicas dos jovens NEET é essencial para elaborar intervenções eficazes que possam reconectá-los à educação ou a trajetórias profissionais.

Enfrentar o fenômeno NEET exige uma abordagem abrangente que vá além da simples criação de empregos. É preciso avaliar a qualidade do ensino, os sistemas de informação sobre o mercado de trabalho, os mecanismos de orientação profissional e as estruturas de proteção social. Muitos especialistas argumentam que o fenômeno NEET não é apenas um desafio econômico, mas também social, pois o afastamento prolongado da educação e do trabalho pode deixar efeitos psicológicos duradouros sobre a confiança, a motivação e a integração social dos jovens.

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A crise de emprego entre os jovens vietnamitas em detalhes

Os dados mais recentes do Vietnã revelam um quadro preocupante de afastamento dos jovens das atividades produtivas. No primeiro trimestre de 2025, o número de jovens NEET chegou a 1,35 milhão, o equivalente a 10,4% da população jovem. Embora esse número tenha caído 66.900 em relação ao mesmo período de 2024, aumentou 84.400 na comparação com o trimestre anterior, o que sugere instabilidade nos padrões de emprego juvenil, em vez de uma melhora sustentada.

A taxa de desemprego entre jovens de 15 a 24 anos ficou em 7,93% no início de 2025, número que o ministro do Trabalho vietnamita, Dao Ngoc Dung, descreveu como "aceitável" em comparação com as médias regionais. A taxa média de desemprego no Sudeste Asiático gira em torno de 9,5%, resultado atribuído ao lento crescimento da economia global e a várias instabilidades que afetam a produção e as atividades empresariais. No entanto, esses índices gerais escondem disparidades significativas entre os jovens.

O ministro Dao Ngoc Dung enfatizou que a taxa de desemprego do Vietnã está "dentro de limites aceitáveis" e observou que a taxa específica entre os jovens é de 7,92%. Ele comparou esse número ao contexto regional mais amplo, em que a taxa média de desemprego no Sudeste Asiático gira em torno de 9,5%.

Além das estatísticas de desemprego, a medida mais abrangente de subutilização da força de trabalho revela desafios mais profundos. No quarto trimestre de 2025, o Vietnã registrou 2,14 milhões de pessoas, o equivalente a 4% da força de trabalho, em situação de subutilização. Esse grupo inclui desempregados, pessoas subocupadas e aquelas que estão fora da força de trabalho, mas dispostas a trabalhar. A taxa de subutilização chegou a 4,1% nas áreas rurais e a 3,8% nas urbanas, indicando que os desafios do mercado de trabalho vão além das cidades e também afetam as comunidades agrícolas e rurais.

O Escritório Geral de Estatísticas observou que, em condições econômicas normais, sempre existe uma parcela da força de trabalho subutilizada, que costuma aumentar quando a economia passa por grandes choques. Essa taxa subiu acentuadamente a partir do primeiro trimestre de 2020, atingiu o pico no terceiro trimestre de 2021 e depois caiu gradualmente, oscilando em torno de 4%. Embora o mercado de trabalho em geral tenha permanecido basicamente estável no quarto trimestre de 2025, autoridades apontaram sinais preocupantes, com um pequeno aumento no número de pessoas subocupadas, que chegou a aproximadamente 784 mil.

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Disparidades de gênero e geográficas

A crise dos jovens NEET no Vietnã não afeta todos igualmente. Há disparidades significativas entre áreas rurais e urbanas e também entre os gêneros. Nas áreas rurais, a taxa NEET chega a 11,7%, bem acima dos 8,2% observados nos centros urbanos. Essa divisão entre campo e cidade reflete a transformação contínua da economia vietnamita: o emprego agrícola tradicional diminuiu mais rapidamente do que surgiram novas oportunidades rurais, levando jovens a buscar as cidades, onde podem não ter as qualificações ou as redes de contatos necessárias para conseguir trabalho.

