Gigantes japoneses das lojas de conveniência defendem trabalhadores estrangeiros diante do endurecimento das regras pelo governo

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Gigantes japoneses das lojas de conveniência defendem trabalhadores estrangeiros diante do endurecimento das regras pelo governo

Líderes das grandes redes alertam contra políticas de exclusão diante da crescente dependência de mão de obra

Os principais executivos das três maiores redes de lojas de conveniência do Japão fizeram um raro alerta conjunto ao governo, ressaltando o papel indispensável dos trabalhadores estrangeiros em suas operações. A manifestação pública ocorre em meio a medidas do governo da primeira-ministra Sanae Takaichi para endurecer as regras para estrangeiros que vivem no Japão. Os executivos argumentam que políticas restritivas poderiam prejudicar um setor cada vez mais dependente da mão de obra internacional para manter o estilo de vida marcado pela conveniência que os consumidores japoneses passaram a esperar.

Conteúdo
  1. Líderes das grandes redes alertam contra políticas de exclusão diante da crescente dependência de mão de obra
  2. Os estudantes estrangeiros que trabalham nos caixas por todo o Japão
  3. Setor teme intensificação da concorrência global por mão de obra
  4. Lacunas nas políticas deixam lojas de conveniência em um limbo regulatório
  5. A realidade humana por trás das estatísticas
  6. Como lidar com as expectativas culturais do atendimento japonês
  7. O dilema mais amplo da política migratória do Japão
  8. Divisões políticas surgem em torno da política para trabalhadores estrangeiros
  9. Contexto internacional e perspectivas comparativas
  10. A necessidade econômica de políticas sustentáveis
  11. Em resumo

O número de funcionários estrangeiros que trabalham na Seven-Eleven Japan, na Lawson e na FamilyMart chegou a 110 mil em 2025, um aumento expressivo em relação aos 80 mil registrados apenas oito meses antes, em maio de 2024. Essa trajetória de crescimento mostra como o setor de lojas de conveniência passou a depender rapidamente de estrangeiros, que hoje representam uma parcela significativa da força de trabalho em meio período responsável por manter essas operações 24 horas funcionando sem problemas.

Junro Ito, presidente do conselho da Seven & i Holdings, empresa controladora da Seven-Eleven Japan, expressou com clareza a posição do setor. Em conversa com jornalistas durante uma recepção de Ano-Novo organizada pela Federação das Empresas do Japão, em Tóquio, Ito ressaltou que esses trabalhadores não devem ser vistos apenas como mão de obra barata.

"Certamente não os vemos como mão de obra barata, mas queremos que aprendam no Japão por meio do trabalho, inclusive conciliando-o com os estudos", afirmou Ito, destacando uma perspectiva mais ampla sobre o valor que os trabalhadores estrangeiros agregam, para além de preencher vagas.

A intervenção dos executivos representa um momento importante no debate em curso no Japão sobre imigração e mão de obra estrangeira, com líderes empresariais se posicionando publicamente contra políticas governamentais que, temem, possam comprometer sua capacidade de operar com eficiência.

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Os estudantes estrangeiros que trabalham nos caixas por todo o Japão

Uma parcela significativa da força de trabalho estrangeira nas lojas de conveniência do Japão é formada por estudantes internacionais matriculados em universidades japonesas e escolas de idiomas. Pela legislação migratória japonesa, o visto de estudante não permite trabalhar, em princípio. No entanto, os estudantes podem solicitar à Agência de Serviços de Imigração autorização para exercer atividades além das permitidas pelo status de residência. Essa autorização especial permite que trabalhem até 28 horas por semana.

Esse arranjo tornou-se essencial tanto para os estudantes, que precisam de renda para custear os estudos e as despesas de subsistência, quanto para as lojas de conveniência, que têm dificuldade para encontrar japoneses em número suficiente dispostos a ocupar vagas de meio período, sobretudo nos turnos da madrugada. O limite de 28 horas foi estabelecido para garantir que o trabalho não interfira no principal motivo de os estudantes estarem no Japão: estudar.

Ito demonstrou compreender esse marco regulatório ao afirmar: "É aceitável manter o limite atual de horas de trabalho, em vez de deixar que o emprego interfira nos estudos." O comentário reflete a aceitação, pelo setor, de restrições razoáveis destinadas a proteger os objetivos educacionais dos estudantes.

