Segunda empresa é alvo de sanções após as medidas de junho de 2025
O Escritório de Assuntos de Taiwan da China anunciou sanções contra a VWAY em 14 de outubro de 2026, acusando Shen Tu-cheng, pai de Shen Pao-yang, candidato do Partido Democrático Progressista à prefeitura de Taipei, de usar a empresa para continuar fazendo negócios com empresas chinesas depois que outra companhia sob sua direção foi sancionada em junho de 2025.
Conteúdo
- Segunda empresa é alvo de sanções após as medidas de junho de 2025
- O que Pequim afirma que a VWAY fez
- Os números do comércio e o que eles mostram
- Uma empresa antiga, não necessariamente uma nova entidade
- A alegação sobre o envio de copos de café
- Shen contesta as acusações e o momento em que foram feitas
- Críticas eleitorais e um alerta mais amplo
- Como a disputa se desenvolveu
- Principais pontos
A medida proíbe a VWAY de realizar transações ou cooperar com organizações, empresas ou pessoas da China continental. O porta-voz Chen Binhua anunciou a decisão em uma coletiva de imprensa regular, tornando a VWAY a segunda empresa ligada ao pai de Shen a enfrentar esse tipo de restrição.
As acusações incluem um volume de comércio da VWAY com a China estimado em US$ 689.800 entre junho de 2025 e março de 2026, ante US$ 599.800 entre janeiro de 2022 e maio de 2025. Esses valores se referem ao total das transações, não aos lucros, e não foram verificados de forma independente neste texto.
Shen rejeitou as acusações como calúnias recicladas e disse que os negócios da família operam no Equador, não na China. Em uma resposta publicada no fim de 13 de outubro, antes do anúncio das novas sanções, ele também questionou como informações sobre sua família foram obtidas e por que estavam sendo divulgadas durante a campanha eleitoral.
A disputa envolve mais do que o local onde a família vende seus produtos. Pequim afirma que a VWAY continuou comprando de fornecedores chineses apesar das restrições impostas à Zhaoyi Limited, a empresa sancionada anteriormente. A declaração de Shen sobre o Equador, por si só, não esclarece essa acusação. Da mesma forma, os números divulgados sobre o comércio não demonstram que Shen tenha participado pessoalmente dos negócios nem que as transações tenham configurado uma tentativa de burlar as sanções.
O que Pequim afirma que a VWAY fez
Chen disse que o Escritório de Assuntos de Taiwan sancionou a Zhaoyi em junho de 2025, quando Shen Tu-cheng era o executivo responsável pela empresa. Ele alegou que, em seguida, Shen usou a VWAY para manter o comércio e a cooperação empresarial com empresas da China continental e obter benefícios econômicos.
Chen Binhua, porta-voz do Escritório de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, explicou a justificativa política para a nova medida:
A China continental não permitirá que empresas ligadas a separatistas ferrenhos da 'independência de Taiwan' busquem lucros na China continental.
A descrição de Shen como separatista é uma classificação de Pequim, não uma conclusão estabelecida de forma independente sobre as transações contestadas. Chen também acusou o candidato de se opor à China e obstruir intercâmbios enquanto trabalhava com parentes para ganhar dinheiro com empresas da China continental.
A proibição anunciada vai além de compras ou vendas e abrange a cooperação com organizações e pessoas. No entanto, o anúncio não especificou uma multa, não identificou contrapartes chinesas específicas nem explicou como seriam tratados contratos vigentes e mercadorias já em trânsito. Também não foram detalhadas medidas alfandegárias separadas contra a VWAY.
Os números do comércio e o que eles mostram
As acusações detalhadas atribuem à VWAY 38 transações com a China, no valor de US$ 599.800, entre janeiro de 2022 e maio de 2025. Em seguida, apontam 39 transações, no valor de US$ 689.800, entre junho de 2025 e março de 2026, após as sanções contra a Zhaoyi.
Se estiverem corretos, os números indicam que o comércio no período mais recente aumentou US$ 90 mil, cerca de 15%, apesar de abranger um intervalo muito mais curto. O número de transações subiu apenas uma. Somados, os dois períodos correspondem a 77 transações no valor de US$ 1.289.600.
Várias reportagens descrevem o período mais recente como tendo pouco mais de seis meses. As datas informadas, de junho de 2025 a março de 2026, abrangem dez meses-calendário quando contadas de forma inclusiva. O período anterior abrange 41 meses-calendário. Essa diferença é relevante para avaliar alegações sobre a velocidade do aumento.
Os números sustentam a acusação de que a atividade comercial aumentou após as sanções contra a Zhaoyi, mas não provam, por si só, por que isso ocorreu. Também não podem ser considerados ganhos: o valor de compra das mercadorias não revela a receita de revenda, os custos de transporte, as despesas operacionais nem o lucro.
