Um conceito de defesa enfrenta prazo para entrar em produção
Taiwan e os Estados Unidos ainda não construíram a massa de sistemas não tripulados destinada a retardar uma invasão chinesa, alertou Randall Schriver, presidente da Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China, em Taipei, em 20 de outubro de 2026. O alerta vem enquanto Taiwan se prepara para investir durante seis anos em veículos não tripulados e considera novas aquisições, ao mesmo tempo que algumas entregas importantes de armamentos são esperadas apenas a partir de 2030.
Conteúdo
- Um conceito de defesa enfrenta prazo para entrar em produção
- Por que quantidade e coordenação importam
- Plano de NT$ 240 bilhões de Taiwan será executado por meio de orçamentos anuais
- Patrulhas chinesas ampliam a pressão a leste de Taiwan
- Artilharia móvel é o outro lado do desafio dos drones
- Treinamento e entregas seguem calendários diferentes
- Compromissos dos EUA disputam espaço com a escassez e os atrasos nas vendas
- Principais pontos
Schriver disse que a escassez de munições e de outras capacidades essenciais nos Estados Unidos persistiria mesmo alguns anos após 1º de agosto de 2027, data até a qual, segundo relatos, o presidente chinês Xi Jinping determinou que o Exército de Libertação Popular esteja pronto para tomar Taiwan à força. Trata-se de uma meta de prontidão militar, e não de uma data anunciada para uma invasão.
O desafio imediato é transformar dinheiro, capacidade industrial e planos militares em equipamentos que as unidades possam efetivamente usar em conjunto. Taiwan busca grandes quantidades de drones e, ao mesmo tempo, torna sua artilharia mais móvel, protege as comunicações e prepara equipes para operar sob vigilância constante.
Schriver, ex-subsecretário de Defesa dos EUA, mencionou um conceito apresentado em 2024 pelo almirante Samuel Paparo, comandante do Comando Indo-Pacífico dos EUA. Paparo disse que queria transformar o Estreito de Taiwan em um inferno de sistemas não tripulados, usando esses sistemas para interromper uma invasão e ganhar tempo para uma resposta americana. Schriver alertou que o conceito ainda não foi concluído.
Mas lembrem-se: esse inferno é uma aspiração. Ainda não o construímos.
Para Taiwan, a questão prática é quanta capacidade defensiva utilizável pode ser instalada nos próximos anos. Decisões de financiamento, cronogramas de fabricação e treinamento influenciam essa resposta.
Por que quantidade e coordenação importam
Schriver argumentou que a guerra moderna favorece cada vez mais o lado capaz de produzir e mobilizar tecnologia com maior rapidez. Ter a inteligência artificial mais avançada ou equipamentos para derrotar drones é apenas parte da tarefa. As forças armadas também precisam de sistemas em quantidade suficiente, operadores treinados e planos viáveis para empregá-los.
Um conceito operacional é o plano militar para coordenar diferentes forças. No caso de Taiwan, isso poderia significar aeronaves não tripuladas localizando forças em aproximação, outros sistemas transmitindo informações de alvos e artilharia ou drones marítimos atacando enquanto defesas aéreas móveis protegem os defensores.
Uma proposta de fevereiro de 2026 de Stacie Pettyjohn e Molly Campbell, do Center for a New American Security, descreveu uma defesa em camadas que combina sistemas não tripulados, artilharia, minas e defesa aérea móvel. Cada camada imporia mais um problema a uma força atacante, ao mesmo tempo que ajudaria a preservar as demais.
Os planos apresentados em outubro incluem mais de 200 mil drones aéreos e marítimos, além de uma meta de mais de mil embarcações de superfície não tripuladas. Essas ambições tornam a capacidade de produção central para o esforço de defesa. Grandes frotas também exigem manutenção, peças de reposição e comunicações confiáveis durante toda a sua vida útil.
Schriver apontou a resistência da Ucrânia à Rússia como exemplo de um defensor que mantém sua posição ao impedir que o atacante alcance seus objetivos. Ele descreveu essa abordagem em termos simples.
Estamos vendo a Ucrânia vencer por não perder.
O argumento de Schriver para Taiwan foi que uma defesa capaz de continuar operando pode negar ao atacante uma vitória rápida. Sistemas não tripulados são uma parte desse esforço, junto com as armas e redes de apoio necessárias para continuar lutando.
Plano de NT$ 240 bilhões de Taiwan será executado por meio de orçamentos anuais
O Yuan Legislativo de Taiwan aprovou, em 27 de agosto de 2026, a Lei de Fortalecimento da Autonomia de Defesa Nacional e Desenvolvimento da Indústria de Veículos Não Tripulados. A legislação prevê NT$ 240 bilhões, aproximadamente US$ 7,36 bilhões, ao longo de seis anos, com NT$ 40 bilhões anuais como valor de referência.