As disparidades de gênero representam outra dimensão do desafio. A proporção de jovens mulheres na condição NEET é maior, de 12%, ante 8,3% entre os jovens homens. Essa diferença reflete normas sociais persistentes, acesso desigual a oportunidades de educação e formação e expectativas distintas em relação às responsabilidades familiares. As mulheres no Vietnã enfrentam desafios específicos para conciliar papéis tradicionais com a participação no mercado de trabalho, especialmente em áreas rurais, onde o trabalho agrícola é cada vez mais mecanizado e os empregos no setor de serviços continuam concentrados nos centros urbanos.

As diferenças entre áreas urbanas e rurais e entre os gêneros se combinam e criam vulnerabilidades específicas. Jovens mulheres das áreas rurais enfrentam as maiores barreiras à educação e ao emprego, muitas vezes diante de poucas oportunidades locais e de restrições sociais à mobilidade. Essas desvantagens sobrepostas exigem respostas políticas direcionadas às circunstâncias específicas de diferentes grupos demográficos, em vez de abordagens iguais para todos.

Segundo o portal oficial do governo vietnamita, a proporção de jovens sem acesso a necessidades básicas segue padrões semelhantes: é maior nas áreas rurais do que nas urbanas e entre as jovens mulheres do que entre os jovens homens. Essas disparidades destacam a necessidade de intervenções com foco geográfico e sensíveis às questões de gênero, para alcançar efetivamente aqueles que correm maior risco de se afastar de forma permanente da educação e do emprego.

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Contexto regional e global

Os desafios enfrentados pelo Vietnã em relação ao desemprego juvenil fazem parte de um cenário global mais amplo de dificuldades no mercado de trabalho para os jovens. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que a taxa global de desemprego juvenil deve subir para 12,4% em 2025, o que equivale a cerca de 260 milhões de jovens classificados como NEET. Nos países de baixa renda, a projeção é de que a taxa chegue a quase 28%, o que demonstra a gravidade do desafio nas economias menos desenvolvidas.

A região da Ásia e do Pacífico enfrenta desafios particularmente agudos, com 157 milhões de jovens classificados como NEET em 2023, ante 145 milhões em 2019. Isso representa aproximadamente um em cada cinco jovens da região sem participação na educação, no emprego ou em programas de formação. Apesar dos números preocupantes do Vietnã, sua taxa NEET, de aproximadamente 10% a 10,4%, é menor que a de vários países vizinhos, embora isso ofereça pouco consolo a quem é diretamente afetado.

As comparações regionais revelam diferentes níveis de afastamento dos jovens em todo o Sudeste Asiático. Na Tailândia, as taxas NEET ficam entre 12,8% e 15%, enquanto a Indonésia registra índices de 17% a 18%, entre os mais altos do Sudeste Asiático. As Filipinas também enfrentam taxas de 12% a 13%, concentradas principalmente entre jovens de áreas urbanas pobres. Segundo dados da OIT, a taxa NEET da China oscila entre 15% e 17%, acima da do Vietnã, mas abaixo da média global.

O relatório da OIT Emprego e tendências sociais 2026 prevê que a taxa global de desemprego permanecerá em 4,9%, o equivalente a cerca de 186 milhões de pessoas desempregadas. No entanto, esses números agregados escondem diferenças regionais e desafios específicos enfrentados pelos jovens. As projeções de crescimento do emprego para 2026 variam muito conforme o nível de renda: 0,5% nos países de renda média-alta, 1,8% nas economias de renda média-baixa e 3,1% nos países de baixa renda.

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Principais causas do desafio de emprego juvenil no Vietnã

Vários fatores inter-relacionados contribuem para a alta taxa NEET do Vietnã. A falta de alinhamento entre o sistema de ensino e as demandas do mercado de trabalho é uma das principais preocupações. Muitos jovens se formam sem as qualificações específicas que os empregadores procuram, criando um paradoxo: há vagas que não são preenchidas enquanto jovens com formação têm dificuldade para encontrar trabalho. A desvalorização do ensino profissionalizante agrava o problema, pois trajetórias acadêmicas valorizadas pelo prestígio não se conectam às ocupações técnicas que enfrentam escassez de mão de obra.

