Acordo comercial dos EUA com a Indonésia gera temor de retaliação da China e da Europa

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Presiden Prabowo Bakal Shalat Idul Fitri di Istiqlal, Lanjut Open House ...

Um acordo comercial controverso

A Indonésia e os Estados Unidos estão prestes a fechar um importante acordo comercial recíproco que tem provocado fortes alertas de especialistas em economia. Caracterizado por termos assimétricos, o acordo deve ser assinado ainda neste mês, quando o presidente Prabowo Subianto viajará à Casa Branca para concluí-lo. Embora o governo indonésio tenha agido rapidamente para conceder tratamento especial às empresas americanas, incluindo tarifas zero sobre importações dos EUA e acesso a minerais críticos, as condições para as exportações indonésias são bem menos favoráveis. Os produtos indonésios que entrarem no mercado americano estarão sujeitos a uma tarifa de 19%, com exceções apenas para commodities que não estão disponíveis naturalmente nos EUA, como óleo de palma e cacau.

Conteúdo
  1. Um acordo comercial controverso
  2. Alertas sobre consequências econômicas
  3. O papel decisivo da China
  4. Insatisfação europeia
  5. Preocupações da indústria nacional
  6. A estratégia comercial mais ampla de Trump
  7. Implicações geopolíticas
  8. O comércio global em uma encruzilhada
  9. Principais pontos

O rápido processo de negociação, que garantiu condições melhores a Washington em apenas seis meses, em comparação com as negociações quase decenais de um acordo de livre comércio com a União Europeia, chamou a atenção de analistas. O governo indonésio também se comprometeu a comprar US$ 15 bilhões em produtos energéticos americanos e 50 aviões da Boeing, tornando o acordo ainda mais vantajoso para os Estados Unidos. No entanto, esse arranjo unilateral acendeu alertas sobre possíveis consequências diplomáticas e econômicas por parte de outros grandes parceiros comerciais, especialmente a China e a União Europeia.

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Alertas sobre consequências econômicas

Yose Rizal Damuri, diretor executivo do influente centro de estudos CSIS, manifestou forte preocupação com o potencial de o acordo desestabilizar o comércio da Indonésia. Ele alerta que o tratamento preferencial concedido aos EUA pode levar outros países a exigir condições semelhantes ou até provocar retaliações diretas. A estrutura do acordo cria uma disparidade evidente que os parceiros comerciais podem considerar discriminatória.

"[A Indonésia] sofrerá pressão de outros países que também querem receber o que os EUA estão recebendo. ... A China pode usar isso como argumento para exigir o mesmo tratamento, ou talvez a UE. ... Lembrem-se de que levamos quase 10 anos para firmar um acordo de livre comércio com a UE, mas os EUA conseguiram condições melhores em apenas 6 meses", disse Yose.

A preocupação não é apenas que outros países exijam tratamento igual, mas também que tomem medidas punitivas caso considerem que as concessões feitas a Washington os colocam em desvantagem competitiva. Yose ressaltou que uma retaliação desse tipo poderia desestabilizar gravemente o comércio da Indonésia. Essa avaliação reflete uma preocupação mais ampla de que Jacarta esteja trocando relações diplomáticas de longo prazo por ganhos imediatos com Washington, com o risco de afastar parceiros que há anos são fundamentais para o crescimento econômico indonésio.

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O papel decisivo da China

A possibilidade de uma reação chinesa é especialmente significativa, já que Pequim é o maior parceiro comercial da Indonésia. Apesar de registrar, até novembro de 2025, um déficit de US$ 19,28 bilhões com a China no comércio sem petróleo e gás, a relação bilateral continua sendo um pilar da economia indonésia. No âmbito da Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP, na sigla em inglês), as exportações entre os dois países atualmente não pagam tarifas, um modelo que facilitou a expansão do comércio.

Além disso, Pequim é um grande investidor na maior economia do Sudeste Asiático. O temor é que, ao dar prioridade aos EUA dessa forma, a Indonésia prejudique as relações com um vizinho profundamente integrado às suas cadeias de suprimentos. Yose Rizal Damuri observou que a China poderia usar o acordo americano como justificativa para exigir tratamento idêntico. Se essas exigências não forem atendidas, Pequim poderá usar seu peso econômico para pressionar Jacarta, possivelmente com barreiras comerciais próprias ou redirecionando investimentos. O delicado equilíbrio que a Indonésia mantém entre as grandes potências corre agora o risco de ser abalado pelo novo acordo com Washington.

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Insatisfação europeia

A União Europeia representa outra possível fonte de atrito. Até novembro de 2025, a Indonésia registrava um superávit anual de US$ 6,55 bilhões no comércio sem petróleo com a UE, número que ressalta a importância do mercado europeu. Os dois blocos também estão prestes a implementar um acordo abrangente de livre comércio que eliminaria praticamente todas as tarifas sobre os produtos de cada lado, possivelmente a partir do ano que vem. O acordo é resultado de anos de negociações minuciosas.

Por isso, a UE acompanha as rápidas concessões que a Indonésia ofereceu aos EUA. Autoridades europeias podem considerar relativamente baixa a tarifa de 19% sobre as exportações indonésias para os EUA, em comparação com as taxas que Trump ameaçou impor a outros países, mas a falta de reciprocidade nas importações americanas para a Indonésia é o principal obstáculo. O acordo com os EUA garante acesso total ao mercado indonésio, sem tarifas, para produtos americanos, um privilégio que a UE ainda negocia para obter integralmente. Essa diferença pode levar Bruxelas a buscar compensações ou a rever o cronograma de liberalização comercial com Jacarta.

