Preços de energia na França colocam país na disputa por uma nova fábrica
A BYD está avaliando de perto a França como local para uma nova fábrica de carros, enquanto se prepara para iniciar a produção em sua unidade na Hungria, que sofreu atrasos, no quarto trimestre de 2026. A vice-presidente executiva Stella Li apresentou os planos em 12 de outubro, na abertura do Salão do Automóvel de Paris, e disse que a fabricante chinesa quer estabelecer uma segunda e uma terceira fábrica na Europa.
Conteúdo
- Preços de energia na França colocam país na disputa por uma nova fábrica
- Hungria vem primeiro após mudanças no cronograma
- Quantas fábricas adicionais estão planejadas?
- O que torna a eletricidade francesa atraente?
- Crescimento das vendas dá base comercial à expansão
- Política comercial aumenta a urgência, mas os detalhes ainda não estão definidos
- Identidade local significa mais do que uma linha de montagem
- Recarga rápida também faz parte da apresentação da BYD em Paris
- Principais pontos
A França chegou à lista final de opções, mas ainda não está na etapa de decisão sobre o investimento. Li apontou os preços competitivos da energia como um dos motivos para considerar o país, mas não anunciou um município, o valor do investimento, a capacidade de produção nem a data de inauguração de uma unidade francesa. Suas declarações também não confirmaram que as duas fábricas adicionais seriam construídas na França.
Li, que lidera a expansão internacional da BYD, explicou diretamente o atrativo do país:
"A França está na lista final porque a energia de vocês tem preços muito competitivos",
A busca ocorre enquanto fabricantes chinesas enfrentam pressão para produzir mais veículos na Europa, onde governos debatem exigências de produção local e restrições comerciais. A BYD também tenta transformar o rápido aumento das vendas em uma presença industrial duradoura, com fabricação, empregos em pesquisa, investimentos em tecnologia e apoio a vendedores locais.
O teste imediato continua sendo a Hungria. A expectativa é que a produção em Szeged comece entre outubro e dezembro, após atrasos anteriores. Assim, o anúncio em Paris representa uma declaração de planos de expansão, não a confirmação de que a BYD já tenha uma rede de produção europeia plenamente operacional. O início bem-sucedido da produção na Hungria daria à empresa sua primeira base prática para a estratégia industrial mais ampla descrita por Li.
Hungria vem primeiro após mudanças no cronograma
Inicialmente, a fábrica de Szeged deveria começar a produzir carros em setembro de 2025. Posteriormente, o cronograma foi transferido para o segundo semestre de 2026, e as informações mais recentes especificam o quarto trimestre. É preciso cautela ao descrever essa janela final como mais um atraso: outubro a dezembro ainda está dentro do segundo semestre anunciado anteriormente.
Durante uma visita aos escritórios da BYD em Londres, no início de 2026, Li apontou a Hungria como a primeira prioridade da empresa e disse que os equipamentos ainda estavam sendo instalados. As declarações de outubro mantiveram a expectativa de inauguração antes do fim do ano. Elas não informaram uma data exata para o início da produção nem confirmaram quando a fábrica atingirá um volume expressivo.
A sequência informada é:
- Setembro de 2025: meta inicial para o início da produção na Hungria.
- Segundo semestre de 2026: período de produção revisado após atrasos.
- Junho de 2026: notícias indicaram o início previsto no quarto trimestre, com a instalação dos equipamentos ainda em andamento.
- 12 de outubro de 2026: Li falou sobre novas fábricas na Europa em Paris, enquanto a unidade húngara continuava com início previsto antes do fim do ano.
O carro urbano Dolphin Surf deve ser o primeiro modelo montado em Szeged, seguido pelo SUV Atto 2. Outros dois modelos estão previstos, mas suas identidades não foram divulgadas. A fábrica tem capacidade anual prevista de 300 mil veículos. Esse é um limite de produção planejado, não uma previsão para o primeiro ano nem uma evidência de que a demanda dos clientes já corresponda a esse volume.
Quantas fábricas adicionais estão planejadas?
O relato mais claro das declarações de Li em Paris aponta para mais duas fábricas na Europa depois da unidade húngara, formando uma rede de três. Outra reportagem menciona duas a três fábricas adicionais. Os relatos divergem, e não há um cronograma detalhado de investimentos que esclareça a discrepância.
A França está sendo considerada para essa expansão, mas não houve anúncio sobre a localização de nenhuma das duas fábricas propostas. A distinção é importante: entrar na lista final de opções é um passo significativo na busca por um local, mas não significa que um terreno tenha sido adquirido, que licenças tenham sido solicitadas ou que a construção tenha sido aprovada.