A transformação digital e a inteligência artificial começaram a remodelar o mercado de trabalho vietnamita, eliminando alguns postos tradicionais de entrada e, ao mesmo tempo, criando demanda por novas competências. Jovens sem letramento digital ou formação técnica especializada ficam particularmente vulneráveis a essas mudanças. O ministro Dung observou que os empregadores estão priorizando cada vez mais trabalhadores experientes, capazes de desempenhar várias funções e reduzir custos. Isso dificulta a adaptação dos jovens e os deixa mais expostos a cortes de vagas.

Fatores comportamentais e sociais também têm um papel importante. Segundo relatos, a indulgência dos pais, o escapismo online e ciclos de endividamento decorrentes de empréstimos informais contribuem para o afastamento dos jovens. Alguns trabalhadores jovens preferem empregos estáveis e de longo prazo a vagas temporárias com remuneração maior, o que leva ao desemprego temporário enquanto aguardam oportunidades ideais, que talvez não surjam rápido o suficiente para evitar a perda de habilidades.

Os efeitos persistentes da pandemia de COVID-19 continuam a perturbar as transições habituais entre a educação e o trabalho. Instituições de ensino e empregadores se adaptaram de maneiras diferentes às condições da pandemia, criando lacunas de aprendizagem e experiência profissional que afetaram desproporcionalmente os jovens. A pandemia acelerou a transformação digital e alterou modelos de negócios de formas que afastaram as trajetórias tradicionais de ensino das oportunidades de emprego emergentes.

O Vietnã enfrenta um desafio demográfico singular, pois passa pelo envelhecimento da população enquanto mantém uma parcela expressiva de jovens. A OIT observa um paradoxo nos mercados de trabalho: as economias desenvolvidas enfrentam o envelhecimento da população e o lento crescimento da força de trabalho, enquanto os países de baixa renda têm dificuldade para transformar o rápido crescimento populacional em emprego produtivo. O Vietnã está na interseção desses dois desafios, com a diminuição das faixas etárias jovens em algumas regiões coexistindo com alto desemprego juvenil em outras.

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Resposta do governo e iniciativas de política pública

As autoridades vietnamitas reconheceram a gravidade do desafio do emprego juvenil e começaram a implementar diversas medidas. O ministro Dung apresentou ações para melhorar o emprego entre os jovens, incluindo programas de formação flexíveis para desenvolver competências alinhadas às necessidades do mercado e incentivos a pequenas e médias empresas (PMEs) lideradas por jovens, com o objetivo de estimular a inovação e a criação de empregos.

O governo destaca a importância de políticas de apoio ao empreendedorismo, incluindo assistência financeira, capacitação em gestão e incentivos fiscais para facilitar a criação de empregos. Em relação ao seguro-desemprego, o ministro Dung o descreveu como uma "rede de proteção" para evitar que os jovens fiquem desempregados por períodos prolongados. Além disso, as autoridades ressaltaram a necessidade de criar oportunidades de emprego no país e limitar a contratação de trabalhadores estrangeiros para funções comuns.

As autoridades defenderam a criação de um banco de dados nacional de jovens NEET para direcionar melhor as intervenções. Esse banco de dados ajudaria a identificar quem corre maior risco e a acompanhar a eficácia dos programas voltados a reconectar essas pessoas à educação ou ao emprego. Programas de formação flexíveis, capazes de se adaptar às rápidas mudanças na demanda do mercado de trabalho, são considerados essenciais, assim como uma mudança social que reconheça o ensino profissionalizante como um caminho legítimo para carreiras produtivas.

A ampliação do apoio psicológico a jovens afastados do trabalho e do ensino também foi apontada como prioridade. Os efeitos do desemprego de longo prazo e do afastamento da educação sobre a saúde mental não podem ser ignorados, pois jovens desanimados podem precisar de aconselhamento e de iniciativas para fortalecer a confiança, além de formação profissional e assistência para conseguir emprego. Enfrentar as barreiras psicológicas à participação é um complemento importante às intervenções tradicionais no mercado de trabalho.

