Fornecedor da Nike corta 1.800 empregos na Indonésia após falhas de qualidade; novos cortes são possíveis

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Abalo na indústria de Tangerang

O polo calçadista da Indonésia em Tangerang, Banten, foi atingido por uma nova onda de demissões depois que a PT Victory Chingluh Indonesia, importante fabricante terceirizada da Nike, dispensou cerca de 1.800 trabalhadores. Os embarques da empresa tiveram problemas de qualidade e foram devolvidos pelos mercados de exportação, levando a uma redução de pessoal que, segundo os sindicatos, poderia ter sido evitada. A decisão ocorre em um momento delicado para os setores indonésios intensivos em mão de obra, que enfrentam custos crescentes, demanda global mais fraca e mudanças rápidas nas estratégias das marcas.

Conteúdo
  1. Abalo na indústria de Tangerang
  2. O que levou às demissões
  3. Rejeições de qualidade e devoluções
  4. Por que as falhas podem ter aumentado agora
  5. Quantos empregos e quem foi afetado
  6. Salários, qualificação e o debate sobre remuneração
  7. Pressão por transferência e a opção de Java Central
  8. Dificuldades da Nike repercutem entre fornecedores
  9. Resposta do governo e proteção aos trabalhadores
  10. O que isso significa para o polo calçadista de Tangerang
  11. Perspectivas para o curto prazo
  12. Pontos principais

A dimensão do corte é importante para a economia local e para a cadeia global de produção de tênis. A Indonésia é uma das principais bases de fabricação da Nike, ao lado do Vietnã e da China, e o país fornece uma parcela expressiva da força de trabalho que produz calçados e roupas para grandes marcas. Representantes do setor afirmam que os indonésios correspondem a cerca de 30% dos trabalhadores das fábricas que atendem Nike e Adidas em todo o mundo, o que mostra a importância central do país na cadeia global de fornecimento de artigos esportivos.

Líderes trabalhistas argumentam que as demissões decorrem de falhas da gestão no controle de qualidade, e não da pressão salarial. Grupos empresariais contrapõem que o alto salário mínimo regional em Tangerang, taxas pouco claras e a escassez de trabalhadores qualificados elevaram os custos e reduziram a produtividade. Das cerca de 3.000 vagas inicialmente indicadas para redução, 1.800 já foram cortadas, e o sindicato alerta que pode haver novos cortes caso uma auditoria interna da empresa conclua que os defeitos são extensos demais para serem corrigidos. Ao mesmo tempo, entidades empresariais pedem às autoridades locais que impeçam a transferência total da fábrica para Pekalongan, em Java Central, onde os custos de mão de obra e despesas gerais são menores.

O que levou às demissões

Executivos mencionaram a devolução em massa de produtos exportados que não atenderam aos padrões das marcas. Para fábricas terceirizadas, a rejeição de um embarque pode ser devastadora. Produtos devolvidos imobilizam recursos, exigem retrabalho ou descarte e podem reduzir drasticamente o volume de pedidos futuros. Quando vários lotes apresentam problemas ao mesmo tempo, o cronograma de produção e o planejamento de pessoal desmoronam.

Rejeições de qualidade e devoluções

Calçados destinados a marcas globais precisam passar por várias etapas de controle de qualidade antes do envio. Os inspetores verificam costuras, colagem, linhas de cola, alinhamento da entressola, precisão das cores, etiquetas e embalagem. Um único erro repetido em milhares de pares pode levar à rejeição de um embarque inteiro. Se os problemas forem pequenos e corrigíveis, a fábrica pode retrabalhar os produtos. Se forem estruturais ou generalizados, o retrabalho pode custar mais do que refazer o produto, sobretudo quando os prazos de entrega já foram perdidos.

Por que as falhas podem ter aumentado agora

Uma combinação de pressões pode elevar as taxas de defeitos. Entre elas estão a alta rotatividade nas linhas de produção, prazos mais apertados enquanto as marcas ajustam a composição de seus produtos, mudanças nos materiais ou nos fornecedores de componentes e medidas de contenção de custos que reduzem a supervisão nas linhas. Lacunas de treinamento e rotinas de manutenção sobrecarregadas também aumentam o risco de falhas na colagem ou nas costuras em grandes séries de produção. Quando os orçamentos ficam mais apertados, as salvaguardas de qualidade costumam ser pressionadas justamente quando a variedade de produtos se torna mais complexa.

