Trump põe em dúvida encontro com Kim às vésperas da cúpula da APEC em novembro

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Trump Casts Doubt on Kim Meeting as November APEC Summit Nears

Um mês antes de Shenzhen, não há sinal claro de um encontro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reduziu as expectativas de um encontro com o líder norte-coreano Kim Jong Un durante sua viagem à China em novembro. Em 19 de outubro, disse não saber se alguém estava pedindo uma reunião. Os comentários foram feitos um mês antes da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), marcada para 18 e 19 de novembro, em Shenzhen.

Conteúdo
  1. Um mês antes de Shenzhen, não há sinal claro de um encontro
  2. Como mudou a confiança de Trump
  3. O otimismo de Seul encontra a cautela de Washington
  4. O que Pyongyang quer de uma nova cúpula
  5. A lição deixada por Hanói
  6. A janela para os preparativos está se fechando
  7. Menor exposição pública de Kim chama atenção
  8. Rússia e China mudam o cenário
  9. Principais pontos

Ao falar com repórteres na Casa Branca, Trump demonstrou menos certeza do que em agosto, quando disse que esperava se encontrar com Kim até o fim do ano, ou em 12 de outubro, quando descreveu como empolgante a possibilidade de um encontro durante sua viagem à Ásia.

Questionado se esperava se encontrar com o líder norte-coreano no próximo mês, Trump respondeu:

Ah, não sei. Não sei. Não tenho certeza se alguém está pedindo uma reunião.

O presidente voltou imediatamente a um tema recorrente: sua relação pessoal com Kim:

Eu me dou muito bem com ele. Mas minha relação com Kim Jong-un é muito boa.

Nenhuma data para um encontro nem contato concreto confirmado entre Washington e Pyongyang foi anunciado. A Coreia do Norte não deu nenhuma resposta substancial confirmada às recentes iniciativas de Trump, enquanto autoridades sul-coreanas apresentaram avaliações distintas sobre a possibilidade de uma nova cúpula.

A principal dificuldade está ficando mais evidente: Trump manifestou publicamente disposição para se encontrar, mas a realização de conversas depende de Pyongyang concordar tanto com o encontro quanto com o que ele poderia alcançar. Com novembro se aproximando, a cordialidade pessoal divide espaço com exigências ainda não resolvidas sobre armas nucleares e sanções.

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Como mudou a confiança de Trump

Durante o verão, Trump voltou a divulgar imagens e a usar uma linguagem associada à diplomacia com Kim em seu primeiro mandato presidencial. Em agosto, publicou no Truth Social fotografias que aparentemente mostravam a cúpula de junho de 2018, em Singapura, e o encontro de junho de 2019 em Panmunjom, localidade na fronteira entre as duas Coreias.

As publicações não incluíram a cúpula de Hanói, em fevereiro de 2019, que terminou sem acordo. A seleção voltou a chamar atenção para os momentos em que os dois líderes demonstraram publicamente disposição para se encontrar.

Suas declarações públicas se tornaram, então, progressivamente mais cautelosas:

  • 19 de agosto: Trump disse que esperava se encontrar com Kim até o fim do ano.
  • 1º de setembro: o serviço de inteligência da Coreia do Sul apontou sinais de diálogo, mas afirmou que não havia confirmado contato concreto, segundo um parlamentar informado após uma sessão fechada do Parlamento.
  • 12 de outubro: Trump disse que um encontro durante sua viagem à Ásia poderia acontecer. A embaixadora da Coreia do Sul em Washington afirmou não saber de nenhum avanço concreto.
  • 14 de outubro: o ministro da Unificação da Coreia do Sul, Chung Dong-young, disse estar confiante de que uma cúpula estava ao alcance.
  • 19 de outubro: Trump disse não saber se o encontro aconteceria ou se alguém estava pedindo uma reunião.
  • 18 e 19 de novembro: líderes da APEC devem se reunir em Shenzhen.

A mudança diz respeito à confiança de Trump de que conseguirá organizar um encontro. Ele continuou descrevendo Kim de forma amistosa, e o governo dos Estados Unidos manteve a disposição de dialogar com a Coreia do Norte.

O otimismo de Seul encontra a cautela de Washington

Chung Dong-young, ministro da Unificação da Coreia do Sul, fez uma das avaliações públicas mais otimistas em 14 de outubro. Disse que seu ministério considerava uma cúpula dentro do "campo de visão", enquanto descreveu a avaliação do Serviço Nacional de Inteligência como uma chance de 50%.

