Doações de frutas ajudam a alimentar os animais do Zoológico Maruyama de Sapporo em meio à alta dos custos

11 min de leitura
Doações de frutas ajudam a alimentar os animais do Zoológico Maruyama de Sapporo em meio à alta dos custos

Alta dos preços aperta o orçamento dos zoológicos enquanto doações mantêm os animais alimentados

A alta dos preços das safras chegou aos zoológicos do Japão, onde os custos com alimentação estão subindo e a gestão das compras ficou mais difícil. Em Sapporo, uma solução prática já está em andamento. Desde julho, o Zoológico Maruyama de Sapporo recebe entregas regulares de bananas, maçãs, tangerinas e batatas-doces de dois parceiros: a ANA Foods, empresa de comércio de alimentos sediada em Tóquio, e a Sunoupuru Sapporo, uma distribuidora local de frutas. O programa redireciona frutas próprias para consumo, mas inadequadas para venda no varejo. A iniciativa alivia a pressão sobre o orçamento do zoológico e transforma o que poderia ser desperdício em alimento para elefantes, macacos e ursos-pardos.

Conteúdo
  1. Alta dos preços aperta o orçamento dos zoológicos enquanto doações mantêm os animais alimentados
  2. Quem faz as doações e como funciona o sistema
  3. Volumes mensais em resumo
  4. De produtos sem condições de venda a alimento para animais: menos desperdício
  5. Clima e custos: por que os preços subiram neste ano
  6. Como os animais se beneficiam e como as dietas são equilibradas
  7. Parcerias locais e um modelo circular
  8. Uma rede em expansão em Hokkaido
  9. O que pode vir a seguir
  10. Principais pontos

O momento é importante. O mau tempo deste ano provocou colheitas instáveis e preços mais altos de muitos produtos agrícolas. As frutas para consumo doméstico subiram cerca de 20% em relação aos níveis habituais, enquanto as frutas destinadas à alimentação animal tiveram alta de aproximadamente 10%. A alimentação representa pouco menos de 10% do orçamento total do Zoológico Maruyama, o que significa que aumentos bruscos de preços pressionam rapidamente as operações do dia a dia. O zoológico negociou com fornecedores e buscou opções mais baratas, mas o impacto da inflação de custos exige novas formas de apoio.

A Co op Sapporo, que já apoia o programa de ursos-polares do zoológico, ajudou a aproximar as partes. Depois que o zoológico pediu orientação, a cooperativa entrou em contato com parceiros comerciais. A ANA Foods agora fornece bananas que chegam mensalmente do Vietnã, e a Sunoupuru Sapporo fornece maçãs cultivadas na província de Aomori, tangerinas da província de Shizuoka e batatas-doces da província de Oita. Bananas são um petisco habitual para elefantes e primatas, e o zoológico consome cerca de 250 quilos por mês. Todas essas bananas agora chegam por meio do programa de doações. O zoológico também informa que cerca de dois terços das tangerinas oferecidas aos animais vêm de doações. O resultado é um fluxo constante de frutas que ajuda a manter a alimentação habitual dos animais e, ao mesmo tempo, reduz o desperdício.

Publicidade

Quem faz as doações e como funciona o sistema

A rede de doações se baseia em uma ideia simples: produtos que não atendem às regras do varejo ainda podem ser perfeitamente próprios para consumo. Durante as inspeções de importação, algumas frutas são retiradas das embalagens, o que impede que cheguem às prateleiras das lojas. Os critérios de tamanho e aparência também podem fazer com que frutas sejam devolvidas aos produtores. Em vez de descartar esses alimentos, a ANA Foods e a Sunoupuru Sapporo os reservam para o zoológico. As remessas chegam em lotes e são separadas, armazenadas, lavadas e preparadas pelos funcionários do zoológico de acordo com o plano alimentar de cada espécie.

Volumes mensais em resumo

  • Bananas: 250 quilos por mês fornecidos pela ANA Foods, cobrindo toda a necessidade do zoológico
  • Maçãs: cerca de 150 quilos por mês fornecidos pela Sunoupuru Sapporo, principalmente da província de Aomori
  • Tangerinas: cerca de 200 quilos por mês fornecidos pela Sunoupuru Sapporo, principalmente de Mikkabi, na província de Shizuoka
  • Batatas-doces: fornecidas pela Sunoupuru Sapporo, da província de Oita, em quantidades ajustadas conforme a necessidade

As frutas são destinadas principalmente a elefantes, macacos e ursos-pardos, e os tratadores ajustam as porções conforme a saúde, a idade e o nível de atividade de cada animal. Maçãs e tangerinas ajudam a diversificar a ingestão de vitaminas e fibras. Bananas fornecem energia para grandes herbívoros e primatas ativos. A equipe veterinária e os tratadores trabalham em conjunto para controlar os níveis de açúcar e as calorias.