Unang Sunarno, presidente da Aliança do Congresso dos Sindicatos da Indonésia (KASBI), argumenta que os trabalhadores estão pagando por decisões da gestão que não protegeram a qualidade em todas as etapas do processo.

Somos contra as demissões unilaterais porque os trabalhadores não têm culpa; o problema está no sistema de produção. Os trabalhadores não devem ser vítimas das falhas da gestão.

Fábricas que recebem produtos devolvidos podem negociar descontos, verbas para reparos ou novos prazos de entrega com os compradores. Se as negociações fracassarem, a fábrica arca com o prejuízo. Em um setor de margens apertadas, falhas de qualidade consecutivas podem levar rapidamente a gestão a cortar turnos, reduzir horas extras ou até eliminar linhas inteiras. Esse é o contexto da decisão da Victory Chingluh.

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Quantos empregos e quem foi afetado

Representantes sindicais afirmam que cerca de 1.800 trabalhadores receberam avisos de demissão, enquanto centenas de casos ainda estão em andamento. Inicialmente, a administração listou cerca de 3.000 postos que poderiam ser eliminados. Notícias publicadas no fim de outubro indicaram que uma segunda rodada poderia afetar mais 2.804 trabalhadores na fábrica da empresa em Pasar Kemis, embora uma de suas outras unidades, em Cikupa, supostamente operasse normalmente e com qualidade aceitável. A situação pode variar entre fábricas do mesmo grupo, conforme as linhas de produtos, os clientes e os resultados das auditorias recentes.

Andi Kristiantono, secretário-geral da KASBI, afirma que o problema central é a má gestão e que as demissões são uma resposta equivocada a um problema enraizado nos sistemas de produção.

O problema atual não é simplesmente culpa dos trabalhadores, mas resultado da má gestão da empresa.

O sindicato defendeu um programa de desligamento voluntário, em vez de demissões unilaterais. Em negociações recentes, as partes discutiram pacotes que incluem todos os direitos previstos em lei e, para quem aderir voluntariamente, uma indenização ampliada equivalente ao dobro do cálculo padrão estabelecido pela legislação trabalhista da Indonésia. Líderes sindicais também pediram comunicação transparente para evitar a ansiedade entre os trabalhadores de unidades que continuam operando normalmente.

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Salários, qualificação e o debate sobre remuneração

Os sindicatos afirmam que as grandes marcas que produzem em Tangerang podem cumprir as regras salariais regionais. Líderes da KASBI dizem que as fábricas de calçados de marca têm condições financeiras de atender aos padrões locais. Eles argumentam que culpar os salários desvia a atenção de falhas de qualidade evitáveis e do planejamento deficiente. Já os empregadores, representados na região pela Associação de Empregadores da Indonésia, afirmam que a estrutura de custos se tornou desfavorável às fábricas de Tangerang. Eles apontam uma combinação de salários mínimos mais altos, taxas e cobranças adicionais incertas e pressão social para priorizar a contratação de moradores locais, mesmo quando os candidatos não têm as habilidades exigidas pelas fábricas modernas.

As empresas dizem que o resultado é uma lacuna de qualificação que prejudica a produtividade e a qualidade. Líderes da associação de empregadores em Tangerang começaram a coordenar com autoridades locais programas de treinamento para moradores desempregados, com o objetivo de alinhar as qualificações às necessidades do setor. A meta é reduzir o tempo e os gastos que as fábricas dedicam ao treinamento de novos contratados, elevar o índice de aprovação na primeira inspeção nas linhas e manter as taxas de defeitos baixas o suficiente para passar pelas inspeções de exportação.

Pressão por transferência e a opção de Java Central

Quando os custos de mão de obra e despesas gerais superam os ganhos de produtividade, as empresas costumam buscar regiões com despesas menores. Por isso, uma possível transferência para Pekalongan, em Java Central, está em discussão. Java Central oferece salários mínimos legais mais baixos e terrenos mais baratos, embora a logística possa ser mais complexa. Grupos empresariais de Tangerang pedem aos líderes locais que melhorem o ambiente de negócios para que a Victory Chingluh mantenha ao menos parte das operações em Banten, mesmo que amplie suas atividades em outras regiões. A mensagem da associação às autoridades é direta: mantenham a fábrica viável ou corram o risco de uma perda ainda maior de empregos locais.

