Música feita por IA chega ao 2º lugar na Coreia do Sul e levanta dúvidas sobre royalties para criadores humanos

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AI Song Reaches No. 2 in South Korea as Human Creators Face Royalty Questions

Um sucesso nas paradas com letras humanas e voz artificial

A ascensão de Meomuru ao 2º lugar no Melon Top 100, da Coreia do Sul, colocou uma música sem cantor humano no centro de um debate sobre criatividade, remuneração e transparência. A posição nas paradas foi registrada em 31 de outubro de 2026. Por trás do projeto pouco conhecido estão dois produtores musicais experientes, enquanto a melodia, o arranjo e os vocais foram criados pela plataforma de inteligência artificial Suno.

Conteúdo
  1. Um sucesso nas paradas com letras humanas e voz artificial
  2. Quem fez a música?
  3. Por que os royalties continuam indefinidos
  4. As datas por trás do debate
  5. Oportunidade e familiaridade na percepção dos ouvintes
  6. Artistas virtuais assumem diferentes formas
  7. Um paralelo nos Estados Unidos e a disputa pelos meios de subsistência
  8. A disputa legal remonta ao treinamento
  9. Principais pontos

A faixa, conhecida em inglês tanto como The Adult I Dreamed Of quanto como Have You Become the Adult You Dreamed Of?, foi criada pela Glorywave, dupla de composição e produção formada por Lee Yong-seok e Choi Sung-hyuk. Eles desenvolveram o conceito, escreveram a letra e finalizaram a gravação depois que a Suno gerou boa parte do que os ouvintes escutam.

A Glorywave afirma que não registrou a música na Korea Music Copyright Association, conhecida como KOMCA, e não está recebendo os royalties habituais de composição ou arranjo. Assim, uma gravação de sucesso chegou aos ouvintes enquanto seus criadores permanecem fora dos meios tradicionais de receber pagamentos pela composição musical.

Parlamentares sul-coreanos estão analisando se a Lei Básica de IA deve ser ampliada, em meio a pedidos para que músicas geradas por IA recebam identificação obrigatória. O debate vai além de saber se os ouvintes gostam da música. Envolve como reconhecer as contribuições humanas, o que deve ser informado ao público e quais obras podem ter ajudado a treinar o software.

Quem fez a música?

Lee e Choi trabalham com artistas sul-coreanos há mais de uma década. A participação deles em Meomuru começou antes de o software produzir qualquer som: eles escolheram o conceito e escreveram a letra. Em seguida, a Suno gerou a melodia, o arranjo musical e a faixa vocal. A dupla editou, mixou e masterizou o resultado.

A mixagem equilibra os sons gravados para que funcionem juntos. A masterização prepara a gravação final para o lançamento, incluindo o volume e o equilíbrio tonal. Essas etapas finais deram à Glorywave controle sobre a faixa lançada, embora nenhum ser humano tenha interpretado os vocais principais.

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O processo de produção de Meomuru reúne vários tipos de trabalho criativo em uma única gravação. A letra foi escrita por pessoas, o material musical e vocal veio do software, e as decisões finais de produção foram tomadas por pessoas. Os sistemas de direitos autorais e royalties agora precisam tratar essas contribuições separadamente, em vez de se basearem na imagem tradicional de um compositor entregando uma música a um cantor.

O crítico musical Kim Sung-hwan dá especial importância à origem da intenção criativa. Ele descreveu o conceito inicial como central para entender a autoria:

O mais importante é a ideia original por trás de uma música gerada por IA", disse Kim. "O que importa é saber se essa ideia inicial - o conceito que levou à criação da música - veio de um ser humano.

Por que os royalties continuam indefinidos

A Lei de Direitos Autorais da Coreia do Sul exige contribuição criativa humana para que uma obra possa receber proteção. A questão difícil em uma produção como Meomuru é como aplicar essa proteção quando pessoas escrevem a letra e orientam o processo, mas o software gera a melodia, o arranjo e a voz.

Os direitos autorais concedem aos criadores direitos legais sobre o uso de suas obras. Os royalties de composição e arranjo são pagamentos associados a essas contribuições criativas. A declaração da Glorywave diz respeito a esses royalties habituais; os detalhes financeiros de outros usos da gravação não foram divulgados.