As disposições da lei determinam que os recursos sejam alocados pelo processo orçamentário anual. Embora a iniciativa de NT$ 240 bilhões também tenha sido descrita como um orçamento especial, o mecanismo previsto na lei consiste em uma série contínua de dotações anuais. Tanto o total quanto os valores anuais podem ser ampliados, se necessário.
O Ministério da Economia é o órgão responsável pela iniciativa, enquanto o Ministério da Defesa Nacional responde por assuntos relacionados a aquisições militares. Os órgãos competentes devem trabalhar em conjunto nas compras de defesa, nos subsídios à pesquisa, na importação de tecnologias essenciais, nas análises de cibersegurança e na designação de locais para testes.
Essa divisão dá ao programa objetivos industriais e militares: ampliar a capacidade de Taiwan para fabricar veículos não tripulados e, ao mesmo tempo, fornecer equipamentos adequados a missões de defesa. As análises de cibersegurança são especialmente relevantes porque a utilidade de um drone depende, em parte, da proteção de seu software e de seus canais de controle.
Separadamente, o gabinete propôs NT$ 145,7 bilhões em gastos adicionais com defesa por meio de um orçamento suplementar. Desse total, NT$ 55,9 bilhões estão destinados a sistemas não tripulados, incluindo drones. Isso representa cerca de 38% dos gastos suplementares propostos e mostra a importância crescente desses equipamentos nas prioridades de aquisição de Taiwan.
Patrulhas chinesas ampliam a pressão a leste de Taiwan
A guarda costeira chinesa realiza patrulhas regulares a leste de Taiwan desde junho, aumentando a pressão no lado da ilha que também é importante para o acesso de Taiwan ao Pacífico mais amplo. Autoridades taiwanesas acreditam que a atividade pode servir de ensaio para um bloqueio marítimo com recursos militares, paramilitares e civis.
Um bloqueio buscaria restringir o deslocamento de pessoas e mercadorias para a ilha e a partir dela, pressionando o transporte marítimo e o abastecimento. Preparar-se para resistir a um bloqueio exige que Taiwan considere ameaças ao redor de seu litoral, além de um possível desembarque através do Estreito de Taiwan.
Schriver disse que atividades de fiscalização aparentemente civis poderiam promover a reivindicação de soberania de Pequim. Ele descreveu as patrulhas persistentes como parte de uma campanha mais ampla que emprega argumentos jurídicos, pressão política e informação.
Isso é uma extensão da guerra jurídica e da guerra política e de informação. É altamente desestabilizador se continuarem a operacionalizar esse papel de fiscalização.
Joseph Wu, secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, disse no mesmo fórum que a China não tinha reivindicação jurídica sobre as águas a leste de Taiwan. O Ministério das Relações Exteriores da China sustentou que as águas eram chinesas e defendeu as atividades como legais. Pequim reivindica Taiwan como parte de seu território, enquanto Taiwan rejeita essa alegação.
Mais tarde, em 20 de outubro, o Ministério da Defesa de Taiwan informou sobre uma patrulha chinesa conjunta de prontidão para combate, com 27 aeronaves militares, incluindo bombardeiros H-6 capazes de transportar armas nucleares. A combinação de patrulhas da guarda costeira e atividade militar impõe diversas formas de pressão a Taiwan ao mesmo tempo.
Artilharia móvel é o outro lado do desafio dos drones
Taiwan também está se adaptando à ameaça representada pelos drones de um adversário. A orientação de política divulgada em outubro prevê que todos os obuseiros de nova geração, assim como os morteiros de 120 mm e 81 mm, sejam instalados em veículos.
As equipes de artilharia têm pouco tempo após disparar. Drones podem localizar suas posições, enquanto radares podem rastrear os projéteis até os canhões que os dispararam. Armas instaladas em veículos podem deixar uma posição de tiro mais rapidamente do que equipamentos que precisam ser recolhidos e acoplados a um veículo de reboque.
O inventário atual de Taiwan inclui obuseiros autopropulsados M109A2 e M109A5, canhões pesados M110A2 e peças de artilharia rebocadas. Grande parte dos morteiros também depende de manuseio manual ou de transporte separado, o que torna a mudança proposta mais abrangente do que a substituição de uma única arma.
Um pacote inicial de M109A7 inclui 60 obuseiros, 60 veículos de reabastecimento de munição M992A3, 13 veículos de recuperação M88A2, 42 sistemas de controle de tiro e 4.080 kits de orientação de precisão. A previsão é que as entregas comecem a partir de 2030. Os veículos de reabastecimento e recuperação mostram por que não basta comprar canhões: as equipes precisam receber munição e ter veículos danificados removidos ou consertados.
Taiwan também planeja adquirir 178 veículos sobre rodas equipados com canhões de 105 mm pelo programa Cheetah, com produção prevista de 2027 a 2033. A expansão planejada do sistema HIMARS inclui 82 lançadores, além dos 29 encomendados anteriormente. O HIMARS é um sistema móvel que dispara foguetes e mísseis guiados.
As decisões de aquisição, os orçamentos e os cronogramas para a substituição completa da artilharia ainda não foram definidos. Por isso, durante a transição, as unidades atuais continuam com boa parte da responsabilidade pela prontidão.