No entanto, o presidente do conselho da Seven & i Holdings manifestou preocupação com os rumos mais amplos da política governamental. "Seria assustador se a situação se transformasse em uma forma de exclusão. É necessário proteger quem trabalha sem causar problemas", alertou Ito, sugerindo que o atual debate sobre o endurecimento das regras pode criar um ambiente hostil aos estrangeiros residentes.

O sistema de visto de estudante cria uma dinâmica particular no mercado de trabalho japonês. Muitos desses trabalhadores desenvolvem habilidades valiosas e aprendem sobre práticas empresariais e atendimento ao cliente no Japão durante o emprego de meio período. Alguns até aspiram a se envolver mais com as empresas onde trabalham, como observou Ito ao compartilhar comentários entusiasmados que ouviu de funcionários estrangeiros.

"Se um dia a Seven-Eleven abrir no meu país, quero ser o dono da primeira loja", contou Ito, citando um trabalhador e destacando a ambição empreendedora que pode surgir dessa combinação de trabalho e estudo.

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Setor teme intensificação da concorrência global por mão de obra

Sadanobu Takemasu, presidente da Lawson, apresentou uma perspectiva mais urgente sobre os desafios enfrentados pelo setor de lojas de conveniência. Ele expressou preocupação com as perspectivas do segmento e situou a escassez de mão de obra em um contexto global de disputa por trabalhadores.

"No futuro, haverá uma escassez global de mão de obra, e chegaremos a uma época em que os trabalhadores vão se perguntar: 'Em que país devo trabalhar?'. Se não escolherem este país, será difícil manter um estilo de vida conveniente, porque o negócio das lojas de conveniência não será sustentável", alertou Takemasu.

A declaração mostra o reconhecimento de que o Japão não está apenas disputando trabalhadores dentro do próprio país, mas também precisa se posicionar de forma atraente no mercado internacional de trabalho. À medida que outros países recrutam ativamente trabalhadores estrangeiros, o Japão corre o risco de ficar para trás se construir uma reputação de políticas restritivas ou excludentes.

Há muito tempo, o setor de lojas de conveniência enfrenta grave escassez de mão de obra devido ao envelhecimento da população japonesa e à queda da natalidade. As empresas vêm tentando simplificar as operações com soluções tecnológicas, como caixas de autoatendimento e sistemas de inteligência artificial para fazer pedidos e executar outras tarefas. No entanto, esses avanços tecnológicos não eliminaram a necessidade de trabalhadores, sobretudo em atividades que exigem julgamento, interação com clientes e manuseio físico de produtos.

Takemasu explicou a estratégia dupla da Lawson para enfrentar esses desafios: "Vamos usar adequadamente a inteligência artificial, as tecnologias digitais e a robótica para aumentar a produtividade. Queremos elevar a produtividade e, ao mesmo tempo, preparar um ambiente de trabalho que atraia estrangeiros." Essa abordagem reconhece que a tecnologia, por si só, não resolve a escassez de mão de obra e que continua sendo essencial criar condições atraentes para trabalhadores estrangeiros.

O modelo de lojas de conveniência, hoje onipresente no Japão, depende de uma rede densa de estabelecimentos que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana. Esse modelo oferece aos consumidores japoneses uma conveniência sem igual, desde pagar contas de serviços públicos e sacar dinheiro até comprar refeições prontas a qualquer hora. Manter esse nível de serviço exige um contingente expressivo de trabalhadores dispostos a cumprir turnos variados, inclusive durante a madrugada, período particularmente difícil de cobrir com mão de obra local.

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Lacunas nas políticas deixam lojas de conveniência em um limbo regulatório

Kensuke Hosomi, presidente da FamilyMart, abordou uma lacuna regulatória específica que afeta o setor de lojas de conveniência. Ele alertou contra o endurecimento excessivo das regras e observou: "As discussões devem separar as considerações gerais dos casos individuais. Não é bom continuar avançando na direção de impor restrições excessivas."

Hosomi destacou que o setor de lojas de conveniência não está incluído no sistema de Trabalhador Qualificado Específico (SSW, na sigla em inglês), criado pelo governo japonês para receber trabalhadores estrangeiros com conhecimentos ou habilidades específicas em setores que enfrentam grave escassez de mão de obra. O sistema abrange atualmente 16 setores, entre eles assistência a idosos, construção, agricultura e serviços de alimentação, mas exclui o varejo de lojas de conveniência.