Em agosto, a KOMCA tentou estabelecer limites ao introduzir critérios que permitiam registrar músicas feitas com auxílio de IA quando um criador humano tivesse participação substancial e de liderança. A entidade retirou esses critérios apenas 22 dias depois, após objeções da comunidade criativa e diante da falta de orientação legislativa clara.

A retirada deixou um problema prático para os criadores que usam essa tecnologia. A exigência de criatividade humana precisa de um método viável para avaliar contribuições como escrever letras, orientar a geração e selecionar ou editar o resultado. O sucesso de Meomuru levou essa questão ainda sem resposta ao mercado musical mainstream do país.

As datas por trás do debate

A experiência da Coreia do Sul com artistas digitais remonta a 1998, mas a controvérsia mais recente diz respeito a softwares que geram o próprio material musical. A sequência mostra como uma antiga experiência com estrelas virtuais se transformou em uma disputa sobre autoria e remuneração.

  • 1998: O grupo virtual Adam estreou e vendeu cerca de 200 mil álbuns, mas desapareceu das paradas em menos de um ano.
  • Agosto: A KOMCA introduziu critérios para registrar músicas feitas com auxílio de IA quando pessoas tivessem participação criativa substancial e de liderança.
  • 22 dias depois: A KOMCA retirou os critérios após a oposição da comunidade criativa.
  • 31 de outubro de 2026: A música de Meomuru foi registrada no 2º lugar do Top 100 da Melon.

Parlamentares agora avaliam se a Lei Básica de IA precisa abranger mais questões levantadas pela música gerada por IA. Não foi divulgado um cronograma para uma decisão legislativa ou para a adoção de identificação obrigatória nas músicas.

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Oportunidade e familiaridade na percepção dos ouvintes

As contas de Meomuru nas redes sociais trazem imagens e vídeos gerados por IA, e os ouvintes perguntam repetidamente se a música também é artificial. Dois ouvintes, de 41 e 19 anos, descreveram reações diferentes ao descobrir como as canções foram feitas.

Lee Sun-mi, dona de casa em Daejeon, achou o sucesso familiar à primeira vista. O marido sugeriu que a música talvez tivesse sido gerada por IA. Depois de ouvir outras faixas de Meomuru, ela disse que as canções eram "genéricas demais" e que não esperava procurar outras músicas feitas por IA.

Shin Ji-hye, estudante universitária em Jecheon, descreveu a música como "emocionante e cativante", mesmo depois de saber da participação da Suno. Como ela própria já havia experimentado ferramentas de IA para música, viu nelas uma forma de pessoas com ideias, mas sem dinheiro ou habilidade para se apresentar, concluírem uma gravação.

Shin explicou por que esse acesso era importante para ela:

Alguém pode ter interesse em compor, mas não saber cantar ou não ter dinheiro para produzir uma música", disse ela. "Outras pessoas podem gostar de escrever letras, mas ter dificuldade para transformá-las em uma faixa pronta. A IA pode ajudar a superar essas barreiras e permitir que mais pessoas criem música.

As reações das duas ilustram as forças que moldam o mercado: alguns ouvintes valorizam a possibilidade de criar música com mais facilidade, enquanto outros perdem o interesse quando as canções soam familiares demais. Para os produtores, atrair o público pela primeira vez e mantê-lo são desafios distintos.

Artistas virtuais assumem diferentes formas

Plave, a boy band virtual, mostra por que a aparência digital revela pouco sobre como uma gravação foi produzida. Seus cinco personagens animados são controlados por captura de movimentos e rastreamento facial. Artistas humanos cantam, dançam e interagem com os fãs por meio desses personagens.

O álbum HYPERDRIVE do grupo liderou a parada Top Album Sales da Billboard, e Plave esgotou os ingressos para um show no Gocheok Sky Dome, em Seul, com capacidade para 18 mil pessoas. Seu sucesso se apoia em apresentações humanas exibidas por meio de identidades animadas. Meomuru, por sua vez, usa software para gerar o próprio canto.

Adam, o grupo virtual sul-coreano de 1998, oferece um paralelo anterior. Apesar de vender cerca de 200 mil álbuns, os altos custos de produção e os limites tecnológicos, incluindo o custo de renderizar imagens em 3D, restringiram o projeto. O grupo desapareceu das paradas em menos de um ano.

