Exportações de pitaia do Vietnã se recuperam com força, impulsionadas pela alta da demanda na Tailândia e no Oriente Médio

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Exportações de pitaia do Vietnã se recuperam com força, impulsionadas pela alta da demanda na Tailândia e no Oriente Médio

Salto nas exportações no início de 2026 sinaliza possível retomada

A indústria de pitaia do Vietnã registrou uma recuperação expressiva nos primeiros meses de 2026, com alta anual de 14% no valor das exportações, que chegou a US$ 108,5 milhões em janeiro e fevereiro. A aceleração pode representar uma virada para um setor em declínio contínuo desde 2018, quando as exportações anuais superavam regularmente US$ 1 bilhão e colocavam o Vietnã na liderança incontestável do comércio mundial da fruta. As mudanças mais marcantes ocorreram em mercados emergentes: os embarques para a Tailândia cresceram mais de 2,7 vezes, chegando a US$ 9,2 milhões, enquanto as exportações para os Emirados Árabes Unidos avançaram 57%, para US$ 3,3 milhões, sinalizando uma redistribuição geográfica dos fluxos comerciais.

Conteúdo
  1. Salto nas exportações no início de 2026 sinaliza possível retomada
  2. Demanda na Tailândia cresce apesar da posição do país entre os maiores produtores
  3. Mercados do Oriente Médio abrem novas oportunidades
  4. Limitações de oferta e pressão sobre os preços
  5. Iluminação artificial reduz as lacunas entre safras
  6. Cenário da concorrência global muda
  7. Prioridades estratégicas para um crescimento sustentável
  8. Principais pontos

A recuperação ocorre após anos de retração que eliminaram quase metade do valor das exportações do setor. Os embarques anuais de pitaia caíram de forma constante desde o pico registrado entre 2014 e 2018, chegando a apenas US$ 485,2 milhões nos primeiros 11 meses de 2025, o menor nível desde 2014. Analistas do setor atribuem a queda histórica a mudanças nos padrões de consumo dos mercados tradicionais, à intensificação da concorrência global de produtores latino-americanos e à dependência excessiva do mercado chinês. Tradicionalmente, a China absorvia a maior parte da produção vietnamita, mas tem favorecido cada vez mais o cultivo local.

Demanda na Tailândia cresce apesar da posição do país entre os maiores produtores

Em uma dinâmica comercial incomum, que evidencia a complexidade das cadeias de abastecimento agrícola do Sudeste Asiático, a Tailândia se tornou um dos destinos de crescimento mais rápido para a pitaia vietnamita, embora seja a terceira maior exportadora mundial da fruta. Dados comerciais de 2024 mostram que a Tailândia detém cerca de 4,5% das exportações globais de pitaia, avaliadas em US$ 200 milhões por ano, o que faz do país um concorrente direto do Vietnã nos mercados internacionais. Ainda assim, importadores tailandeses compraram quase US$ 9,2 milhões em frutas vietnamitas no início de 2026, quase o triplo do valor registrado no mesmo período de 2025. O dado sugere um mercado em amadurecimento, com segmentos distintos para variedades nacionais e importadas.

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Esse aparente paradoxo reflete uma segmentação específica do mercado e a eficiência das cadeias de abastecimento, e não uma simples concorrência. Fontes do setor indicam que empresas tailandesas, incluindo grandes redes de supermercados, unidades de processamento de alimentos e operadores de hotelaria, recorrem cada vez mais à pitaia de polpa branca do Vietnã para complementar a produção doméstica, possivelmente concentrada em outras variedades ou faixas de qualidade. Exportadores vietnamitas desenvolveram mecanismos sofisticados de fornecimento entre empresas, oferecendo qualidade certificada segundo padrões internacionais, como HACCP e ISO 22000, técnicas avançadas de manuseio pós-colheita com sistemas profissionais de seleção e classificação, além de embalagens flexíveis de marca própria, adaptadas às exigências do varejo tailandês, inclusive com rótulos em tailandês.