O programa SSW, lançado em 2019, representou uma mudança significativa na tradicional política restritiva de imigração do Japão. Ele criou duas categorias de visto: o SSW (i), para trabalhadores com conhecimentos ou experiência consideráveis em áreas específicas, válido por até cinco anos; e o SSW (ii), para quem tem habilidades avançadas, que permite estadias mais longas e a vinda de familiares. No entanto, a exclusão do varejo de conveniência do sistema gera incerteza para trabalhadores estrangeiros e empregadores do setor.

Hosomi ressaltou a importância de resolver essa lacuna: "É extremamente importante solucionar a escassez de trabalhadores, inclusive adicionando ao sistema a categoria de varejo de lojas de conveniência." A proposta abriria um caminho mais claro para que estrangeiros possam permanecer legalmente no Japão enquanto trabalham nessas lojas, reduzindo potencialmente a dependência da alternativa improvisada do visto de estudante.

A situação atual deixa muitos trabalhadores estrangeiros do setor em condições precárias. Os estudantes precisam conciliar as horas de trabalho com as exigências acadêmicas e, ao se formarem, muitas vezes não podem continuar trabalhando nas lojas onde adquiriram experiência valiosa, pois a área de estudo pode não ter relação com o varejo. Isso obriga trabalhadores e empregadores a recrutar e treinar novos funcionários constantemente, reduzindo a eficiência e gerando instabilidade na força de trabalho.

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A realidade humana por trás das estatísticas

Além das estatísticas e dos debates sobre políticas públicas, há pessoas de verdade conciliando vida e trabalho nas lojas de conveniência do Japão. O cotidiano envolve desafios importantes, sobretudo para quem ainda está aprendendo japonês e as normas culturais locais.

Em uma loja da Lawson no distrito de Koto, em Tóquio, o instrutor Jiyu Chen trabalha com funcionários estrangeiros de meio período e explica a complexidade de tarefas que podem parecer simples para trabalhadores japoneses. Chen, cidadão chinês que chegou ao Japão há 17 anos como estudante internacional, conhece esses desafios em primeira mão. Hoje, ele treina cerca de 50 funcionários de meio período em quatro lojas, 90% deles estrangeiros.

Dois de seus alunos, um nepalês de 20 anos e uma vietnamita de 19, enfrentam diariamente o desafio de se comunicar em japonês enquanto realizam diversas tarefas, como usar fornos de micro-ondas e operar os sistemas de loteria das lojas. Até mesmo transações simples podem se complicar, como quando é preciso entender respostas de clientes como "iidesu", que pode significar tanto "sim" quanto "não", dependendo do contexto e da entonação.

A trabalhadora nepalesa contou que, certa vez, deixou de entregar uma sacola plástica a um cliente por ter entendido mal a resposta dele e acabou sendo repreendida. A trabalhadora vietnamita observou que operar o caixa é particularmente difícil porque as telas de atendimento não têm vários idiomas, obrigando os funcionários a memorizar as funções sem apoio visual em suas línguas maternas.

Essas barreiras linguísticas geram estresse tanto para os trabalhadores quanto para os clientes. Para enfrentá-las, as redes de lojas de conveniência adotaram diferentes soluções. A Seven-Eleven instalou nos caixas folhas com ilustrações que ajudam na comunicação não verbal. A Lawson lançou crachás multilíngues indicando quais idiomas cada funcionário fala. A FamilyMart adotou um sistema de treinamento em realidade virtual disponível em 19 idiomas para ensinar procedimentos aos trabalhadores antes de atenderem os clientes.

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Como lidar com as expectativas culturais do atendimento japonês

Além das dificuldades com o idioma, os trabalhadores estrangeiros também precisam lidar com as expectativas culturais específicas do atendimento ao cliente no Japão. O conceito de "omotenashi", a abordagem japonesa singular à hospitalidade, pode ser desconhecido para quem vem de outras culturas.

A FamilyMart oferece treinamentos on-line voltados especificamente a ensinar aos trabalhadores estrangeiros a cultura japonesa de atendimento. Funcionários chineses e vietnamitas atuam como instrutores e explicam conceitos como se curvar ao cumprimentar os clientes e segurar objetos com as duas mãos ao entregá-los. O treinamento também ensina a sorrir de maneira adequada para os clientes japoneses.

O princípio cultural japonês de que "o cliente é Deus" cria expectativas elevadas em relação ao atendimento. Funcionários estrangeiros que não seguem naturalmente essas expectativas podem entrar em conflito com clientes que os consideram desrespeitosos. Esses mal-entendidos culturais podem gerar estresse para os trabalhadores e contribuir para uma rotatividade maior.

