Nova Zelândia reformula regras de residência para suprir falta de profissionais e conter êxodo

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Nova Zelândia reformula regras de residência para suprir falta de profissionais e conter êxodo

O que mudou e por que isso importa

A Nova Zelândia está reformulando as regras para que migrantes qualificados possam obter residência e introduzirá duas novas vias, previstas para entrar em vigor a partir de meados de 2026. A política busca ajudar empregadores a manter trabalhadores experientes que já estão no país e atrair profissionais de ofícios e áreas técnicas para vagas difíceis de preencher. A medida chega em um momento em que empresas relatam escassez persistente, a economia desacelera e mais cidadãos deixam o país do que retornam.

Conteúdo
  1. O que mudou e por que isso importa
  2. Como funcionarão as novas vias de residência
  3. Via de experiência profissional qualificada
  4. Via para ofícios e técnicos
  5. Um país perdendo pessoas e dinamismo
  6. Política de coalizão e reação das empresas
  7. A reformulação mais ampla das regras de imigração em 2025
  8. Nômades digitais e vistos de visitante em 2025
  9. Vistos gold e interesse de investidores
  10. O que isso significa para estudantes e recém-formados
  11. Prazos, limites e o que os candidatos devem preparar
  12. Principais pontos

As saídas se aceleraram. Entre julho de 2024 e julho de 2025, 73.400 cidadãos neozelandeses deixaram o país, enquanto 25.800 retornaram, segundo a Stats NZ. Empregadores afirmam estar perdendo funcionários produtivos para a emigração e dizem que as regras atuais de residência são rígidas demais para trabalhadores práticos com longos históricos de bom desempenho em empresas neozelandesas.

A ministra do Crescimento Econômico, Nicola Willis, apresentou a mudança como uma resposta à realidade enfrentada pelas empresas e uma forma de manter talentos que já contribuem para a produtividade.

Ao apresentar a ministra e sua posição, ela disse que as mudanças são motivadas pela necessidade de preencher vagas persistentes:

Nicola Willis, ministra do Crescimento Econômico: "Migrantes qualificados e experientes podem ajudar a preencher lacunas na força de trabalho."

A ministra da Imigração, Erica Stanford, afirmou que algumas ocupações estarão sujeitas a requisitos adicionais de elegibilidade para manter os fluxos em níveis administráveis e direcioná-los a áreas que exigem qualificações mais altas. As listas detalhadas de ofícios e funções técnicas serão divulgadas mais perto do início do programa.

Como funcionarão as novas vias de residência

As duas opções fazem parte do Visto de Residência da Categoria de Migrantes Qualificados (Skilled Migrant Category Resident Visa) e são voltadas a pessoas em funções qualificadas ou em ofícios especificados. Ambas buscam criar um caminho claro e previsível para a residência de trabalhadores que comprovem experiência profissional relevante de longa duração ou qualificações formais em ofícios, além de experiência prática.

Via de experiência profissional qualificada

Essa opção é voltada a pessoas em funções qualificadas correspondentes aos níveis de qualificação 1 a 3 da Classificação Padrão de Ocupações da Austrália e da Nova Zelândia (ANZSCO). Os candidatos devem comprovar pelo menos cinco anos de experiência profissional diretamente relevante, dos quais no mínimo dois na Nova Zelândia. Durante o período no país, é preciso receber ao menos 1,1 vez o salário mediano. Como o salário mediano atual é de 33,56 dólares por hora, o piso salarial vigente é de cerca de 36,90 dólares por hora. A combinação de qualificações, experiência e remuneração foi concebida para reconhecer profissionais com desempenho comprovado e já integrados a equipes locais.

Via para ofícios e técnicos

Essa opção se concentra em funções especificadas de ofícios e técnicos. Os candidatos precisarão de uma qualificação pertinente de nível 4 ou superior e de pelo menos quatro anos de experiência profissional qualificada após a conclusão do curso, incluindo no mínimo 18 meses na Nova Zelândia. Durante esse período no país, a remuneração deve ser igual ou superior ao salário mediano. O governo afirma que a lista de ofícios e funções técnicas elegíveis será publicada antes da abertura da via e sinalizou que uma nova Lista Nacional de Ocupações substituirá a ANZSCO na classificação futura, o que pode mudar a forma como as funções são agrupadas e avaliadas.