A proximidade geográfica dá ao Vietnã vantagens logísticas naturais em relação a concorrentes distantes. Os embarques por terra ou por mar chegam aos destinos tailandeses em poucos dias, reduzindo os custos de frete e o risco de perdas em comparação com importações da América Latina ou do Oriente Médio. Dang Phuc Nguyen, secretário-geral da Associação de Frutas e Vegetais do Vietnã, observou que o período do Ano-Novo Lunar impulsionou uma demanda excepcional nos mercados do Sudeste Asiático. Para garantir o abastecimento na entressafra tradicional, quando as colheitas na Tailândia e em outros países da região são limitadas, agricultores vietnamitas recorreram à iluminação artificial para estimular a floração e a frutificação fora de época.

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Mercados do Oriente Médio abrem novas oportunidades

O Oriente Médio consolidou sua posição como corredor estratégico de crescimento para os produtos agrícolas vietnamitas, com os Emirados Árabes Unidos na dianteira como centro de reexportação e consumo. Dados alfandegários confirmam uma alta de 57% nos embarques para os Emirados, que chegaram a US$ 3,3 milhões nos dois primeiros meses de 2026. Essa expansão ocorre em um ambiente competitivo complexo, no qual Israel tradicionalmente é o principal fornecedor de pitaia para os mercados do Golfo e da Europa, recorrendo a tecnologias avançadas de estufas e métodos de cultivo orgânico para manter seu posicionamento premium.

Estratégias regionais de segurança alimentar favorecem cada vez mais frutas tropicais nutritivas e de longa durabilidade, tornando a pitaia uma categoria atraente para distribuidores do Golfo que buscam diversificar a oferta para além das tâmaras e dos cítricos tradicionais. Consumidores de países como os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita apreciam opções exóticas e saudáveis, abrindo espaço para exportadores vietnamitas capazes de manter a qualidade com uma gestão avançada da cadeia de frio. Fornecedores do Vietnã agora usam congelamento rápido e a tecnologia IQF (congelamento rápido individual) para conservar a fruta por até 12 meses, garantindo disponibilidade durante todo o ano apesar da sazonalidade da produção e permitindo que parceiros tailandeses reexportem produtos processados com marcas próprias.

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Essa mudança tem implicações mais amplas para o comércio agrícola e os investimentos na Ásia. Enquanto a Índia busca reduzir as importações de produtos hortícolas e ampliar a produção doméstica, o êxito do Vietnã nos mercados do Oriente Médio demonstra o valor de direcionar esforços a regiões com setores de cultivo local menos desenvolvidos. Participantes do setor ressaltam que a manutenção desse ritmo de crescimento depende do cumprimento rigoroso das certificações internacionais e do desenvolvimento de infraestrutura de armazenamento refrigerado nos portos de origem e de destino, para garantir condições ideais de maturação.

Limitações de oferta e pressão sobre os preços

Apesar do aumento do valor das exportações, a produção enfrenta restrições crescentes que ameaçam limitar o crescimento sustentável. Produtores da província de Binh Thuan, principal região de cultivo de pitaia no litoral centro-sul do Vietnã, relatam redução da oferta disponível, à medida que pressões econômicas levam agricultores a substituir pomares por culturas de maior valor. As dificuldades climáticas agravaram o quadro: inundações generalizadas no fim de 2025 favoreceram doenças fúngicas, reduziram a produtividade de muitas áreas de cultivo e prejudicaram a saúde das plantas em extensas regiões.

As restrições de oferta provocaram fortes altas nos preços pagos ao produtor e mudaram fundamentalmente a economia do cultivo. A pitaia de polpa branca é negociada atualmente por 10 mil a 15 mil dong vietnamitas (US$ 0,38 a US$ 0,57) por quilo, enquanto as variedades premium de polpa vermelha alcançam de 15 mil a 25 mil dong. Os valores representam uma alta significativa em relação aos anos anteriores, quando o excesso de oferta frequentemente pressionava os mercados locais e desestimulava investimentos na manutenção dos pomares. A disparada reflete tanto a menor disponibilidade interna quanto a forte demanda internacional, mas levanta dúvidas sobre a competitividade de longo prazo diante de produtores de menor custo no Equador e na Colômbia, que se beneficiam de calendários de safra diferentes.