Treinamento e entregas seguem calendários diferentes
O exercício de artilharia de Taiwan em Kengzikou, em Hsinchu, em 25 de agosto de 2026, simulou deslocamento rápido, disparos e retirada com armas já em serviço. Entre as formações participantes estavam o 21º Comando de Artilharia, a 269ª Brigada de Armas Combinadas, a 206ª e a 109ª Brigadas de Infantaria e o Comando da Área de Lanyang.
O exercício combinou verificações de manutenção com disparos táticos dos sistemas M109A2 e M110A2 e de canhões rebocados. Para as equipes, a mudança imediata é procedimental: preparar-se rapidamente, cumprir a missão e mudar de posição antes que o adversário possa atacar.
As principais datas mostram como o treinamento atual coincide com cronogramas mais longos de compras e produção:
- 25 de agosto de 2026: Taiwan simulou a prontidão da artilharia e o deslocamento rápido em Kengzikou.
- 27 de agosto de 2026: O Yuan Legislativo aprovou a lei que prevê NT$ 240 bilhões em seis anos para veículos não tripulados e o desenvolvimento da indústria de defesa.
- 20 de outubro de 2026: Schriver alertou em Taipei que a defesa não tripulada planejada ainda não estava concluída.
- De 2027 a 2033: Está prevista a produção de 178 veículos Cheetah sobre rodas equipados com canhões.
- 1º de agosto de 2027: Data da meta de prontidão militar chinesa citada por Schriver, segundo relatos.
- A partir de 2030: São esperadas as primeiras entregas de obuseiros M109A7.
As primeiras entregas previstas dos M109A7 ocorrerão cerca de três anos após a meta de prontidão de 2027. No curto prazo, a defesa de Taiwan depende, portanto, dos equipamentos existentes, de táticas aprimoradas e dos novos sistemas que puderem ser incorporados mais cedo.
Compromissos dos EUA disputam espaço com a escassez e os atrasos nas vendas
A Lei de Autorização de Defesa Nacional dos EUA para o ano fiscal de 2026 determina que o Departamento de Defesa busque um programa conjunto com Taiwan para desenvolver e colocar em serviço sistemas não tripulados e sistemas projetados para combatê-los. O programa deve incluir desenvolvimento e produção conjuntos para as forças armadas dos dois lados.
Isso cria um caminho para uma cooperação que vai além da compra, por Taiwan, de equipamentos americanos prontos. O trabalho prático ainda inclui organizar a produção e integrar os sistemas resultantes às unidades militares.
Schriver alertou que as forças americanas já estavam sobrecarregadas. Ele citou o conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã e a lacuna na presença de porta-aviões depois que o USS Abraham Lincoln foi substituído após uma longa missão no Oriente Médio. Segundo ele, uma pressão coordenada da Coreia do Norte e da Rússia, ao lado da China, imporia novas demandas aos recursos dos EUA.
As vendas de armas enfrentam outro cronograma. O presidente Donald Trump ainda não havia aprovado um pacote de armas de US$ 14 bilhões proposto para Taiwan, após aprovar a venda de US$ 11 bilhões em armas em dezembro. Em maio, depois de se reunir com Xi em Pequim, Trump descreveu essas vendas como uma moeda de negociação.
Schriver esperava que o pacote proposto avançasse em 2027, após possíveis encontros entre Trump e Xi na APEC, na China, e no G20, na Flórida. Ele sugeriu que o pacote poderia ser dividido ou conduzido por diferentes canais de venda. As vendas comerciais diretas envolvem compras de empresas, enquanto as vendas militares estrangeiras são administradas pelo governo dos EUA.
A principal tarefa de Taiwan é conciliar esses diferentes calendários. Os orçamentos anuais precisam sustentar a produção, o treinamento deve preparar as equipes para os equipamentos que receberem, e as armas móveis precisam de suprimentos e comunicações capazes de resistir a ataques. O alerta de Schriver destacou a distância entre aprovar um conceito de defesa e dispor de unidades funcionais em número suficiente para executá-lo.
Principais pontos
- Schriver disse que Taiwan e os Estados Unidos ainda não construíram a defesa não tripulada em escala necessária para interromper uma invasão chinesa.
- O Yuan Legislativo de Taiwan aprovou um plano de NT$ 240 bilhões ao longo de seis anos, com recursos alocados por meio de orçamentos anuais.
- Uma proposta de orçamento suplementar para a defesa inclui NT$ 55,9 bilhões para sistemas não tripulados.
- As patrulhas da guarda costeira chinesa a leste de Taiwan aumentaram as preocupações com preparativos para um possível bloqueio.
- Taiwan planeja instalar sua artilharia futura em veículos, enquanto as primeiras entregas dos M109A7 são esperadas a partir de 2030.
- Um pacote de armas americano proposto, no valor de US$ 14 bilhões, ainda aguarda aprovação presidencial.