Decisões de transferência raramente são simples. As empresas precisam avaliar a proximidade dos fornecedores, a disponibilidade de mão de obra qualificada, o transporte, os prazos de processamento das exportações e as relações com a comunidade. Se os problemas de qualidade estiverem concentrados em uma unidade, os executivos podem decidir reestruturar as linhas dali e proteger a produção na fábrica mais estável. Essa parece ser a abordagem adotada agora, com a administração ressaltando que outra fábrica do grupo ainda atende aos requisitos das marcas.

Dificuldades da Nike repercutem entre fornecedores

O ecossistema da Nike está sob pressão. A empresa definiu um plano para cortar cerca de US$ 2 bilhões em despesas ao longo de três anos, simplificar a variedade de produtos e acelerar a automação para sustentar a rentabilidade. Ao mesmo tempo, a demanda dos consumidores por produtos não essenciais esfriou em vários mercados importantes. Erros de gestão de estoques em temporadas anteriores deixaram mais produtos em promoção no mercado, e a concorrência se intensificou à medida que marcas rivais conquistaram participação nas categorias de corrida e estilo de vida.

Essas mudanças chegam rapidamente ao chão de fábrica. Uma linha de produtos mais enxuta pode significar menos pedidos de compra para determinados modelos, menos variações de tamanho ou aprovações mais tardias de componentes enquanto os designs mudam. Aprovações urgentes e calendários apertados elevam os riscos de qualidade, sobretudo se o treinamento e a equipe não acompanharem o ritmo. Os fornecedores também podem enfrentar novas pressões de custo quando os compradores renegociam preços unitários para baixo ou pedem prazos de entrega mais curtos. As falhas de qualidade se tornam mais prováveis se as fábricas não ampliarem a supervisão e a capacidade de inspeção na mesma proporção.

A política comercial acrescentou incertezas. Tarifas e mudanças nas regras de importação podem levar marcas globais a refazer seus mapas de fornecimento, redistribuir volumes entre Vietnã, Indonésia e China ou buscar capacidade em novos locais. Fornecedores que dependem do auge de um ciclo específico de produtos ou de uma determinada região podem de repente receber parcelas menores dos pedidos quando as estratégias mudam. Quando essas parcelas diminuem, cresce o incentivo para cortar custos e diminui a margem para erros de qualidade.

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Resposta do governo e proteção aos trabalhadores

O Ministério do Trabalho da Indonésia está reunindo informações sobre as demissões, enquanto os escritórios locais de trabalho em Tangerang mantiveram contato com representantes da empresa e dos sindicatos. As autoridades monitoram se as fábricas cumprem a legislação sobre indenizações, prazos de aviso e contribuições para a seguridade social. Com a Lei de Criação de Empregos, as fórmulas de indenização mudaram, e muitos empregadores agora estruturam os pacotes de desligamento combinando indenização, pagamento por tempo de serviço e compensação por direitos não usufruídos pelos funcionários. Programas voluntários podem superar os mínimos legais quando há acordo entre as partes, sobretudo em casos de grande visibilidade envolvendo marcas globais.

As autoridades também estudaram formas de apoio financeiro para manter as fábricas estáveis durante períodos de queda na demanda. Foi anunciado um programa de crédito de cerca de US$ 1,3 bilhão para ajudar setores intensivos em mão de obra, como calçados, têxteis, móveis e processamento de alimentos. A meta é cobrir lacunas de fluxo de caixa para que fábricas viáveis mantenham as linhas ativas, comprem materiais e evitem fechamentos inesperados durante trimestres fracos.

Apesar dos cortes recentes de empregos, a Indonésia continua sendo um importante polo da fabricação global de artigos esportivos. Autoridades do governo destacam que os indonésios representam uma grande parcela dos trabalhadores de fornecedores da Nike e da Adidas em todo o mundo e que o país continua atraindo novas instalações de investidores estrangeiros. Essa combinação de escala, experiência e redes de fornecedores em expansão é uma vantagem competitiva, desde que as fábricas mantenham a qualidade e cumpram as metas de entrega sem enfraquecer as proteções aos trabalhadores.

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O que isso significa para o polo calçadista de Tangerang

Cada rodada de demissões repercute nas comunidades. Motoristas de transporte, barracas de comida, pensões, fornecedores de materiais e pequenas oficinas de reparos dependem de uma folha de pagamento estável nas fábricas. Quando um grande produtor reduz turnos ou o número de funcionários, os municípios próximos sentem o impacto. O revés se soma a uma desaceleração mais ampla da indústria, que provocou milhares de demissões nos setores têxtil e de outros bens de consumo no último ano.

