Votação de dezembro é suspensa após entidades do futebol exigirem mudanças
A Associação Coreana de Futebol (KFA) suspendeu os preparativos para uma eleição presidencial prevista para 18 de dezembro de 2026, depois que a FIFA e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) contestaram uma proposta para ampliar o eleitorado de 192 para mais de 20 mil pessoas e introduzir a votação eletrônica.
Conteúdo
- Votação de dezembro é suspensa após entidades do futebol exigirem mudanças
- Reforma ampliaria o eleitorado
- O que a carta conjunta pediu à KFA
- Por que a FIFA prefere representantes eleitos
- Por que a votação por celular gerou preocupação
- Participação do governo acrescenta disputa sobre independência
- Como o cronograma eleitoral desmoronou
- O que as sanções podem significar para o futebol coreano
- Prazo de março pressiona reformulação
- Principais pontos
A KFA informou que recebeu uma carta conjunta em 7 de novembro e cancelou a reunião do conselho e a assembleia geral extraordinária previstas para 9 de novembro. Esses encontros eram necessários para aprovar mudanças nas regras de governança da associação antes da realização da eleição. Também foram mencionadas uma carta de 7 de outubro e reuniões em 9 de outubro, mas a cronologia de novembro da KFA é compatível com sua tentativa de alterar as regras em 4 de novembro.
A intervenção deixa a associação diante de um período mais longo sem uma liderança permanente, após a saída de Chung Mong-gyu em julho, depois de 13 anos como presidente. Ele havia anunciado a intenção de renunciar em maio. Pelas regras domésticas atuais, a KFA precisa eleger seu sucessor até março de 2027.
A FIFA e a AFC querem que a associação reavalie tanto o cronograma quanto a estrutura eleitoral proposta. As objeções dizem respeito a quem tem autoridade para eleger o presidente, à possibilidade de manter o sigilo do voto eletrônico e à questão de saber se as reformas recomendadas por um comitê liderado pelo governo preservam a independência da KFA.
O cronograma de dezembro foi, na prática, abandonado, e a KFA se prepara para revisar suas propostas e repetir os procedimentos de aprovação necessários. Nenhuma nova data para a eleição foi anunciada.
Reforma ampliaria o eleitorado
A KFA havia aceitado recomendações do Comitê de Inovação do Futebol Coreano para dar a jogadores, treinadores, árbitros e outros participantes do futebol um papel muito maior na escolha do presidente. A eleição anterior teve 192 eleitores. Ampliar esse número para 20 mil faria o eleitorado ficar cerca de 104 vezes maior.
O comitê, criado em julho sob a tutela do Ministério da Cultura, dos Esportes e do Turismo, propôs avaliar a adoção da votação eletrônica e pela internet para viabilizar essa ampliação. O objetivo declarado era ir além de uma eleição decidida por um pequeno grupo de representantes do futebol e ampliar a participação em todo o esporte.
Park Ji-sung, ex-capitão da seleção masculina da Coreia do Sul e um dos copresidentes do comitê de inovação, descreveu o cronograma acordado com a KFA quando o plano de ampliação foi anunciado:
"Os preparativos vão levar tempo, mas chegamos a um consenso com a KFA de que uma eleição transparente deve ocorrer antes do fim do ano", disse Park.
Agora, a FIFA e a AFC pediram que a associação busque uma representação mais ampla por meio de outra estrutura: uma assembleia composta por representantes devidamente eleitos dos diferentes grupos do futebol. Portanto, a controvérsia vai além do número de eleitores e envolve também a forma como eles obtêm autoridade.
O que a carta conjunta pediu à KFA
A carta, intitulada Situação da Associação Coreana de Futebol, trazia os selos oficiais de Elkhan Mammadov, diretor de associações-membro da FIFA, e Vahid Kardani, vice-secretário-geral da AFC. O documento foi enviado após uma análise dos materiais apresentados pela KFA.
Os documentos incluíam atas das reuniões do comitê de inovação, regulamentos do Comitê Olímpico e Esportivo da Coreia, uma minuta do estatuto da KFA e uma minuta das regras da eleição presidencial. Estatutos são as regras fundamentais de governança de uma organização, incluindo a forma como seus dirigentes são escolhidos e as decisões são tomadas.
A FIFA e a AFC afirmaram que os arranjos eleitorais propostos não estavam de acordo com seus estatutos. Também apresentaram uma agenda de reformas mais ampla: representação mais forte, estrutura eleitoral aprimorada, maior independência dos órgãos judiciais da KFA, novos comitês, salvaguardas contra conflitos de interesse e mais transparência.