As autoridades também estão preparando ajustes para facilitar a permanência de graduados internacionais com diplomas de universidades neozelandesas, inclusive reduzindo o tempo que precisam trabalhar no país antes de solicitar residência. A intenção é alinhar as regras de educação e imigração e aumentar a retenção de graduados.

Um país perdendo pessoas e dinamismo

A mudança na política ocorre enquanto muitos neozelandeses buscam salários melhores e mercados maiores na Austrália. Dados compilados pela Stats NZ mostram uma saída expressiva ao longo do último ano. Empregadores e lideranças regionais alertam para a falta de pessoal nos setores de saúde, construção, engenharia, manufatura e tecnologia da informação. O desempenho mais fraco nos últimos trimestres evidenciou limitações de capacidade, e a dificuldade de preencher vagas prejudica investimentos e cronogramas de execução.

O ministro das Relações Exteriores e líder do New Zealand First, Winston Peters, manifestou preocupação com migrantes que obtêm residência e contribuem com suas qualificações para a economia apenas por pouco tempo antes de seguirem para a Austrália. A Stats NZ informa que, em 2024, 35% dos cidadãos neozelandeses que migraram para a Austrália nasceram no exterior, o que reflete a dimensão desse movimento migratório subsequente.

Ao apresentar o ministro e sua opinião, ele alertou que as políticas precisam levar em conta tanto as necessidades de formação no país quanto a demanda dos empregadores:

Winston Peters, ministro das Relações Exteriores e líder do New Zealand First: "A Nova Zelândia está sendo usada como trampolim para a Austrália."

Seu partido acionou a cláusula de divergência prevista no acordo de coalizão em relação à política, defendendo critérios mais direcionados e uma oferta maior de trabalhadores formados localmente. Líderes do governo responderam que as novas vias de residência se destinam a migrantes que já vivem e trabalham na Nova Zelândia e que haverá limites de elegibilidade para ocupações sensíveis.

Política de coalizão e reação das empresas

Grupos empresariais defendem há anos que as vias de residência eram restritas demais para trabalhadores qualificados de áreas vocacionais. A Associação de Empregadores e Fabricantes afirma que trabalhadores com credenciais do setor e longa experiência têm contribuído significativamente em diversos segmentos, mas enfrentavam dificuldades para obter residência. A BusinessNZ diz que vias de residência mais claras dão confiança às empresas para investir, ampliar sua capacidade e contratar mais aprendizes, pois podem contar com uma base estável de funcionários experientes para orientá-los.

Grupos do setor de infraestrutura apoiam a mudança, mas gostariam que a data de início fosse antecipada. Eles citam o risco de atrasos em projetos caso os empregadores não consigam manter funcionários-chave. O governo indicou que precisa de tempo para preparar as regras complementares e as listas de ocupações e que publicará mais detalhes antes do início do programa.

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A reformulação mais ampla das regras de imigração em 2025

As mudanças na residência previstas para 2026 vêm acompanhadas de uma ampla reformulação das regras de vistos de trabalho em 2025, sobretudo do Visto de Trabalho para Empregador Credenciado (AEWV). O AEWV é a principal via temporária de trabalho para quem tem uma oferta de emprego de um empregador credenciado. Diversas mudanças ao longo de 2025 buscam equilibrar as verificações do mercado de trabalho com um processamento mais rápido e expectativas mais claras para os empregadores.