Ayako Tsutsui, gerente do departamento de promoção de vendas da FamilyMart, explicou a perspectiva da empresa: "As lojas de conveniência querem evitar conflitos entre funcionários e clientes causados por diferenças culturais, para que seus funcionários permaneçam no emprego pelo maior tempo possível. Muitos funcionários estrangeiros vêm ao Japão com o sonho de estudar japonês. Espero que as lojas de conveniência possam ser um espaço para que essas pessoas participem ativamente da sociedade japonesa."

Essa abordagem reconhece que as lojas de conveniência podem funcionar como importantes portas de entrada para a participação de estrangeiros residentes na sociedade japonesa. Ao oferecer ambientes acolhedores que reconheçam diferenças culturais e ensinem as habilidades necessárias, essas empresas podem facilitar a integração e a compreensão mútua.

O perfil da força de trabalho estrangeira nas lojas de conveniência mudou ao longo do tempo. Há dez anos, cidadãos chineses e vietnamitas formavam os maiores grupos na Seven-Eleven e na Lawson. Em 2024, o Nepal havia superado os dois países e se tornado a principal origem dos trabalhadores dessas redes. Na FamilyMart, cerca de 80% dos funcionários estrangeiros vêm de cinco países: China, Vietnã, Nepal, Mianmar e Bangladesh. Essa mudança demográfica reflete alterações nos padrões migratórios e a globalização do mercado de trabalho japonês.

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O dilema mais amplo da política migratória do Japão

As tensões apontadas pelos executivos das lojas de conveniência refletem a dificuldade mais ampla do Japão em lidar com sua política migratória. Tradicionalmente, o país mantém leis de imigração restritivas, recebe relativamente poucos trabalhadores estrangeiros e evita o termo "imigração" por sua associação com a residência permanente. A diretriz básica tem sido aceitar trabalhadores estrangeiros sob a condição de que, em algum momento, retornem a seus países de origem.

Essa postura restritiva convive com uma realidade econômica cada vez mais dependente da mão de obra estrangeira. O número de trabalhadores estrangeiros no Japão quadruplicou desde 2007 e ultrapassou 2 milhões em um país de 125 milhões de habitantes. Apesar desse aumento expressivo, a dependência japonesa de mão de obra estrangeira continua baixa para os padrões internacionais: cerca de 3,4% da força de trabalho total.

As comparações internacionais ajudam a situar o Japão. A proporção de vagas abertas em relação à população economicamente ativa era de 3,2% no Japão em 2013, ante 1,1% na Alemanha e 2,5% nos Estados Unidos. A escassez de mão de obra é particularmente aguda no setor de serviços: em alguns períodos, havia mais de três vagas para cada posto de garçom e cinco para cada posto de segurança.

As pressões demográficas que impulsionam a escassez de mão de obra no Japão são graves e estão piorando. A taxa de natalidade japonesa caiu abaixo do nível de reposição de 2,1 em meados da década de 1970 e hoje está em cerca de 1,4. Combinada à maior expectativa de vida do mundo, de 85,5 anos, essa taxa resulta em uma população em idade ativa cada vez menor para sustentar uma população idosa crescente. O Fundo Monetário Internacional estima que a taxa de crescimento potencial do Japão no médio prazo é de apenas 0,6%, em parte devido à redução da oferta de mão de obra.

As projeções indicam que estrangeiros poderão representar 10,8% da população japonesa até 2070, embora alguns especialistas acreditem que esse patamar será alcançado antes. Em 2023, o aumento do número de residentes estrangeiros foi quase o dobro do previsto pelo governo, o que sugere que o país poderá chegar a 10 milhões de estrangeiros residentes na década de 2040. Esses números indicam que o Japão está se tornando um país que não consegue funcionar sem mão de obra estrangeira, apesar das políticas oficiais destinadas a limitar a permanência definitiva.

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Divisões políticas surgem em torno da política para trabalhadores estrangeiros

O debate sobre trabalhadores estrangeiros ganhou cada vez mais destaque na política japonesa e se tornou uma questão central nas eleições recentes. Os partidos adotaram posições muito diferentes sobre a entrada de trabalhadores estrangeiros.

O primeiro-ministro Shigeru Ishiba defendeu uma abordagem moderada ao afirmar: "O confronto e a divisão não levarão a nada", aparentemente em resposta a partidos de oposição que pedem políticas excludentes. A coalizão governista tem defendido a aceitação de trabalhadores estrangeiros diante do agravamento da escassez de mão de obra nos setores de serviços e em outras áreas.