Os órgãos judiciais da KFA cuidam de questões disciplinares e outras disputas internas. Proteger sua independência é importante porque as pessoas que decidem esses casos precisam ter liberdade para aplicar as regras sem pressão dos dirigentes da associação ou de outros interessados no resultado.
A carta pediu à KFA que adotasse as regras revisadas e as colocasse em vigor antes de iniciar novos procedimentos eleitorais. Também exigiu atualizações contínuas sobre as medidas relacionadas à alteração do regulamento da eleição presidencial.
Por que a FIFA prefere representantes eleitos
A FIFA e a AFC citaram o artigo 15(j) do Estatuto da FIFA, que exige que os órgãos legislativos sejam constituídos de acordo com os princípios da democracia representativa. Nesse modelo, grupos do futebol escolhem representantes que participam da assembleia geral da associação.
A carta conjunta explicou a preferência das duas entidades:
De acordo com esse princípio, a FIFA e a AFC geralmente preferem uma assembleia geral composta por representantes devidamente eleitos dos grupos envolvidos no futebol, em vez de um sistema com participação direta de um número muito grande de eleitores individuais.
Uma assembleia representativa garante que diferentes setores do futebol tenham um lugar definido na tomada de decisões. Jogadores, treinadores, árbitros e outros grupos podem ter voz por meio de representantes escolhidos para falar em seu nome, com regras que determinam como esses representantes são eleitos e cobrados.
A ampliação proposta pela KFA exigiria respostas claras sobre os critérios para os novos eleitores, a representação dos diferentes grupos e a relação entre o eleitorado ampliado e a assembleia geral. A FIFA e a AFC afirmaram que o modelo que preferem promove representação equilibrada, decisões eficazes, estabilidade institucional e prestação de contas.
Por que a votação por celular gerou preocupação
A FIFA e a AFC também contestaram a proposta de permitir que mais de 20 mil eleitores participassem por meio de votação eletrônica em larga escala. A carta apontou especificamente a preocupação com o sigilo do voto.
O voto secreto permite que o eleitor escolha sem que outra pessoa observe ou exija saber em quem ele votou. Na votação pela internet ou por celular, os organizadores precisam lidar com a possibilidade de alguém ficar ao lado do eleitor, pressioná-lo ou pedir provas da escolha feita.
A segurança e a confiança na apuração também são questões práticas importantes. Um sistema de votação precisa verificar se cada pessoa habilitada vota apenas conforme as regras, manter em sigilo as escolhas individuais e produzir um resultado em que os participantes possam confiar. Esses requisitos se tornam centrais quando o eleitorado proposto passa de menos de 200 pessoas para mais de 20 mil.
A carta apontou preocupações substanciais com a governança e a justiça eleitoral do sistema proposto. Agora, a KFA precisa lidar com essas questões, além de decidir quem deve ter direito a voto e como esse direito deve ser exercido.
Participação do governo acrescenta disputa sobre independência
O papel do comitê de inovação colocou outro conjunto de regras em evidência. Os artigos 14 e 19 do Estatuto da FIFA exigem que as associações-membro administrem seus assuntos de forma independente e sem influência indevida de terceiros. Os governos estão entre as entidades externas abrangidas por esse princípio.
O Ministério da Cultura, dos Esportes e do Turismo e o comitê de inovação sustentam que suas recomendações para melhorar a eleição não violam esses requisitos de independência. A FIFA e a AFC solicitaram documentos para avaliar o processo de reforma e a relação entre o comitê e a KFA.
As regras da AFC também tratam da eleição do órgão executivo de uma associação por sua assembleia geral e da proteção da independência das associações. Em conjunto, essas disposições fazem com que o processo de adoção das reformas seja tão importante quanto o objetivo declarado delas.
A KFA opera dentro do sistema de supervisão doméstico da Coreia do Sul e, ao mesmo tempo, integra organizações internacionais de futebol cujas regras regem a filiação e a participação. Os próximos passos terão de atender à agenda de reformas do ministério e às exigências da FIFA e da AFC.
Como o cronograma eleitoral desmoronou
O cancelamento das reuniões de novembro veio após meses de discussões e pedidos de informações. O comitê de inovação realizou seis reuniões sobre a reforma eleitoral, incluindo a composição do eleitorado e as regras esportivas pertinentes. A sétima reunião foi uma sessão de escuta voltada ao desenvolvimento de jovens jogadores.