  • Regras salariais: a partir de março de 2025, foi removida a exigência de salário mediano para funções com AEWV. Os empregadores devem oferecer a remuneração praticada no mercado para a função e a localidade. Os parâmetros de salário mediano continuam valendo em algumas modalidades de residência.
  • Requisitos de experiência: a partir de março de 2025, a experiência relevante mínima para funções que exigem menos qualificação passou de três para dois anos. A mudança acompanha um esforço mais amplo para reconhecer trajetórias profissionais práticas.
  • Estadias mais longas para funções que exigem menos qualificação: a duração do visto para novos candidatos a funções dos níveis 4 ou 5 da ANZSCO passou de dois para três anos, igualando-se ao período máximo de permanência contínua. Muitos titulares de vistos atuais de dois anos podem solicitar uma extensão de um ano.
  • Verificações do mercado de trabalho: o processo de verificação de emprego passou a adotar um modelo baseado em declaração e exige divulgação da vaga junto ao Ministério do Desenvolvimento Social. Os empregadores precisam demonstrar que consideraram candidatos neozelandeses de boa-fé.
  • Direito provisório ao trabalho: a partir de abril de 2025, pessoas que migram de outros vistos de trabalho ou de vistos de estudante elegíveis para o AEWV passaram a ter direitos provisórios de trabalho por mais tempo. Quando pertinente, esse período pode contar para vias de residência por trabalho.
  • Limites de renda familiar: o limite de renda para patrocinar um filho dependente subiu para 55.844 dólares por ano, com reajuste pela inflação. Titulares de AEWV que patrocinam um parceiro precisam receber pelo menos 26,85 dólares por hora.
  • Simplificação: a reformulação do processo de verificação de emprego e a agilização do processamento para empregadores de menor risco estão previstas para meados de 2025.
  • Trabalho sazonal: duas novas opções entram em vigor em novembro de 2025, incluindo um visto de entradas múltiplas válido por três anos para trabalhadores sazonais experientes e um visto de entrada única válido por sete meses para os demais. As vias atuais continuam disponíveis até lá.

Em conjunto, essas medidas atualizam o sistema de trabalho temporário para que as vias de residência possam priorizar funções mais qualificadas, enquanto os vistos temporários atendem à demanda diária por mão de obra com verificações e regras mais claras.

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Nômades digitais e vistos de visitante em 2025

Outra mudança entrou em vigor no início de 2025 para trabalhadores remotos. Visitantes agora podem trabalhar para empregadores ou clientes no exterior enquanto estiverem na Nova Zelândia com visto de visitante ou NZeTA, desde que não trabalhem para empregadores neozelandeses, não prestem serviços a clientes locais nem realizem atividades que exijam presença física em um local de trabalho na Nova Zelândia. Isso permite que turistas, visitantes a familiares e parceiros com vistos de visitante de maior duração continuem conectados a seus empregos no exterior durante a estadia.

Trabalhadores remotos devem considerar as regras tributárias. Em muitos casos, a renda obtida por serviços prestados na Nova Zelândia pode ser isenta de impostos no país se a pessoa permanecer por no máximo 92 dias em um período de 12 meses. Alguns países com tratados tributários permitem até 183 dias. Se alguém ultrapassar o limite aplicável, poderá haver cobrança de impostos desde o primeiro dia de permanência. As circunstâncias variam de pessoa para pessoa, por isso viajantes costumam buscar orientação profissional antes da chegada e manter registros precisos dos dias no país.

Vistos gold e interesse de investidores

O governo também flexibilizou o visto Active Investor Plus, muitas vezes chamado de visto gold, para atrair capital, conhecimento especializado e redes de contatos para setores de alto crescimento. A partir de abril de 2025, as regras reduziram de três anos para três semanas o tempo que novos investidores precisam passar na Nova Zelândia para estabelecer residência, eliminaram a exigência de inglês e reduziram alguns valores mínimos de investimento.

Duas categorias de investimento agora concentram a maioria das solicitações. A categoria de crescimento exige um investimento mínimo de cinco milhões de dólares ao longo de três anos, enquanto a categoria equilibrada exige pelo menos dez milhões de dólares em cinco anos. As autoridades relatam forte interesse desde a reformulação: o total de solicitações segundo as novas regras superou o acumulado dos dois anos e meio anteriores. Muitos candidatos vêm dos Estados Unidos, seguidos por China e Hong Kong, e os demais estão distribuídos pela Ásia e pela Europa. As primeiras transferências mostram que dezenas de milhões já foram comprometidos, e as autoridades estimam que a carteira de projetos possa representar centenas de milhões em novos investimentos, caso as aprovações avancem e os recursos sejam aplicados.

Ao apresentar a ministra e sua justificativa, Willis disse que a reformulação do visto para investidores busca atrair capital junto com conhecimento especializado e redes de contatos de alto valor:

Nicola Willis, ministra do Crescimento Econômico: "Os novos investidores não trazem apenas dinheiro para o nosso país; também trazem habilidades, conhecimento e experiência que impulsionarão o desenvolvimento econômico futuro."

Defensores argumentam que regras de residência mais flexíveis para investidores, combinadas com uma análise mais rigorosa dos investimentos e com incentivos para os setores de capital de risco, tecnologia e sustentabilidade, podem atrair capital privado durante um período de crescimento mais fraco. Críticos defendem salvaguardas e transparência para garantir que os recursos sejam destinados a atividades produtivas, e não a ativos passivos.