Alguns partidos de oposição, porém, adotaram posições mais restritivas, aparentemente para atrair eleitores frustrados com as dificuldades econômicas. O Partido Democrático para o Povo e o Sanseito pediram regras mais rígidas para a entrada de trabalhadores estrangeiros, argumentando que deve ser dada prioridade a ajudar os jovens japoneses a ingressar no mercado de trabalho.

Yuichiro Tamaki, líder do Partido Democrático para o Povo, afirmou: "A primeira coisa a fazer é tomar medidas para ajudar mais jovens japoneses a trabalhar. [O governo e os partidos governistas] inverteram a ordem ao aceitar trabalhadores estrangeiros simplesmente porque falta mão de obra." Sohei Kamiya, líder do Sanseito, defendeu uma política de "Japão em Primeiro Lugar". Segundo ele, "é necessária uma aceitação adequada", embora tenha se manifestado contra a entrada excessiva de estrangeiros.

Em contraste, Yoshihiko Noda, líder do Partido Democrático Constitucional do Japão, criticou as abordagens excludentes e defendeu uma sociedade multicultural que respeite as minorias. "Os estrangeiros residentes são essenciais para manter a economia do Japão", disse Noda, alertando que políticas excludentes podem alimentar divisão e conflito.

Essa divisão política reflete tensões mais amplas na sociedade japonesa. Segundo uma pesquisa do Nikkei, 98% dos líderes empresariais do Japão apoiam a ampliação da entrada de trabalhadores estrangeiros, mas a opinião pública permanece dividida. Uma pesquisa telefônica realizada pela NHK em 2020 constatou que 70% dos entrevistados eram favoráveis ao aumento da imigração. Esse percentual caiu para 57% quando perguntados se os imigrantes deveriam morar em seu próprio bairro. Os entrevistados manifestaram tanto preocupação com diferenças de idioma e cultura quanto expectativas positivas sobre a chegada de novas ideias e culturas.

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Contexto internacional e perspectivas comparativas

A abordagem japonesa à mão de obra estrangeira se insere em um contexto regional e global. Outros países do Leste Asiático enfrentam desafios demográficos semelhantes e desenvolveram suas próprias formas de administrar a migração de trabalhadores, embora com diferenças importantes nas políticas.

O Taiwan, por exemplo, avançou recentemente na ampliação dos setores abertos à mão de obra migrante e, ao mesmo tempo, reprimiu programas problemáticos de "estágio" usados como brechas para arranjos de fato voltados ao trabalho braçal. Novas regras em Taiwan limitam as horas de trabalho dos estudantes a 50% do tempo de estudo e exigem que os estagiários recebam pelo menos o salário mínimo. Taiwan também propôs abrir vagas em hospitais para funções de cuidados críticos e postos de motorista de ônibus a trabalhadores migrantes, reconhecendo a grave escassez nesses setores.

Taiwan conta atualmente com mais de 800 mil trabalhadores migrantes em funções braçais, principalmente da Indonésia, das Filipinas, da Tailândia e do Vietnã. Diferentemente do Japão, Taiwan enfrenta reação negativa do público quando propõe receber trabalhadores de novos países de origem, como ocorreu após reações racistas na internet a propostas de admissão de trabalhadores indianos. Taiwan também é criticado pelo limite máximo de 12 anos de permanência dos trabalhadores migrantes, contra o qual manifestantes vêm pedindo o fim.

Essas comparações regionais mostram que o Japão não é o único a lidar com a tensão entre a necessidade econômica de mão de obra estrangeira e as preocupações sociais relacionadas à imigração. Cada país desenvolveu seu próprio marco regulatório, muitas vezes com sistemas complexos de vistos, permissões de trabalho e restrições destinados a equilibrar interesses concorrentes.

A dependência do Japão do sistema de visto de estudante para suprir a mão de obra das lojas de conveniência é uma abordagem particular, diferente dos programas mais diretos de trabalhadores convidados adotados por alguns outros países. Esse modelo permite ao Japão se beneficiar da mão de obra estrangeira enquanto mantém a aparência de que esses trabalhadores são principalmente estudantes, e não migrantes a trabalho. No entanto, como indicam as declarações dos executivos, os líderes empresariais reconhecem os limites dessa abordagem e defendem marcos regulatórios mais transparentes e sustentáveis.

A disputa regional por mão de obra mencionada por Takemasu está se tornando cada vez mais real. Países como Coreia do Sul, Austrália e nações europeias também recrutam ativamente trabalhadores estrangeiros para enfrentar seus próprios desafios demográficos. A capacidade do Japão de atrair e manter trabalhadores nesse mercado global competitivo dependerá muito da clareza e da equidade de suas políticas migratórias, assim como da disposição da sociedade japonesa para acolher e integrar estrangeiros residentes.