As principais etapas da disputa eleitoral foram:
- Maio de 2026: Chung Mong-gyu anunciou a intenção de renunciar à presidência da KFA.
- Julho: Chung deixou o cargo, e o comitê de inovação liderado pelo governo iniciou seus trabalhos.
- Agosto: a FIFA solicitou informações sobre as atividades do comitê.
- 30 de setembro: FIFA, AFC e KFA realizaram uma reunião por videoconferência sobre as recomendações do comitê.
- 6 de outubro: FIFA e AFC solicitaram documentos adicionais e pediram à KFA que não tomasse novas decisões sobre reformas enquanto a análise estivesse em andamento.
- 4 de novembro: uma tentativa planejada de alterar as regras da KFA foi adiada devido a divergências internas.
- 7 de novembro: a KFA informou que recebeu a carta conjunta contestando os arranjos propostos.
- 9 de novembro: a reunião do conselho e a assembleia geral extraordinária, remarcadas para essa data, foram canceladas.
- 18 de dezembro: a data prevista para a eleição presidencial tornou-se inviável com a suspensão do cronograma.
A FIFA também planejava visitar a Coreia do Sul para analisar a situação, mas a visita foi adiada. Entre os materiais solicitados estavam atas do comitê, comunicações trocadas com a KFA, regras eleitorais propostas e regulamentos do Comitê Olímpico e Esportivo da Coreia.
O que as sanções podem significar para o futebol coreano
A FIFA e a AFC alertaram que uma ação unilateral da KFA poderia levar as entidades a encaminhar o caso a seus órgãos decisórios e considerar possíveis medidas. A associação respondeu suspendendo os preparativos para a eleição e analisando as objeções.
As regras da FIFA permitem sanções por interferência externa indevida, incluindo a suspensão de uma associação-membro. Também tratam do reconhecimento de órgãos executivos eleitos por meio de procedimentos que não atendam aos requisitos de independência.
Uma suspensão poderia afetar seleções e clubes profissionais que buscam disputar competições internacionais. Outras possíveis restrições incluem limites ao contato com outras associações-membro e a perda de acesso a programas de desenvolvimento, formação e financiamento.
Por isso, jogadores, clubes e organizações de futebol de base têm interesse direto na resolução da disputa. A tarefa imediata da KFA é elaborar um processo eleitoral compatível com as regras vigentes e restabelecer uma presidência permanente.
Prazo de março pressiona reformulação
A KFA planeja analisar a carta conjunta, discutir internamente os rumos da reforma e consultar o Ministério da Cultura, dos Esportes e do Turismo. Depois, terá de preparar uma versão revisada do estatuto e das regras eleitorais, obter as aprovações necessárias do conselho e da assembleia geral e organizar a votação.
Março de 2027 é o prazo previsto pelas regras atuais. O Comitê Olímpico e Esportivo da Coreia alterou seus regulamentos em julho para permitir que as associações esportivas filiadas tenham até oito meses para realizar uma eleição presidencial, dando mais tempo à KFA após a saída de Chung em julho.
O prazo adicional não elimina a necessidade de tomar várias decisões interligadas. A associação precisa definir a composição do órgão eleitoral, sua relação com a assembleia geral, o método de votação e as salvaguardas para proteger a independência e o sigilo do voto.
A KFA afirmou que discutirá mudanças alinhadas às recomendações da FIFA e tentará realizar a eleição o mais rápido possível. Uma revisão viável precisará incorporar o objetivo do comitê de ampliar a participação a regras aceitas pela FIFA e pela AFC, antes que candidatos e eleitores recebam um novo cronograma.
Principais pontos
- A KFA suspendeu os preparativos para a eleição presidencial prevista para 18 de dezembro de 2026, após objeções da FIFA e da AFC.
- A proposta de reforma ampliaria o eleitorado de 192 para mais de 20 mil pessoas e introduziria a votação eletrônica.
- As entidades apontaram preocupações com o sigilo do voto, a democracia representativa e a independência da associação.
- A FIFA e a AFC preferem uma assembleia geral composta por representantes devidamente eleitos dos diferentes grupos do futebol.
- A KFA precisa revisar e aprovar suas regras antes de retomar o processo eleitoral.
- As regras atuais exigem que um novo presidente seja eleito até março de 2027; nenhuma nova data para a votação foi anunciada.