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O que isso significa para estudantes e recém-formados

As regras de educação e imigração estão sendo alinhadas para ajudar a manter no país estudantes internacionais que obtêm diplomas neozelandeses. A pontuação concedida por qualificações universitárias locais está aumentando na Categoria de Migrantes Qualificados, e o governo sinalizou que os graduados precisarão trabalhar por menos tempo na Nova Zelândia antes de solicitar residência. Grupos do setor veem essa medida como uma forma de preencher funções técnicas e fortalecer a formação de profissionais para pesquisa, engenharia e saúde. Universidades e empregadores pedem clareza sobre a transição dos estudos para o trabalho e, depois, para a residência, à medida que a nova lista de ocupações e os parâmetros salariais entrarem em vigor.

Prazos, limites e o que os candidatos devem preparar

Embora as listas detalhadas e as orientações finais sejam publicadas antes do início do programa, candidatos e empregadores já podem começar a preparar documentos e avaliar a elegibilidade.

  • Previsão de início: as novas vias de residência devem ser abertas a partir de meados de 2026. As autoridades divulgarão as datas confirmadas e as ocupações elegíveis antes do início.
  • Via de experiência profissional qualificada: pelo menos cinco anos de experiência diretamente relevante, incluindo dois anos na Nova Zelândia com remuneração igual ou superior a 1,1 vez o salário mediano. O salário mediano atual é de 33,56 dólares por hora, então o limite é de cerca de 36,90 dólares.
  • Via para ofícios e técnicos: qualificação pertinente de nível 4 ou superior, além de pelo menos quatro anos de experiência profissional qualificada após a conclusão do curso, incluindo 18 meses na Nova Zelândia com remuneração igual ou superior ao salário mediano. A lista de funções elegíveis será divulgada mais perto do início.
  • Classificação de ocupações: a Lista Nacional de Ocupações substituirá a ANZSCO, o que pode mudar a avaliação de determinadas funções. Os candidatos devem acompanhar as orientações sobre a correspondência entre as classificações.
  • Comprovantes salariais: guarde contracheques e contratos de trabalho que indiquem horas e remuneração, especialmente dos períodos trabalhados na Nova Zelândia vinculados aos limites salariais.
  • Comprovantes de experiência: reúna descrições detalhadas das funções, cartas de referência e provas das responsabilidades que correspondam às definições das ocupações pretendidas.
  • Graduados: quem tem diploma de universidade neozelandesa deve acompanhar as atualizações de pontuação e a redução do período de trabalho local exigido, assim que forem confirmadas.
  • Empregadores: alinhem os planos de recrutamento e retenção às novas vias de residência e preparem-se para testes do mercado de trabalho baseados em declarações e verificações de remuneração de mercado no âmbito do AEWV.
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Principais pontos

  • Duas novas vias de residência para migrantes qualificados serão abertas a partir de meados de 2026 para ajudar empregadores a manter funcionários experientes e atender à demanda por profissionais de ofícios e áreas técnicas.
  • A via de experiência profissional qualificada exige cinco anos de experiência relevante, incluindo dois na Nova Zelândia com remuneração equivalente a 1,1 vez o salário mediano.
  • A via para ofícios e técnicos exige qualificação de nível 4, quatro anos de experiência e 18 meses na Nova Zelândia com remuneração igual ou superior ao salário mediano.
  • Empresas apoiam vias de residência mais claras, enquanto o parceiro de coalizão New Zealand First acionou a cláusula de divergência e manifestou preocupação com a migração subsequente para a Austrália.
  • As mudanças no AEWV em 2025 incluem regras de remuneração de mercado, requisitos de experiência menores, vistos mais longos para funções que exigem menos qualificação, verificações simplificadas e novos direitos provisórios de trabalho.
  • Visitantes agora podem trabalhar remotamente para empregadores no exterior enquanto estiverem na Nova Zelândia, sob condições rigorosas e com possíveis implicações tributárias dependendo do número de dias no país.
  • As regras do visto gold foram flexibilizadas em 2025, provocando um aumento do interesse de investidores e as primeiras transferências de capital.
  • A pontuação por diplomas de universidades neozelandesas está aumentando, e os graduados terão de cumprir um período menor de trabalho antes de solicitar residência.
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