A Adis Dimension Footwear, outra grande parceira da Nike em Tangerang, eliminou cerca de 1.500 empregos no ano passado como parte de um esforço para reduzir custos. Autoridades locais afirmam que o setor calçadista mais amplo de Banten enfrentou pedidos fracos, logística cara e uma enxurrada de produtos importados. Essa combinação reduz a margem para erros de qualidade. As fábricas que mantêm baixas as taxas de defeitos e passam pelas auditorias de forma consistente são as que têm mais chances de proteger empregos em períodos difíceis.

Para a região continuar atraente, as partes interessadas apontam três medidas. Primeiro, aprimorar as qualificações com treinamentos curtos e práticos, vinculados às linhas de produção. Segundo, reduzir os custos não salariais das fábricas que cumprem as regras, das licenças aos gargalos logísticos. Terceiro, reforçar a fiscalização contra importações ilegais que prejudicam os produtores nacionais. Avanços nessas frentes podem dar às empresas menos motivos para se transferir e mais razões para investir em sistemas de qualidade melhores onde já operam.

Perspectivas para o curto prazo

As próximas semanas serão decisivas para os trabalhadores da unidade da Victory Chingluh em Pasar Kemis. Notícias indicam um plano para outra rodada de demissões que afetaria 2.804 trabalhadores. Líderes sindicais afirmam que continuarão defendendo desligamentos voluntários com indenizações ampliadas e informações claras sobre as linhas em risco. Também alertam a administração para que não use a situação em Pasar Kemis para pressionar os trabalhadores de outras unidades. Por enquanto, a produção na fábrica do grupo em Cikupa é descrita como estável, o que pode ajudar a empresa a atender aos pedidos em andamento enquanto corrige os problemas de qualidade na unidade afetada.

Estabilizar a qualidade normalmente exige voltar ao básico. Isso inclui acrescentar inspetores às linhas, auditar cada etapa do processo para identificar gargalos e variações, equilibrar as linhas para reduzir o retrabalho, atualizar o treinamento em operações críticas, como a colagem da parte superior do calçado, e reforçar as inspeções de entrada dos materiais. As marcas costumam enviar equipes técnicas para apoiar essa retomada, que também protege seus cronogramas de entrega. Quanto mais rápido essas medidas forem implementadas, maiores serão as chances de estabilizar o volume de pedidos e evitar outro corte drástico de empregos.

Para os trabalhadores que já perderam o emprego, as prioridades são receber as indenizações, encontrar novas vagas e adquirir habilidades que possam ser aproveitadas rapidamente. Os empregadores discutiram a ampliação dos treinamentos com os governos locais. Os sindicatos estão preparando apoio jurídico e extrajurídico para garantir que os trabalhadores recebam o que lhes é devido. Se o programa de crédito do governo chegar às fábricas que ainda são viáveis, poderá reduzir a tentação de cortar postos de trabalho quando tudo o que é necessário é tempo para liberar os estoques devolvidos, retreinar as equipes e passar pela próxima rodada de auditorias.

Pontos principais

  • A PT Victory Chingluh Indonesia, fornecedora da Nike em Tangerang, demitiu cerca de 1.800 trabalhadores depois que embarques de exportação foram reprovados nas inspeções de qualidade.
  • Líderes sindicais dizem que as demissões foram provocadas por falhas de controle de qualidade e da gestão, e não pelos salários.
  • Grupos empresariais apontam salários regionais altos, taxas pouco claras e escassez de trabalhadores qualificados como grandes desafios em Tangerang.
  • Cerca de 3.000 postos foram inicialmente indicados para redução, e centenas de casos ainda estão em análise.
  • Notícias indicam que uma segunda rodada pode eliminar mais 2.804 empregos na fábrica de Pasar Kemis, enquanto uma unidade do mesmo grupo em Cikupa continua operando.
  • Os sindicatos defendem desligamentos voluntários com todos os direitos previstos em lei e indenizações ampliadas.
  • Os cortes de custos da Nike, a demanda global mais fraca e as mudanças nas estratégias de produtos reduziram os pedidos aos fornecedores.
  • Autoridades do governo estão monitorando o cumprimento das regras e promoveram um programa de crédito de US$ 1,3 bilhão para setores intensivos em mão de obra.
  • A Indonésia continua sendo uma base central da fabricação global de artigos esportivos, e os indonésios representam uma grande parcela da força de trabalho das fábricas que atendem Nike e Adidas.
  • Partes interessadas locais defendem melhores treinamentos, redução dos custos não salariais e fiscalização mais rigorosa contra importações ilegais para manter as fábricas competitivas.
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