Um projeto separado de fábrica na Turquia foi suspenso. Notícias anteriores também levantaram a possibilidade de a BYD usar uma unidade automotiva europeia existente e subutilizada. Não foi anunciada nenhuma aquisição nem acordo para usar uma instalação desse tipo em conexão com as conversas sobre a França.
O que torna a eletricidade francesa atraente?
A energia é o motivo comercial mais específico que Li apresentou para considerar a França. Fábricas automotivas precisam de eletricidade confiável, e a produção de baterias aumenta significativamente a demanda por energia caso seja incluída na unidade. As atividades da BYD abrangem tanto baterias quanto veículos prontos, o que torna os custos de eletricidade relevantes para suas decisões industriais.
Uma comparação divulgada aponta que a eletricidade na França custa 90 euros por megawatt-hora, contra mais de 120 euros na Alemanha. Com esses preços, o valor francês é pelo menos 25% menor. No entanto, a comparação não informa o período do contrato, a categoria de cliente nem como são tratados os custos de rede e os impostos. Ela indica o atrativo, mas não representa uma conta de eletricidade verificada para uma futura fábrica da BYD.
O fornecimento de eletricidade da França também tem uma pegada de carbono relativamente baixa, graças à expressiva geração nuclear, além da hidrelétrica e de outras fontes renováveis. Notícias sobre as conversas a respeito da fábrica situam a intensidade de carbono da eletricidade do país abaixo de 50 gramas de dióxido de carbono por quilowatt-hora e mencionam requisitos europeus previstos para a pegada de baterias em 2027.
Esses números não devem ser tratados como garantia de um resultado regulatório específico. As emissões atribuídas a uma bateria dependem de mais fatores do que a eletricidade usada na fábrica final, incluindo os materiais e outras etapas da produção. Li não anunciou uma fábrica de baterias na França, e nenhum plano detalhado de fabricação no país especifica quais operações seriam realizadas localmente.
A energia competitiva ajuda, portanto, a explicar por que a França está sendo considerada. Isso não define a decisão de investimento nem determina o custo final e a pegada de carbono de um veículo produzido no país.
Crescimento das vendas dá base comercial à expansão
As vendas da BYD na Europa passaram de 50.912 veículos em 2024 para 187.657 em 2025, segundo números atribuídos à Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis. Isso representa um aumento de 136.745 veículos, ou aproximadamente 269%. O total de 2025 foi cerca de 3,7 vezes o do ano anterior.
Os negócios da empresa na França também crescem rapidamente, partindo de uma base menor. As vendas chegaram a 14.311 veículos em 2025, uma alta informada de 150%. Até o fim de agosto de 2026, a empresa havia vendido mais de 18 mil veículos na França, superando o total de todo o ano de 2025 em pelo menos 3.689 unidades, ou cerca de 26%.
Essa comparação tem uma limitação: oito meses de 2026 não permitem determinar a taxa de crescimento final do ano inteiro. Ainda assim, mostra que a empresa superou seu total anual anterior bem antes de dezembro.
Mesmo assim, naquele momento a BYD respondia por apenas cerca de 1,5% do mercado francês. Dados atribuídos à entidade francesa do setor automotivo, a PFA, indicam 371.913 vendas da Stellantis e 342.435 da Renault no período informado, muito acima da BYD.
A capacidade planejada de 300 mil veículos da fábrica húngara é cerca de 60% superior às vendas europeias informadas pela BYD em 2025. São indicadores diferentes, capacidade de produção e vendas, mas a comparação mostra que o investimento foi pensado para sustentar um crescimento adicional, não apenas reproduzir o volume anual atual da empresa.
Política comercial aumenta a urgência, mas os detalhes ainda não estão definidos
A busca por locais ocorre em paralelo ao debate europeu sobre uma Lei de Aceleração Industrial e possíveis exigências para que fabricantes produzam mais na região. Essas regras diferenciariam a venda de veículos importados na Europa da realização de atividades industriais qualificadas no continente.
Essa distinção é importante para a BYD. Uma fábrica local poderia gerar empregos e atividade produtiva em um mercado no qual a empresa se expandiu até agora sobretudo por meio das vendas de veículos. A adequação de uma operação específica às futuras regras dependeria da legislação final e das definições de produção e conteúdo local.
Reportagens também mencionam um compromisso chinês, anunciado na sexta-feira anterior ao Salão de Paris, de moderar as exportações de veículos híbridos para a União Europeia. Uma reportagem informa um limite anual de importação de 350 mil veículos, ante 800 mil anteriormente. Outros relatos descrevem uma contenção sem especificar um teto numérico.
Esses números não são acompanhados de um acordo publicado nem de um texto legal, e Li disse que a empresa tinha conhecimento do anúncio, mas ainda não dispunha de detalhes. Portanto, os números exatos das cotas não devem ser tratados como política definida, e não é possível determinar seu efeito sobre os modelos específicos da BYD.