O Escritório Geral de Estatísticas recomendou especificamente o foco na orientação profissional precoce, o oferecimento de orientação educacional e profissionalizante adequada às aptidões individuais e o fortalecimento dos vínculos entre escolas e empresas. Essas medidas buscam evitar que os jovens se tornem NEET, alinhando melhor suas escolhas às oportunidades disponíveis antes que concluam a educação formal.

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Implicações econômicas e riscos futuros

As implicações econômicas do desafio do desemprego juvenil no Vietnã vão além das dificuldades individuais e afetam as perspectivas de desenvolvimento nacional. Não aproveitar a força de trabalho jovem atual enquanto se fecha a janela de oportunidade demográfica trará desafios futuros relacionados ao envelhecimento da população, à pobreza e à pressão insustentável sobre a previdência social. O Banco Mundial observa que o emprego tem sido o caminho mais eficaz para sair da pobreza no Leste Asiático e no Pacífico: o aumento da renda do trabalho na indústria e nos serviços respondeu por quase toda a redução da pobreza no Vietnã entre 2010 e 2020.

No entanto, as conquistas passadas não garantem o sucesso futuro. O Banco Mundial alerta que o crescimento impulsionado pelas exportações e pela indústria, antes um dos principais motores da criação de empregos na região, enfrenta obstáculos decorrentes da automação e das mudanças nos padrões do comércio global. Ao mesmo tempo, a tecnologia está transformando o setor de serviços: a digitalização e a IA impulsionam a produtividade em diversos setores e abrem novas oportunidades para serviços de maior valor agregado e empregos que exigem mais qualificação. Essa transição exige uma adaptação significativa tanto dos sistemas de ensino quanto dos jovens trabalhadores.

A OIT estima que quase 300 milhões de trabalhadores em todo o mundo vivem em extrema pobreza, ganhando menos de US$ 3 por dia. O emprego informal continua crescendo e deve chegar a 2,1 bilhões de trabalhadores até 2026; muitos deles não têm empregos estáveis, direitos trabalhistas ou proteção social. Nos países de baixa renda, os avanços na melhoria da qualidade do emprego continuam lentos, deixando os trabalhadores vulneráveis ainda mais para trás. Sem intervenções eficazes, os jovens vietnamitas correm o risco de fazer parte dessa população global de trabalhadores pobres, em vez de se beneficiarem do desenvolvimento econômico do país.

A incerteza nas políticas comerciais globais e as interrupções nas cadeias de suprimentos pressionam os salários, especialmente na Europa e na Ásia, inclusive no Vietnã. Apesar desses desafios, o comércio continua sustentando o sustento de cerca de 465 milhões de trabalhadores no mundo, mais da metade deles na região da Ásia e do Pacífico. Manter a competitividade do Vietnã nesse cenário comercial em transformação e, ao mesmo tempo, criar oportunidades de emprego de qualidade no país é um equilíbrio crucial para os formuladores de políticas.

O Banco Mundial projeta que, na próxima década, cerca de 320 milhões de pessoas chegarão à idade de trabalhar na região do Leste Asiático e do Pacífico, aumentando significativamente a pressão sobre os mercados de trabalho para gerar empregos em grande escala. No entanto, com a desaceleração do crescimento econômico em muitos países de renda média, a criação de empregos deve ficar para trás: no ritmo atual, talvez surjam apenas cerca de 110 milhões de novos postos. Os jovens provavelmente serão os mais afetados, pois enfrentam maiores barreiras para entrar no mercado e não têm a experiência cada vez mais exigida pelos empregadores.

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Os próximos passos para os jovens vietnamitas

Enfrentar o desafio do emprego juvenil no Vietnã exige ações coordenadas em várias frentes. A OIT instou governos e empresas a ampliar as oportunidades de emprego para mulheres e jovens e a adotar políticas para elevar a produtividade do trabalho, incluindo investimentos em qualificação, educação, infraestrutura e tecnologia. A organização também pediu aos países que deem mais atenção aos riscos decorrentes da dívida pública, da inteligência artificial e da incerteza comercial.