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Preocupações da indústria nacional

Na Indonésia, o empresariado tem reagido de forma dividida. Enquanto alguns setores podem se beneficiar do aumento dos investimentos americanos e dos acordos de energia, outros estão preocupados com o impacto sobre as exportações de manufaturados. Pelos termos do novo acordo, exportações indonésias importantes, como calçados e têxteis, continuam sujeitas à tarifa de importação de 19%. Por isso, a associação empresarial do país, a Apindo, espera que esses produtos manufaturados possam, no futuro, entrar no mercado americano sem tarifas.

As indústrias têxtil e calçadista são importantes empregadoras na Indonésia, e a manutenção da barreira tarifária pode limitar seu crescimento no lucrativo mercado americano. A percepção de que, nesse aspecto, o acordo "está longe de ser recíproco" amplia as críticas internas. Críticos argumentam que, embora setores estratégicos como energia e minerais tenham sido abertos aos EUA, os segmentos industriais intensivos em mão de obra, que impulsionam boa parte das exportações indonésias, não receberam benefícios equivalentes. Essa insatisfação interna acrescenta outra camada de complexidade à estratégia do governo às vésperas da assinatura do acordo.

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A estratégia comercial mais ampla de Trump

O acordo com a Indonésia é uma peça de um quadro mais amplo: a agressiva política comercial do presidente Donald Trump. Desde que assumiu o cargo, Trump invocou poderes de emergência para impor tarifas "recíprocas", com o objetivo de combater o que considera práticas comerciais injustas e reduzir o déficit comercial dos EUA. A estratégia consiste em ameaçar com tarifas elevadas, por vezes de até 50%, para levar os parceiros comerciais à mesa de negociações.

Trump anunciou o acordo com a Indonésia junto com estruturas semelhantes negociadas com o Vietnã e outros países, apresentando-as como vitórias para os interesses econômicos americanos. Ele afirmou que a Indonésia concordou em comprar US$ 15 bilhões em produtos energéticos dos EUA e 50 aviões da Boeing, descrevendo o acordo como a abertura, pela primeira vez na história, de todo o mercado indonésio aos Estados Unidos. Especialistas, porém, observam que esses acordos costumam ser negociados às pressas e podem deixar os parceiros dos EUA em posições diplomáticas delicadas. O uso de ameaças tarifárias pelo governo como principal ferramenta de negociação criou incerteza nos mercados globais, com parceiros sem saber se os acordos fechados hoje continuarão valendo amanhã.

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Implicações geopolíticas

Além dos efeitos econômicos imediatos, o acordo comercial tem um peso geopolítico significativo. Tradicionalmente, a Indonésia mantém uma política de não alinhamento, equilibrando suas relações com grandes potências como EUA, China e Rússia. No entanto, relatos indicam que o governo Trump pressionou por termos que poderiam restringir as relações da Indonésia com a China, especialmente nas áreas de minerais críticos e cooperação energética.

Isso coloca Jacarta em uma posição difícil. Resistir a essas exigências é essencial para preservar sua independência e evitar conflitos com seu maior vizinho, mas isso poderia comprometer o acordo comercial com os EUA. Dino Patti Djalal, ex-vice-ministro das Relações Exteriores, criticou a postura de Jacarta e afirmou que a parceria com os EUA não deve transformar a Indonésia em um "país submisso que sacrifica seus princípios". Suas declarações refletem o temor de que a soberania indonésia esteja sendo negociada em troca de um pacto comercial que talvez não traga benefícios sustentáveis no longo prazo.

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O comércio global em uma encruzilhada

A situação evidencia a transformação do cenário do comércio global. A era dos acordos multilaterais e das negociações lentas, baseadas na construção de consensos, parece estar dando lugar a uma abordagem mais transacional e bilateral, marcada pela ameaça de tarifas. Essa mudança deixa as economias menores em posição vulnerável, muitas vezes obrigando-as a escolher um lado ou aceitar condições desfavoráveis para evitar medidas punitivas.

Para a Indonésia, o desafio é lidar com essa nova realidade sem se isolar de seus parceiros tradicionais. Os alertas de especialistas como Yose Rizal Damuri destacam os riscos de priorizar uma relação em detrimento de outras. À medida que a data da assinatura se aproxima, todos estarão atentos à forma como Jacarta lidará com as reações de Pequim e Bruxelas e a se os benefícios econômicos prometidos por Washington compensarão o possível custo diplomático.

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Principais pontos

  • Indonésia e EUA estão finalizando um acordo comercial pelo qual as exportações indonésias estarão sujeitas a uma tarifa de 19%, enquanto as importações americanas entrarão na Indonésia sem tarifas.
  • O economista sênior Yose Rizal Damuri alerta para possíveis retaliações da China e da UE devido ao caráter unilateral do acordo.
  • A China é o maior parceiro comercial da Indonésia, e o acordo pode abalar o delicado equilíbrio da diplomacia econômica de Jacarta.
  • A UE prepara suas próprias medidas comerciais e pode considerar as concessões da Indonésia aos EUA um retrocesso nas negociações bilaterais.
  • Grupos empresariais nacionais, como a Apindo, estão preocupados com a manutenção de tarifas sobre importantes exportações manufaturadas no novo acordo.
  • A estratégia mais ampla do governo Trump usa ameaças tarifárias para obter concessões, gerando incerteza nos mercados globais.
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