Li apresentou as tensões regulatórias como algo temporário diante do compromisso de longo prazo da BYD com a Europa. Essa é a posição da empresa, não uma confirmação de que as restrições comerciais terão pouco impacto. As regras finais podem influenciar quais veículos a BYD produzirá localmente, como obterá seus componentes e com que rapidez novas fábricas se tornarão comercialmente úteis.
Identidade local significa mais do que uma linha de montagem
A ambição de Li vai além de transferir a produção entre países. Em Paris, ela falou sobre investimentos em fabricação, empregos em pesquisa e desenvolvimento e tecnologia. Também disse que a BYD quer apoiar vendedores locais e que deseja que os consumidores franceses considerem a empresa uma marca francesa.
Trata-se de uma aspiração sobre a percepção da empresa, não de uma mudança anunciada de propriedade ou nacionalidade corporativa. A BYD continua sendo uma empresa chinesa. Li também descreveu separadamente a meta de fazer com que os europeus a vejam como uma marca europeia dentro de dez anos.
A empresa leva uma experiência considerável em fabricação para esse esforço. Produz baterias e veículos e controla muitas etapas do processo produtivo. Jamel Taganza, cofundador da consultoria automotiva Inovev, descreveu esse controle como uma forma de a BYD administrar custos e reduzir a exposição à escassez de suprimentos.
Sua escala global já é expressiva. As vendas informadas em 2025 chegaram a 2,26 milhões de veículos totalmente elétricos, contra 1,64 milhão da Tesla. Esses números se referem a carros totalmente elétricos, não a todos os veículos vendidos pela BYD. Nessa categoria, a empresa ficou cerca de 620 mil veículos à frente.
O crescimento na Europa também ocorre em meio à forte concorrência e à pressão causada pela redução de preços entre fabricantes na China. Taganza relacionou essa concorrência doméstica à necessidade de ampliar as exportações. As fábricas europeias propostas pela BYD levariam essa estratégia internacional um passo adiante, substituindo parte da dependência de remessas entre países pela produção mais perto dos clientes.
Recarga rápida também faz parte da apresentação da BYD em Paris
A BYD também planejava apresentar sua tecnologia de recarga ultrarrápida em Paris durante a semana do salão. A empresa afirma que o sistema pode recuperar autonomia em poucos minutos, tornando a velocidade de recarga mais um elemento de seu esforço para conquistar compradores europeus.
A cronologia do lançamento varia entre as reportagens. Uma delas situa a apresentação da Super e-Platform em 2025 e menciona a promessa de adicionar até 470 quilômetros de autonomia em cinco minutos. Outra associa o aumento das vendas na China ao lançamento de uma tecnologia de recarga ultrarrápida em março de 2026. Esses relatos não esclarecem se se referem ao mesmo sistema, a uma atualização ou a diferentes etapas de sua introdução.
A potência necessária ajuda a explicar por que os equipamentos de recarga e as conexões elétricas são importantes. Fornecer 80 quilowatts-hora de energia em cinco minutos exigiria uma potência média de 960 quilowatts, sem contar as perdas de recarga. O cálculo resulta da divisão de 80 quilowatts-hora por um doze avos de hora.
Esse cálculo é ilustrativo, não uma evidência de que todos os veículos da BYD possam receber essa quantidade de energia em cinco minutos. O desempenho real depende do veículo, das condições da bateria, do nível inicial de carga e do carregador. Também não há cronograma anunciado para a instalação do sistema na França, nem informações sobre o tamanho da rede ou o orçamento para investimentos na rede elétrica.
Para a estratégia das fábricas, os próximos marcos são mais concretos: o início da produção em Szeged, a divulgação do local escolhido para outra fábrica europeia e os detalhes sobre o investimento e os modelos envolvidos. Não foi anunciada uma data-limite para uma decisão sobre a França. As declarações em Paris demonstram interesse sério, mas deixam em aberto as principais decisões de investimento.
Principais pontos
- Stella Li disse em 12 de outubro de 2026 que a França está na lista de países considerados pela BYD para uma fábrica devido aos preços competitivos da energia.
- A BYD busca uma segunda e uma terceira fábrica na Europa, mas não confirmou um local nem um investimento na França.
- A expectativa é que a produção em Szeged, na Hungria, comece no quarto trimestre de 2026, após atrasos anteriores.
- A fábrica húngara tem capacidade anual planejada de 300 mil veículos, e o Dolphin Surf deve ser o primeiro modelo produzido.
- As vendas na Europa subiram de 50.912 veículos em 2024 para 187.657 em 2025.
- As futuras regras europeias de produção e as restrições informadas às importações de híbridos continuam sendo incertezas importantes.
- Não foi anunciada uma data de inauguração, a definição de modelos nem um prazo para uma decisão sobre uma fábrica na França.