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A necessidade econômica de políticas sustentáveis

Os executivos japoneses das lojas de conveniência não estão apenas defendendo os interesses de seu próprio setor: estão chamando a atenção para uma realidade econômica fundamental. O segmento funciona como um microcosmo dos desafios mais amplos da economia japonesa, onde a escassez de mão de obra ameaça comprometer a produtividade, o crescimento econômico e a qualidade de vida que os cidadãos japoneses passaram a esperar.

O FMI identificou várias soluções para a escassez de mão de obra no Japão, entre elas adotar tecnologias que exigem mais capital, aumentar os salários para atrair trabalhadores, ampliar a participação na força de trabalho entre grupos demográficos sub-representados e aumentar a oferta de mão de obra estrangeira. Embora tenha havido avanços em algumas áreas, como a maior participação de mulheres e idosos no mercado de trabalho, a entrada de trabalhadores estrangeiros recebeu menos atenção nos debates sobre políticas públicas, apesar de seu potencial impacto.

Medidas migratórias atuais do Japão, como flexibilizar os requisitos para trabalhadores altamente qualificados e permitir a contratação de trabalhadores domésticos estrangeiros em Zonas Econômicas Especiais, representam avanços, mas têm impacto limitado nos setores mais afetados, como o varejo de conveniência. O FMI sugeriu que o Japão poderia considerar programas de trabalhadores convidados, flexibilizar os requisitos de entrada em setores com escassez de mão de obra e criar critérios uniformes para a certificação de habilidades.

Uma preocupação frequentemente levantada sobre a ampliação da imigração é o receio de que os custos sociais superem os benefícios econômicos. No entanto, estudos sugerem que, no caso da imigração temporária, os benefícios fiscais provavelmente superariam os custos para o Japão. Além disso, pesquisas de opinião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que as atitudes dos japoneses em relação à imigração são, em geral, semelhantes às observadas em outros países da organização. Isso sugere que, com políticas bem formuladas e comunicação adequada com o público, seria possível superar os obstáculos à criação de programas para trabalhadores temporários.

As declarações dos líderes das lojas de conveniência ressaltam que, em muitos aspectos, o sistema atual já funciona bem, e que os trabalhadores estrangeiros fazem contribuições valiosas à sociedade e à economia japonesas. Em vez de se concentrarem exclusivamente no endurecimento das restrições, eles defendem uma abordagem mais ponderada, que reconheça os benefícios trazidos pelos estrangeiros e também leve em conta preocupações legítimas.

A mensagem de Ito ao governo japonês resume essa perspectiva: "Não é bom excluir essas pessoas. Gostaria que considerassem como a sociedade japonesa pode conviver com os estrangeiros." Esse apelo à convivência, em vez da exclusão, reconhece que a prosperidade futura e a sustentabilidade social do Japão dependem de encontrar formas de integrar com sucesso os estrangeiros residentes à sociedade japonesa.

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Em resumo

  • As três principais redes de lojas de conveniência do Japão empregam 110 mil trabalhadores estrangeiros, ante 80 mil em maio de 2024
  • Estudantes internacionais representam uma parcela significativa dessa força de trabalho e, com autorização especial, podem trabalhar até 28 horas por semana
  • Executivos da Seven-Eleven, Lawson e FamilyMart alertaram publicamente contra o endurecimento das regras para trabalhadores estrangeiros
  • O setor de lojas de conveniência não está incluído no sistema japonês de Trabalhador Qualificado Específico, o que gera incerteza regulatória
  • O Japão enfrenta graves desafios demográficos, com taxa de natalidade de 1,4 e a maior expectativa de vida do mundo, de 85,5 anos
  • O Japão tem mais de 2 milhões de trabalhadores estrangeiros, número quatro vezes maior que o de 2007, mas eles ainda representam apenas 3,4% da força de trabalho
  • Barreiras culturais e linguísticas criam desafios importantes para trabalhadores estrangeiros nas lojas de conveniência
  • O Nepal superou a China e o Vietnã como principal país de origem dos trabalhadores de algumas redes de lojas de conveniência
  • Há divisões políticas sobre a política para trabalhadores estrangeiros, embora 98% dos líderes empresariais apoiem a ampliação da entrada
  • Projeções indicam que estrangeiros poderão representar 10,8% da população japonesa até 2070
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