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Iluminação artificial reduz as lacunas entre safras

O salto nas exportações no início do ano depende fortemente de intervenções tecnológicas que permitem aos produtores vietnamitas contornar os ciclos naturais de cultivo. A safra natural da pitaia no Vietnã atinge o pico entre maio e setembro, mas o período do Ano-Novo Lunar gera demanda máxima nos mercados asiáticos em janeiro e fevereiro. Para suprir essa lacuna, produtores usam sistemas de iluminação artificial para induzir a floração fora do ciclo natural e criar uma janela de colheita na entressafra, coincidente com períodos de oferta global limitada, quando os países concorrentes não conseguem reproduzir facilmente o ritmo de produção.

Essa estratégia de cultivo exige investimentos substanciais em infraestrutura de iluminação, sistemas de energia e tecnologias de controle preciso do tempo de exposição para estimular as plantas durante a dormência natural. A técnica permite que exportadores vietnamitas aproveitem preços premium quando a oferta global se reduz, sobretudo em países concorrentes que dependem exclusivamente da produção sazonal natural. No entanto, os custos adicionais da iluminação artificial, incluindo eletricidade e períodos prolongados de cuidados com as plantas, podem limitar as margens de lucro se os preços premium não se mantiverem nos mercados-alvo ou se os custos da tecnologia não caírem com o ganho de escala.

O calendário do salto de 2026 sugere que os produtores vietnamitas executaram a estratégia com sucesso, conquistando participação de mercado em um período de demanda crucial, quando poucos fornecedores alternativos podiam responder. Ainda não se sabe se essa vantagem técnica será suficiente para sustentar o crescimento das exportações durante toda a safra principal, especialmente diante da expansão da produção fora de época no Equador e na Colômbia e da melhoria dos sistemas de manuseio pós-colheita desses países, que podem desafiar a liderança vietnamita na entressafra.

Cenário da concorrência global muda

O Vietnã mantém a liderança no comércio global de pitaia, com cerca de 85% de participação no mercado de exportação e embarques anuais de US$ 600 milhões em 2024. O país produz mais de 1 milhão de toneladas por ano, das quais 80% a 85% se destinam a mercados estrangeiros. No entanto, o cenário competitivo continua mudando rapidamente. A China ocupa o segundo lugar no mundo, com US$ 221 milhões em exportações, enquanto a Tailândia está na terceira posição, com US$ 200 milhões. O Equador se firmou como um concorrente importante, com US$ 172 milhões em exportações, e se especializou em variedades amarelas de pitaia, que alcançam preços premium nos mercados da América do Norte e da Europa por sua doçura característica e aparência atraente.

Os Estados Unidos apresentam um quadro diferente no início de 2026, que evidencia mudanças nos padrões de comércio. Os embarques de pitaia vietnamita para o país despencaram 39%, para US$ 4 milhões, em forte contraste com o crescimento observado nos mercados asiáticos e do Oriente Médio. A queda pode refletir a concorrência maior de fornecedores latino-americanos, beneficiados por distâncias de transporte mais curtas e custos logísticos menores para chegar à América do Norte. A pitaia amarela da Colômbia, apreciada por ser mais doce e saborosa do que as variedades vermelhas asiáticas, conquistou espaço especialmente entre consumidores dos Estados Unidos que buscam alternativas às importações vietnamitas. Enquanto isso, produtores do México e da América Central aproveitam vantagens geográficas para conquistar participação no crescente setor de frutas exóticas da América do Norte.