O relatório da OIT Tendências globais de emprego para jovens defende uma abordagem de "garantia para os jovens": um pacote abrangente de políticas ativas de mercado de trabalho para assegurar que todos os jovens tenham acesso à educação, à formação ou ao emprego dentro de um prazo determinado. Essa abordagem representa uma mudança fundamental de estratégias reativas para proativas, com o objetivo de evitar o afastamento, em vez de apenas enfrentá-lo depois que ocorre.

A OIT afirma que "o trabalho decente é um passaporte para um futuro melhor para os jovens. E também para a justiça social, a inclusão e a paz. O momento de criar oportunidades para um futuro mais promissor é agora". A organização enfatizou que, sem oportunidades iguais de acesso à educação e a empregos decentes, milhões de jovens estão perdendo a chance de construir um futuro melhor.

As recomendações específicas para o Vietnã incluem melhorar a coordenação entre instituições de ensino e empregadores para garantir que os currículos sejam pertinentes, ampliar oportunidades de aprendizagem no trabalho e aprimorar os serviços de orientação profissional. Além disso, enfrentar as disparidades regionais exige investimentos direcionados ao desenvolvimento econômico rural e à melhoria da conexão entre os sistemas de ensino rurais e os mercados de trabalho urbanos.

Criar condições favoráveis ao empreendedorismo juvenil é outra estratégia fundamental. Muitas vezes, os jovens enfrentam barreiras desproporcionais para abrir empresas, como falta de garantias para obter crédito, redes de contatos comerciais limitadas e entraves regulatórios. Procedimentos simplificados para registrar empresas, acesso ao crédito e programas de mentoria podem ajudar a superar esses obstáculos e estimular a criação de empregos por meio de novos negócios.

O Vietnã precisa se preparar para uma transição demográfica complexa. Países com populações em envelhecimento, como o Vietnã, precisam adaptar ao mesmo tempo seus mercados de trabalho e sistemas de proteção social a uma população em idade ativa que diminui rapidamente. Todos os anos, 34 milhões de pessoas completam 65 anos na região do Leste Asiático e do Pacífico, o que cria desafios e oportunidades. Embora a redução da força de trabalho possa desacelerar o crescimento econômico, uma preparação adequada e investimentos em capital humano podem ajudar o Vietnã a conduzir essa transição com sucesso e evitar que sua população jovem se torne uma geração perdida.

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Principais pontos

  • Aproximadamente 1,4 milhão de jovens vietnamitas de 15 a 24 anos foram classificados como NEET no quarto trimestre de 2025, o equivalente a 10,2% da população jovem
  • A taxa NEET é significativamente maior nas áreas rurais (11,7%) do que nas urbanas (8,2%)
  • As jovens mulheres enfrentam taxas mais altas de afastamento, de 12%, ante 8,3% entre os jovens homens
  • No mundo, 260 milhões de jovens são classificados como NEET, e a projeção é de que a taxa chegue a 28% nos países de baixa renda
  • A região da Ásia e do Pacífico tem 157 milhões de jovens NEET, o equivalente a um em cada cinco jovens
  • A taxa NEET do Vietnã (10% a 10,4%) é menor que a de países vizinhos, como a Indonésia (17% a 18%) e a Tailândia (12,8% a 15%)
  • Entre as principais causas estão o descompasso entre qualificações e vagas, a transformação digital que substitui empregos tradicionais e as disparidades entre áreas rurais e urbanas
  • As respostas do governo incluem programas de formação flexíveis, incentivos ao empreendedorismo juvenil e uma proposta de banco de dados nacional de jovens NEET
  • O Banco Mundial projeta que haverá apenas 110 milhões de novos empregos para 320 milhões de pessoas que entrarão na idade de trabalhar no Leste Asiático e no Pacífico na próxima década
  • A OIT recomenda uma abordagem de "garantia para os jovens" que assegure a todos o acesso à educação, à formação ou ao emprego dentro de um prazo determinado
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