Chung também reconheceu que não via sinais de movimentação entre o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul e o Departamento de Estado dos Estados Unidos. Seu otimismo se baseava, em parte, no interesse pessoal de Trump e em sua capacidade de tomar decisões diplomáticas repentinas.

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Kang Kyung-wha, embaixadora da Coreia do Sul nos Estados Unidos, fez uma avaliação mais cautelosa durante uma auditoria parlamentar em Washington, em 12 de outubro. Ela disse que a embaixada verificava regularmente os acontecimentos com o Departamento de Estado e o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Kang disse aos parlamentares:

Estou ciente de que não houve nenhum avanço concreto em relação à cúpula entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte.

Ela também afirmou que não havia "sinais específicos" de que um encontro estivesse se aproximando. Sua avaliação colocou o foco nos preparativos em Washington, e não na possibilidade de uma decisão inesperada de Trump.

A posição anterior do serviço de inteligência também tinha ressalvas. Após uma sessão fechada do Comitê de Inteligência da Assembleia Nacional, em 1º de setembro, o integrante do comitê Youn Kun-young disse que a agência havia detectado sinais de diálogo, mas não confirmado contato concreto entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte.

O que Pyongyang quer de uma nova cúpula

Nam Sung-wook, professor titular da Universidade Feminina Sookmyung, apontou a falta de resposta da Coreia do Norte como principal motivo da incerteza. Em sua avaliação, os dois lados continuam divergindo sobre o que precisa acontecer antes que seus líderes se encontrem.

Nam descreveu as principais exigências de Pyongyang como o reconhecimento oficial da Coreia do Norte como um Estado que possui armas nucleares e o alívio das sanções. Sanções são restrições ao comércio, às finanças e a outras transações, destinadas a pressionar um governo a mudar sua conduta.

O reconhecimento é importante porque daria à Coreia do Norte algo além do reconhecimento de que suas armas existem. Pyongyang quer que seu status nuclear seja aceito como ponto de partida para as negociações. O alívio das sanções traria um benefício econômico mais imediato, ao flexibilizar restrições que afetam o país.

Trump já descreveu a Coreia do Norte como uma potência nuclear. Em 19 de agosto, citou o número de 57 armas nucleares norte-coreanas ao falar de Kim. Esse foi o número apresentado por Trump; as discussões propostas para a cúpula não resultaram em nenhum novo inventário acordado do arsenal.

A análise de Nam é que Kim quer ter segurança sobre os benefícios de outro encontro antes de se comprometer com ele. Washington, por sua vez, apresentou conversas sem pré-condições como uma forma de iniciar as negociações. A divergência prática diz respeito à ordem: os líderes se encontram primeiro para negociar ou definem termos importantes antes de aparecerem juntos?

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A lição deixada por Hanói

Trump e Kim se encontraram três vezes: em Singapura, em junho de 2018; em Hanói, em fevereiro de 2019; e em Panmunjom, em junho de 2019. Esses encontros estabeleceram contato direto no mais alto nível, mas a diplomacia entre os dois não resultou em um acordo que trocasse o alívio das sanções pelo desmantelamento do programa nuclear norte-coreano.

Hanói continua especialmente relevante por mostrar como uma cúpula pode terminar quando os benefícios buscados por cada lado estão distantes demais. Nam relacionou a divergência atual sobre status nuclear e sanções às negociações inconclusas que cercaram aquele encontro.

Kim já obteve a visibilidade de aparecer ao lado de um presidente dos Estados Unidos. Por isso, um quarto encontro enfrentaria uma exigência maior: que resultado concreto cada líder poderia levar para casa?

Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, disse que Trump não considera as conversas com a Coreia do Norte uma concessão e está disposto a dialogar quando isso atender aos interesses nacionais dos Estados Unidos. Essa posição mantém aberta uma possibilidade diplomática, embora os preparativos continuem incertos.

A janela para os preparativos está se fechando

Shenzhen oferece uma possível oportunidade porque já se espera que Trump esteja na China para a APEC. Diplomatas consideram o encontro a ocasião mais provável para uma reunião com Kim antes do fim do ano.

Nam disse que a ida de um presidente dos Estados Unidos exige pelo menos três a quatro semanas de preparativos de segurança e logística. De 19 de outubro até a abertura da APEC, em 18 de novembro, são 30 dias, o que deixa a discussão próxima desse prazo de preparação.