Akio Sonoda, gerente da filial da ANA Foods em Sapporo, descreveu as frutas doadas como seguras e próprias para consumo. Ele ressaltou que elas não atendem aos padrões do varejo, mas são adequadas tanto para a alimentação animal quanto para o consumo humano.

Akio Sonoda, gerente da filial da ANA Foods em Sapporo: “São alimentos perfeitamente seguros para as pessoas consumirem; apenas não são adequados para a venda como produtos.”

Kazutoshi Ogara, presidente da Sunoupuru Sapporo, afirmou que a empresa pretende continuar abastecendo o zoológico e fazer dessa iniciativa uma contribuição duradoura para a cidade.

Kazutoshi Ogara, presidente da Sunoupuru Sapporo: “Queremos continuar apoiando o zoológico por muito tempo.”
Publicidade

De produtos sem condições de venda a alimento para animais: menos desperdício

Muitas vezes, as frutas não atendem aos padrões do varejo por motivos que pouco têm a ver com sabor ou segurança. A embalagem pode ser aberta durante uma inspeção, ou uma fruta pode ser menor ou maior do que as especificações das lojas. Critérios estéticos, como cor uniforme ou pequenas manchas, também levam à devolução de produtos. Nos últimos anos, o Japão tem feito esforços constantes para reduzir o desperdício de alimentos, e o aproveitamento de produtos seguros fora dos padrões comerciais está alinhado ao conceito amplamente difundido de mottainai, a ideia de que se deve evitar o desperdício em respeito aos recursos.

Neste caso, frutas que seriam descartadas são destinadas a animais que se beneficiam de uma alimentação variada. As doações reduzem os custos de descarte das empresas e as despesas do zoológico com alimentação. Também ajudam a manter o abastecimento mais estável em um momento de volatilidade dos preços de mercado. No zoológico, a rotina inclui lavar e aparar as frutas, verificar o ponto de maturação e as condições de cada uma e incorporá-las aos cardápios específicos de cada espécie. Os tratadores acompanham a resposta dos animais e ajustam as porções para manter a saúde e a condição corporal.

Publicidade

Clima e custos: por que os preços subiram neste ano

O cenário atual de preços está ligado às condições climáticas. A instabilidade deste ano, incluindo chuvas fortes e ondas de calor em várias regiões, prejudicou a produtividade e a qualidade das safras. Quando as lavouras sofrem com o clima, diminui a parcela da produção que atende aos padrões do varejo e a oferta fica mais restrita. Os preços de produtos importados também podem oscilar quando o frete encarece ou há variações cambiais, o que afeta frutas como as bananas vindas do Sudeste Asiático. Quando a oferta fica apertada, os zoológicos, que planejam com bastante antecedência, enfrentam despesas mais altas e menos previsíveis.

A alimentação é essencial para o bem-estar dos animais e representa pouco menos de um décimo do orçamento do Zoológico Maruyama. Essa parcela pode parecer pequena, mas aumentos repentinos nos preços de frutas, verduras e outros alimentos podem afetar as operações diárias. Os tratadores não podem reduzir as calorias dos elefantes ou dos ursos, e os planos nutricionais precisam ser seguidos com regularidade. O desafio é equilibrar as necessidades nutricionais com um orçamento que também cobre cuidados, materiais veterinários, serviços públicos e manutenção das instalações.

A diretora do Zoológico Maruyama, Aya Shirouzu, ressaltou que não é possível reduzir a quantidade de alimento e agradeceu aos parceiros por ajudarem a manter o abastecimento dos animais.

Aya Shirouzu, diretora do Zoológico Maruyama de Sapporo: “Por mais que os preços subam, não podemos reduzir a quantidade de alimento. Os animais comem bastante, então esse apoio é de grande ajuda.”

Em 4 de setembro, o prefeito de Sapporo, Katsuhiro Akimoto, entregou certificados de agradecimento aos parceiros envolvidos no programa de doações. Ele também destacou o papel do zoológico na educação do público sobre as mudanças ambientais e o cotidiano.

Katsuhiro Akimoto, prefeito de Sapporo: “Essa ajuda é enorme. O zoológico também pode ser um lugar para aprender sobre os efeitos das mudanças climáticas. Espero que muitos cidadãos conheçam essa iniciativa.”
Publicidade

Como os animais se beneficiam e como as dietas são equilibradas

Elefantes e macacos adoram bananas, que fornecem energia rápida. Maçãs e tangerinas acrescentam vitamina C e fibras, e a variedade estimula o apetite e oferece enriquecimento ambiental. Ursos-pardos, que se alimentam de maneira oportunista, gostam de frutas da estação como parte de uma dieta mais ampla, que inclui outros alimentos adequados à espécie. Às vezes, os tratadores usam pedaços de fruta como recompensa durante sessões de treinamento que facilitam os cuidados com a colaboração dos animais, como apresentar uma pata ou abrir a boca para uma inspeção.