Reportagens afirmam que a VWAY comprava tecidos, incluindo panos e tapetes, e depois passou a comercializar copos térmicos, peças automotivas e outros produtos anteriormente negociados pela Zhaoyi. Os negócios descritos envolviam a compra de produtos na China e sua revenda no Equador e em outros lugares. Isso permitiria que uma empresa atendesse ao mercado equatoriano e, ao mesmo tempo, mantivesse relações comerciais com fornecedores chineses.
Uma empresa antiga, não necessariamente uma nova entidade
Embora a VWAY tenha sido descrita como um novo veículo para o comércio da família, informações de registro divulgadas em reportagens indicam que ela foi constituída nas Ilhas Virgens Britânicas em 4 de maio de 2005. Nesse caso, a acusação diz respeito a uma mudança no uso de uma empresa já existente, e não à criação de uma companhia após as sanções de 2025.
As mesmas reportagens identificam a Zhaoyi como uma empresa taiwanesa constituída em 26 de fevereiro de 1991. Elas alegam que Shen Tu-cheng era o executivo responsável pelas duas empresas, que ambas tinham o mesmo endereço comercial em Guayaquil, no Equador, e que usavam o mesmo e-mail corporativo.
Essas supostas ligações são relevantes para a alegação de Pequim de que a VWAY deu continuidade aos negócios da Zhaoyi. No entanto, a gestão compartilhada e os mesmos dados de contato não provam, por si sós, que determinado carregamento tenha violado uma restrição. Para isso, são necessárias evidências sobre as partes envolvidas na transação, seu momento e as regras aplicáveis.
Uma reportagem também identifica a Sicuens International Co., Ltd. como o nome em inglês sob o qual a Zhaoyi estava registrada na alfândega chinesa. Segundo o texto, o registro foi revogado em julho de 2025. Essa foi uma medida distinta do anúncio do Escritório de Assuntos de Taiwan em junho, que afetou o registro da empresa para operações alfandegárias.
A alegação sobre o envio de copos de café
A acusação mais específica diz respeito a um contrato de copos de café supostamente assinado em 21 de abril de 2025 entre a Zhaoyi e uma empresa de Hefei. As mercadorias teriam previsão de declaração alfandegária e embarque em 19 de junho, após a suposta data das sanções, em 5 de junho.
Segundo a acusação, funcionários usaram o nome da VWAY para declarar as mercadorias, permitindo que elas passassem pela fiscalização alfandegária e fossem embarcadas. O relato afirma que um segundo conhecimento de embarque voltou a indicar o nome da Zhaoyi, enquanto o pagamento ao fornecedor chinês saiu da conta da VWAY.
Um conhecimento de embarque é um documento de transporte que registra a carga e as partes envolvidas em seu envio. A mudança da parte indicada pode ser relevante quando as autoridades verificam se uma empresa sujeita a restrições participou de um embarque.
Esse relato apresenta um possível mecanismo para burlar as sanções, em vez de se basear apenas no aumento do volume comercial. A alegação ainda não foi comprovada. O contrato, a declaração alfandegária, o comprovante de pagamento e os documentos de transporte seriam necessários para confirmar a transação e avaliar o suposto objetivo da mudança dos nomes das empresas.
Questionado na coletiva sobre as evidências e possíveis falhas na fiscalização, Chen disse que as medidas se baseavam em fatos e na lei e que violações seriam investigadas quando descobertas. A resposta divulgada não apresentou os registros do embarque nem identificou uma norma jurídica específica que fundamentasse a decisão sobre a VWAY.
Shen contesta as acusações e o momento em que foram feitas
Shen, candidato à prefeitura de Taipei e fundador da Academia Kuma, afirmou que figuras políticas devem aceitar ser questionadas, mas que o debate precisa se basear em fatos, não em rótulos não verificados. Sua resposta de 13 de outubro se concentrou na origem, na circulação e no momento em que as acusações foram divulgadas.
Ele questionou por que havia tanto interesse nos negócios e na rotina diária de sua família e disse que responder às acusações poderia dar ainda mais visibilidade a elas. Também mencionou um caso anterior de vigilância, afirmando que as conclusões dos promotores mostraram que ele e sua família foram monitorados ininterruptamente em 2024 e que a solicitação da operação partiu de Hong Kong.
Esse relato sobre a investigação é uma declaração de Shen. Ele não comprova que as acusações comerciais mais recentes tenham vindo da mesma operação de vigilância. Mas ajuda a explicar por que sua resposta tratou da coleta de informações, além das alegações comerciais.
Chen rejeitou a posição de Shen e pediu que ele provasse sua inocência e desse uma explicação responsável ao público de Taiwan. As declarações divergentes não esclarecem nem as evidências de que as sanções foram burladas nem até que ponto, se é que houve algum envolvimento, o candidato participou dos negócios do pai.