Um encontro exigiria decisões sobre local, acesso, segurança e os representantes que negociariam a pauta. A disposição de Trump para tomar decisões repentinas ainda permite um anúncio de última hora, mas as autoridades precisariam organizar o encontro.

Chung propôs ir além, ampliando a diplomacia para incluir conversas entre Coreia do Sul, Coreia do Norte, Estados Unidos e China. Ele também pediu uma cúpula entre as duas Coreias durante o mandato do presidente Lee Jae Myung. Essas propostas continuam em aberto; a atenção imediata segue voltada à possibilidade de Trump e Kim se encontrarem.

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Menor exposição pública de Kim chama atenção

A menor presença de Kim em eventos internos recentes oferece outro possível ângulo para entender os cálculos de Pyongyang. Ele participou das comemorações do aniversário do Partido dos Trabalhadores, em 10 de outubro, mas não fez discurso e teve menos destaque nas atividades relacionadas.

Posteriormente, a televisão norte-coreana exibiu uma versão editada da apresentação comemorativa, com cerca de 16 minutos, sem mostrar Kim. Ele também esteve ausente dos eventos de 17 de outubro que marcaram o centenário da União Anti-Imperialista, organização que a Coreia do Norte remonta a 1926.

Os eventos do centenário tiveram como tema a resistência ao imperialismo, linguagem que a Coreia do Norte há muito dirige contra os Estados Unidos. Manter Kim pessoalmente afastado dessas comemorações poderia lhe dar mais espaço para buscar a diplomacia com um presidente americano.

Essa interpretação diplomática convive com os indicadores mais imediatos apontados por Kang e Nam: a falta de preparativos visíveis e de uma resposta confirmada de Pyongyang. As intenções de Kim permanecem incertas, e sua agenda pública é apenas uma parte do quadro.

Rússia e China mudam o cenário

A Coreia do Norte considera a possibilidade de retomar as conversas tendo laços mais estreitos com a Rússia do que durante o primeiro mandato de Trump. Um tratado assinado em junho de 2024 comprometeu os dois países a prestar assistência militar caso um deles fosse alvo de um ataque armado.

Pyongyang forneceu à Rússia munição de artilharia e mísseis balísticos, além de enviar tropas para a região russa de Kursk durante a guerra na Ucrânia. Essas contribuições aumentaram o valor da Coreia do Norte para Moscou, dando a Kim outra importante relação diplomática a considerar, além de qualquer abertura de Washington.

As relações com Pequim também se estreitaram, incluindo uma cúpula entre Kim e Xi em Pyongyang, em junho, e a troca de delegações de alto escalão em julho. As decisões de Kim sobre um encontro com os Estados Unidos agora se inserem em uma rede mais ampla de contatos com as duas potências vizinhas.

Enquanto isso, em 19 de outubro, Trump pareceu mais receptivo à proposta de um encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente russo, Vladimir Putin. Putin havia proposto discutir um acordo para a guerra na Ucrânia, enquanto Trump disse preferir uma pauta centrada em armas nucleares e desnuclearização.

Desnuclearização significa eliminar armas nucleares, embora as negociações precisem determinar quais arsenais seriam abrangidos e que medidas cada país tomaria. O cenário mais amplo de controle de armas ficou mais difícil após o vencimento do Novo START, em fevereiro, que eliminou os últimos limites juridicamente vinculantes sobre os arsenais nucleares estratégicos dos Estados Unidos e da Rússia.

Uma possível conversa entre Trump, Xi e Putin e um eventual encontro entre Trump e Kim seriam reuniões distintas. Para a Coreia do Norte, a questão imediata continua sendo se Washington e Pyongyang conseguem transformar declarações públicas de interesse em um objetivo acordado e em um cronograma viável.

Principais pontos

  • Em 19 de outubro, Trump disse não saber se se encontraria com Kim durante sua viagem à Ásia em novembro.
  • A cúpula da APEC está marcada para 18 e 19 de novembro, em Shenzhen, na China.
  • Trump continuou descrevendo sua relação com Kim como muito boa.
  • Autoridades sul-coreanas demonstraram diferentes níveis de otimismo, enquanto o contato concreto e os preparativos continuam sem confirmação.
  • Nam Sung-wook apontou o reconhecimento nuclear e o alívio das sanções como principais exigências da Coreia do Norte.
  • Os três encontros anteriores entre Trump e Kim não produziram um acordo que trocasse o alívio das sanções pelo desmantelamento nuclear.
  • As relações mais estreitas da Coreia do Norte com Rússia e China fazem parte do novo cenário para qualquer retomada das conversas.
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