A China continua sendo o maior mercado individual do Vietnã, tendo absorvido US$ 66,5 milhões em pitaia nos dois primeiros meses de 2026. O valor representa alta anual de 5% e sugere estabilização após um período de queda. A recuperação ocorre depois de anos de retração atribuídos à expansão da capacidade de produção doméstica da China em províncias como Hainan e Guangxi. Os exportadores vietnamitas agora enfrentam o desafio estratégico de equilibrar a dependência tradicional da China com a diversificação para mercados menores, mas em crescimento mais rápido, no Sudeste Asiático e no Oriente Médio. Essa estratégia exige diferentes redes logísticas e especificações de qualidade.

Prioridades estratégicas para um crescimento sustentável

Analistas do setor afirmam que a recuperação de longo prazo depende de enfrentar vulnerabilidades estruturais, em vez de confiar em picos sazonais de preços e oportunidades temporárias de mercado. A diversificação já começou a reduzir a vulnerabilidade a oscilações da demanda em qualquer país específico, mas investimentos em infraestrutura continuam essenciais para preservar a qualidade ao longo de cadeias de abastecimento mais extensas. Instalações de armazenamento refrigerado, logística com controle de temperatura e protocolos de maturação ainda precisam ser desenvolvidos para garantir que a fruta chegue ao consumidor em condições ideais, sobretudo com o aumento das distâncias para destinos no Oriente Médio e na Europa.

A diferenciação pela qualidade é outro caminho essencial para manter a liderança do Vietnã. Embora a pitaia vermelha vietnamita em geral receba avaliações positivas de sabor em comparação com outras variedades asiáticas, ela costuma ficar atrás das variedades amarelas latino-americanas em doçura e apelo visual nas avaliações dos consumidores. Consumidores japoneses valorizam especialmente o sabor, mais do que o tamanho, enquanto compradores chineses tradicionalmente dão prioridade à aparência para fins cerimoniais, associados ao nome auspicioso da fruta e à sua semelhança com um dragão. Atender a essas preferências distintas exige estratégias direcionadas de cultivo e classificação, que podem demandar investimentos em programas de melhoramento genético e manejo especializado dos pomares.

O contraste entre o crescimento das exportações do Vietnã e a recente suspensão das exportações de tomate pelo Marrocos ilustra o delicado equilíbrio entre a segurança alimentar doméstica e os compromissos comerciais internacionais que todos os exportadores agrícolas precisam administrar. Com a alta dos preços internos vietnamitas junto ao aumento dos volumes exportados, as autoridades devem acompanhar possíveis tensões entre atender compradores estrangeiros e manter o acesso local a preços acessíveis, garantindo que a recuperação atual não provoque pressões sociais que levem a restrições comerciais prejudiciais.

Principais pontos

  • As exportações vietnamitas de pitaia chegaram a US$ 108,5 milhões em janeiro e fevereiro de 2026, alta de 14% em relação ao ano anterior e um possível sinal de recuperação após mínimas históricas
  • A Tailândia foi o mercado de crescimento mais rápido: as importações dispararam 270%, para US$ 9,2 milhões, embora o país seja o terceiro maior produtor e exportador mundial da fruta
  • As importações dos Emirados Árabes Unidos cresceram 57%, para US$ 3,3 milhões, refletindo a expansão da demanda no Oriente Médio e a entrada bem-sucedida em mercados tradicionalmente abastecidos por Israel
  • A China manteve a posição de principal destino, com US$ 66,5 milhões em importações, enquanto as compras dos Estados Unidos caíram 39%, para US$ 4 milhões, em meio à concorrência latino-americana
  • Os preços pagos ao produtor subiram significativamente devido às restrições de oferta provocadas pela migração de agricultores para culturas de maior valor e por inundações relacionadas ao clima, que favoreceram doenças fúngicas
  • Técnicas de iluminação artificial permitiram a produção fora de época para atender à demanda do Ano-Novo Lunar e contribuíram para o salto nas exportações no início do ano
  • O valor anual das exportações caiu para US$ 485,2 milhões em 2025, o menor desde 2014, depois de superar US$ 1 bilhão por ano entre 2014 e 2018
  • A diversificação para mercados da Tailândia e do Oriente Médio reduz a dependência da China, onde a demanda se estabilizou, mas enfrenta a concorrência da produção doméstica em expansão
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