As declarações de Shen no fim de 13 de outubro foram feitas antes da sanção de 14 de outubro. Não foi divulgada uma resposta separada da VWAY ou da Zhaoyi, nem uma nova manifestação de Shen especificamente sobre a nova proibição.
Críticas eleitorais e um alerta mais amplo
O deputado do Kuomintang Lai Shibao acusou Shen de adotar dois pesos e duas medidas em relação ao intercâmbio entre os dois lados do Estreito de Taiwan. Lai disse que não há nada de errado com negócios comuns envolvendo a moeda chinesa, mas argumentou que Shen deveria pedir desculpas por criticar esse tipo de intercâmbio enquanto, supostamente, permitia que os negócios do pai se beneficiassem dele.
Essa é uma acusação política, distinta da alegação de Pequim de que as sanções foram burladas. Ela depende de afirmações sobre o que Shen sabia e como agiu, aspectos que não são comprovados apenas pelos totais das transações.
A coletiva de 14 de outubro também abordou o artista e escritor Tsai Kang-yong, conhecido como Kevin Tsai, que participou da inauguração do comitê de campanha de Shen em 4 de outubro. Várias empresas da China continental anunciaram posteriormente o fim da cooperação com Tsai e removeram conteúdos relacionados a ele.
Chen Binhua, falando em nome do Escritório de Assuntos de Taiwan, alertou contra a combinação do acesso ao mercado chinês com o apoio a pessoas que Pequim classifica como separatistas:
Nenhuma pessoa ou força pode buscar benefícios com o desenvolvimento da China continental e, ao mesmo tempo, conspirar com forças separatistas da 'independência de Taiwan'.
Chen não anunciou uma sanção governamental específica contra Tsai. Por isso, as decisões das empresas e o alerta oficial devem ser diferenciados da proibição expressa de transações imposta à VWAY.
Chen também confirmou que um irmão de Robert Tsao, fundador da United Microelectronics Corporation, teve a entrada na China negada. Ele atribuiu a decisão às restrições impostas a Tsao e à família após Pequim classificar Tsao como um defensor ferrenho da independência de Taiwan. Esses casos mostram que as restrições anunciadas pelo Escritório se estendem a parentes e empresas associadas, embora as medidas efetivas variem de um caso para outro.
Como a disputa se desenvolveu
A cronologia distingue as restrições anteriores contra Shen, a medida contra a Zhaoyi, o comércio supostamente realizado em seguida e a proibição mais recente:
- Outubro de 2024: Segundo relatos, Pequim incluiu Shen em sua lista de defensores ferrenhos da independência de Taiwan e anunciou restrições de entrada e cooperação.
- 21 de abril de 2025: O contrato contestado de copos de café teria sido assinado em nome da Zhaoyi.
- Junho de 2025: O Escritório de Assuntos de Taiwan sancionou a Zhaoyi. Um relato detalhado indica 5 de junho como a data.
- Julho de 2025: Segundo relatos, a alfândega chinesa revogou o registro da Sicuens International Co., Ltd., identificada em reportagens como o nome em inglês da Zhaoyi.
- Junho de 2025 a março de 2026: A VWAY teria concluído 39 transações com a China, no valor de US$ 689.800.
- 4 de outubro de 2026: Tsai Kang-yong participou da inauguração do comitê de campanha de Shen.
- 13 de outubro de 2026: Novas acusações comerciais foram divulgadas, e Shen respondeu no fim da noite.
- 14 de outubro de 2026: Chen anunciou a proibição de transações e cooperação da VWAY com partes da China continental.
O acontecimento mais recente é a restrição contra uma segunda empresa, não uma decisão judicial divulgada que comprove a suposta tentativa de burlar as sanções. Não foram anunciados audiência, prazo para recurso ou data para a divulgação de novas provas. As principais questões ainda sem resposta são a autenticidade e o significado dos registros de transações, se a suposta troca de empresas violou as restrições anteriores e qual foi o papel de Shen.
Principais pontos
- A China anunciou sanções contra a VWAY em 14 de outubro de 2026, proibindo transações e cooperação com organizações, empresas e pessoas da China continental.
- Pequim acusa Shen Tu-cheng de usar a VWAY para continuar fazendo negócios depois que a Zhaoyi foi sancionada em junho de 2025.
- Os números divulgados apontam um volume comercial de US$ 689.800 entre junho de 2025 e março de 2026. Eles representam o valor das transações, não o lucro.
- Shen Pao-yang rejeita as acusações e questiona as evidências, a origem e o momento da divulgação durante a campanha eleitoral.
- Uma acusação específica envolvendo copos de café, declarações alfandegárias e documentos de transporte ainda não foi verificada neste texto.
- Não foi anunciada nenhuma sanção governamental específica contra Tsai Kang-yong nem um prazo para novos procedimentos.