Yoo Seung-chul, professor de estudos de mídia na Ewha Womans University e especialista em psicologia do consumidor, disse que Adam também teve dificuldade para criar uma conexão emocional com os fãs. Ele citou Plave como prova de que artistas virtuais podem desenvolver esses vínculos.

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Yoo associou essa aceitação à crescente familiaridade com serviços de IA conversacional, como ChatGPT e Gemini, sobretudo entre os mais jovens. Ele espera que a música feita por IA se desenvolva como um gênero próprio, enquanto artistas humanos continuam tendo espaço ao vivo.

Um paralelo nos Estados Unidos e a disputa pelos meios de subsistência

Xania Monet oferece uma comparação mais próxima do processo de produção de Meomuru. O projeto americano de R&B usa vocais gerados pela Suno sobre letras escritas pela poeta e designer Telisha "Nikki" Jones. Monet assinou um contrato de milhões de dólares com a Hallwood Media e apareceu em várias paradas da Billboard.

Esse sucesso comercial atraiu críticas de músicos consagrados, incluindo a vencedora do Grammy Victoria Monet, que argumentam que projetos de IA prejudicam artistas profissionais. A preocupação é concreta: músicas geradas sem a contratação de um cantor podem disputar a atenção do mesmo público que gravações baseadas em interpretações humanas.

O entusiasmo de Shin e as objeções dos músicos se concentram em pessoas diferentes afetadas pela mesma tecnologia. Um compositor de letras sem orçamento para gravar pode ganhar um caminho para entrar na música. Um cantor profissional pode enfrentar a concorrência de um produto que não exige uma sessão de gravação vocal. Por isso, o debate sobre acesso acontece ao lado da discussão sobre trabalho remunerado.

Kim, o crítico musical, vê a música feita por IA como parte dos esforços da indústria fonográfica para reduzir custos de produção. Ele também alertou que a qualidade criativa pode ser prejudicada quando há pouco envolvimento humano no processo e defendeu a criação de uma estrutura institucional para orientar o uso de IA na produção musical.

A Suno enfrenta processos nos Estados Unidos movidos por grandes gravadoras, incluindo a Universal Music Group e a Sony Music Entertainment. Elas alegam que os modelos foram treinados com gravações protegidas por direitos autorais sem autorização ou remuneração. Entre as gravações supostamente utilizadas estão músicas dos artistas sul-coreanos Psy e BTS.

Treinamento é o processo pelo qual um sistema de IA aprende padrões a partir de grandes quantidades de material. No caso de softwares de música, esses padrões podem incluir relações entre sons, instrumentos, ritmos e vozes. Os processos discutem se as empresas tinham permissão para usar gravações protegidas nesse processo e se os detentores dos direitos deveriam ter sido remunerados.

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Outra disputa envolve a Anthropic, desenvolvedora de IA generativa. A Authentic Brands Group, que detém direitos ligados ao catálogo e à imagem de Elvis Presley, processou a empresa pelo suposto uso sem licença de 274 músicas. Esse caso amplia o conflito para além do software usado para produzir a gravação de Meomuru.

Por isso, criadores, empresas de música e parlamentares precisam lidar com questões nas duas pontas da produção. No início, está a autorização para usar obras existentes no treinamento de um modelo. No fim, estão a autoria, os royalties e a transparência sobre a nova música que o modelo ajuda a gerar. Para Meomuru, a realidade imediata é uma posição de destaque nas paradas ao lado de regras ainda indefinidas para reconhecer as pessoas por trás da faixa.

Principais pontos

  • Meomuru chegou ao 2º lugar do Top 100 da Melon, posição registrada em 31 de outubro de 2026.
  • A Glorywave criou o conceito e escreveu a letra, usou a Suno para gerar a melodia, o arranjo e os vocais e, depois, finalizou a gravação.
  • A dupla afirma que não registrou a música na KOMCA e não está recebendo os royalties habituais de composição ou arranjo.
  • A KOMCA retirou os critérios para registrar músicas feitas com auxílio de IA apenas 22 dias depois de introduzi-los.
  • Parlamentares sul-coreanos estão analisando possíveis mudanças na Lei Básica de IA em meio a pedidos para identificar músicas feitas por IA.
  • A Suno enfrenta processos que alegam o uso de gravações protegidas por direitos autorais no treinamento sem autorização ou remuneração.
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