Dietas equilibradas continuam sendo a base do programa. Os nutricionistas do zoológico definem a quantidade de frutas adequada ao plano alimentar de cada animal com base em seu peso, nível de atividade e necessidades de saúde. Os produtos doados são lavados, cortados e pesados antes de serem oferecidos. Se um lote estiver muito maduro, as frutas podem ser oferecidas mais rapidamente ou congeladas para uso por um curto período. Se o teor de açúcar for alto demais para determinado animal, os tratadores reduzem as porções ou compensam com alimentos menos calóricos. O programa de doações oferece variedade e regularidade ao mesmo tempo, o que ajuda a manter a rotina de espécies mais sensíveis.

Parcerias locais e um modelo circular

A atuação da Co op Sapporo mostra como os vínculos já existentes na comunidade podem fortalecer o cuidado com os animais. A cooperativa já apoia o programa de ursos-polares do zoológico, e sua articulação ajudou a criar essa rede de doação de frutas. As empresas parceiras recebem reconhecimento por reduzir o desperdício e prestar serviços à comunidade, o zoológico garante um abastecimento confiável e a cidade ganha um exemplo de sustentabilidade prática e fácil de compreender.

Outros participantes em Hokkaido vêm testando iniciativas relacionadas. A Nomura Farm Hokkaido, administrada pela Nomura Holdings, doou batatas-doces fora dos padrões comerciais ao zoológico e depois usou nas lavouras composto produzido com esterco do zoológico. Essa abordagem circular, em que o excedente agrícola vira alimento e os resíduos dos animais retornam à terra como fertilizante, reduz o desperdício e melhora o solo. Também permite que estudantes e visitantes acompanhem uma história completa, da fazenda ao cuidado dos animais e novamente à agricultura.

Uma rede em expansão em Hokkaido

Uma rede mais ampla poderia gerar resultados ainda mais consistentes. Quando agricultores locais, atacadistas, processadores de alimentos e empresas de logística se coordenam, a região pode direcionar excedentes de produção às necessidades nutricionais dos animais ao longo das estações. As empresas gastam menos com descarte, e os zoológicos têm acesso a uma variedade maior de produtos para equilibrar as dietas. Professores e famílias podem ver a sustentabilidade em prática, tornando concreto o aprendizado em sala de aula.

Publicidade

O que pode vir a seguir

Os parceiros responsáveis pelas doações atuais afirmam que querem dar continuidade à iniciativa, e a cidade destacou o valor do trabalho. Ampliar o modelo para incluir verduras e outros produtos que ocasionalmente não atendem aos padrões do varejo ajudaria a estabilizar ainda mais o abastecimento. Qualquer expansão dependerá de uma logística confiável, protocolos claros de segurança alimentar e comunicação constante entre tratadores e doadores. Com esses elementos em vigor, programas semelhantes poderiam apoiar o cuidado com os animais em outras cidades onde as variações do clima e do mercado dificultam o planejamento.

Para os moradores de Sapporo, o programa é uma demonstração concreta de que a cooperação comunitária funciona. Os visitantes veem animais saudáveis e aprendem como pequenas mudanças, como aproveitar alimentos próprios para consumo que seriam jogados fora, podem beneficiar a sociedade. As frutas que não se encaixam na apresentação de uma loja estão fazendo diferença visível nos recintos, e o reconhecimento da prefeitura sinaliza amplo apoio à continuidade da iniciativa.

Principais pontos

  • O Zoológico Maruyama de Sapporo recebe doações mensais de frutas da ANA Foods e da Sunoupuru Sapporo para compensar a alta dos custos com alimentação
  • Todas as bananas oferecidas no zoológico, cerca de 250 quilos por mês, agora vêm de doações, assim como aproximadamente dois terços das tangerinas
  • O mau tempo provocou colheitas instáveis e preços mais altos: as frutas para consumo doméstico subiram cerca de 20%, e as destinadas à alimentação animal, aproximadamente 10%
  • Os custos com alimentação representam pouco menos de 10% do orçamento do zoológico, por isso a alta dos preços pressiona as operações
  • A Co op Sapporo aproximou o zoológico de parceiros comerciais para redirecionar frutas seguras, mas fora dos padrões comerciais, que não podem ser vendidas no varejo
  • Representantes das empresas afirmam que os produtos são seguros para consumo e pretendem continuar apoiando o zoológico
  • O prefeito de Sapporo entregou certificados de agradecimento em 4 de setembro e afirmou que o zoológico pode ajudar os cidadãos a aprender sobre as mudanças climáticas
  • Outras iniciativas regionais, como o modelo circular que conecta doações de fazendas ao composto do zoológico, apontam para benefícios mais amplos para a comunidade
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar